José Alberto Mar. Com tecnologia do Blogger.

13.6.25

O Sopro

Pintura. J. A. M.

A noite prolonga-se nas águas do corpo.
Há uma ciência minuciosa por dentro. Dentro
das grutas de carne acordada, dentro das ondas contra
as impávidas rochas dos hábitos, dentro da espuma
luminosa ou sombria.
 
Uma ciência que ainda é mistério.
Novas ciências aproximam-se.
 
Lá fora, o silêncio inaugurado sob
a pouca flamância das estrelas.
Fechadas as portas do sono, alguém escreve
enquanto não acorda do sonho
que o embala na vida.


(J. A. M.)

4.6.25

estranha sensação a distância

Pintura. J. A. M.

 
Bate-me à porta a noite
o silencioso exercício do Mundo
acontece-me na mais pura beleza
do que parece estar nu.
 
Inspira-me a visão das linhas curvas
dos sons e a inutilidade das mãos
quando a intenção desta beleza é estar
à altura do espanto.
 
Sou, pois, mais um ser
dominado pela voz, cantando
o seu exemplo de onda transformada
em espuma.


( J. A. M. )