13.8.17

Série: Diásporas ( Cabo Verde)

MUDANÇAS. J. A. M.

Mindelo

O céu cheio de manchas cinzentas umas mais outras menos escuras sobre um fundo que se pressente azul. O “Monte Cara” sempre pousado na sua lonjura pensativa e sempre tão presente na alma de cada mindelense. O aroma nostálgico do Ser de uma ilha com as raízes mergulhadas no oceano  Atlântico , os sons de uma morna abrindo a noite como quem pede licença mas já entrou e já se instalou suave e inteira, abrindo os braços a quem quiser estar, a menina de camisa encarnada e mini-saia-azul abertamente com as duas coxas de ébano demoradamente nuas e brilhantes até um determinado ponto inexato, os 2 amigos calados & unidos a uma garrafa de grogue, a criança de colo camisa cor-de-rosa e 4 totós verde-alface no cabelo encarapinhado, a chupar uma manga avidamente e uma gota doucement a cair-lhe pelo queixo até à mão aberta da mãe inteiramente absorta no cantor unindo-nos a todos num só lugar e depois lá fora os ruídos dos ilhéus que vão & vêm dos seus destinos circulares e ali fora na estrada agora mesmo  alguém vai sentado de lado numa bicicleta que desliza sorrateiramente pelo alcatrão a fora, mas que arte será aquela?

(Autor: J. A. M. ~ texto inicial: 2005. Alterado em 2016)

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