José Aberto Mar. Com tecnologia do Blogger.

15.2.18

alguém passeia-se porque tal lhe aconteceu














Sr. da Pedra. Praia de Miramar. V. N. Gaia
( foto: j. a. m.)


alguém passeia-se algures por caminhos & paisagens onde ainda há árvores algumas aves pedras pelo chão e acontece-lhe curvar-se de repente, por algo que o chama sem dar-bem-por-isso e há um diamante entre as suas mãos  o olhar turva-se pelo brilho que o sol, atento a tudo onde há vida lhe oferece no mesmo instante e depois
há quem logo veja ali um presente, há quem não dê conta do vislumbre que lhe aconteceu e continue apegado aos seus hábitos, atirando o pequeno seixo para as águas de 1 rio que também anda por ali no seu ocaso indiferente a tudo isto.

Os hábitos escravizam, tornam-nos cegos.

Todos os dias acontecem coisas assim, parecem banais porque são diárias mas não o são, não.

Nada é banal nesta vida que nos está acontecendo.

E por aqui os diamantes não têm quaisquer preços são iluminadas fontes metafóricas criadas pela infindável sede que também habita os profundos lençóis da Terra:

- quanto demora um olhar a ser luz?


(Ourique. Alentejo. Portugal)

- rascunho Nº330 -

wake up that night is going away

13.2.18

KOISAS ~ DO ~ MOLESKINE ( 2ª folha)



trata-se genericamente de pontos de vista como outros quaisquer cada um vê à sua altura e nem há alturas mais + nem desalturas. A viagem é longa, “um homem com pressa é um homem morto”, eis um ditado de gentes apaziguadas entre si com certeza nos desertos (1) há tempo para tudo é tudo  pois o céu é amplo e os horizontes demorados o tal tempo foi expulso dos dias & das noites por estas bandas ocidentas lá desandam eles a correrem sozinhos cada um com a sua meta & o descalabro dos seus desígnios impostos quando por vezes acontece passarem ao lado das árvores elas abanam desconsoladas as suas cabeleiras por vezes criam ditirâmbicas alianças com os ventos e assobiam, mas qual quê moucos de todo.

Quem os convenceu de que sozinhos vão a qualquer lado?

Enquanto caminho ao sabor da leve aragem que me acompanha recordo já ao longe senti o aroma espalhado de uma visita que nem liguei e é saboroso ver agora as flores de alfazema minúsculas violetas azuladas encantadas entre si amparadas pelas significantes folhas verdes onde o sol tranquilo se desfaz em prata, a olharem-me como eu nunca as olhei. Guardo a lição no bolso da camisa junto ao peito e continuo a caminhar até onde não sei

(
          (1) Wikipedia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Deserto_do_Saara
       


 - Bar de narguile. Rascunho Nº 51 -

12.2.18

As Raízes da Religião: Genevieve Von Petzinger na TEDxVictoria

Msg a Garcia



"(...) Quem olhasse este passo para o mar e para a terra, e visse na terra os homens tão furiosos e obstinados , e no mar os peixes  tão quietos e tão devotos, que havia de dizer?
Poderia cuidar que os peixes irracionais se tinham convertido em homens, e os homens não em peixes, mas em feras. Aos homens deu Deus uso da razão, e não aos peixes; mas neste caso os homens tinham a razão sem o uso, e os peixes o uso sem a razão. (...) Aristóteles diz que só eles, entre todos os animais, se não domam nem domesticam.(...). 
Peixes, quanto mais longe dos homens, tanto melhor: trato e familiaridade com eles, Deus vos livre!"



( " Sermão de Santo António aos Peixes",  de Padre Antóno Vieira. Col. Portugal, Nº38, Joaquim Ferreira)

31.1.18

KOISAS ~ DO ~ MOLESKINE




jÁ há uns bons tempos que faço diariamente, com base nos tramites das meditações ocidentais, dado que sou do género Oblomov, uma pesquisa mui atenta ao meu umbigo.

                                                Como se se tratasse de um curioso buraco negro ou o olho da espiral de uma galáxia ou qualquer outro círculo vulgar, como se houvesse algo que  pudesse ser vulgar nesta vida & nestas ocasiões, para me concentrar sirvo-me do meu girassol caseiro arrebanho o vaso p/ o meu labor pessoal  e -  olhos nos olhos - Tudo está lá.
Também.
Nestas vãs deambulações, encontro paredes pedras real-mente duras & a minha picareta é sempre tão frágil tão frágeis estas mãos sementes de asas, mas às vezes por acaso 😊

surgem horizontes desamparados, e dou por mim noutra linha de tempo, isto é, re/paro que o desamparo é apenas meu e digamos assim, para finalizar por repentina preguiça este laço, há koisinhas inverbais. Como se a língua de repente, se enrolasse para dentro em onda armada em rebelde e ficasse ofuscada perante  um inesperado diamante em visita, vindo sabe-se lá de onde? Cada vez que o vislumbro fico tão deslumbrado que,,,,,isto é, apago-me  e demoro acender-me. Mal dou conta, escuto um outro eu de mim: " o gajo caiu em si ". Aqui temos se temos admitamos que temos um  1 exemplo pragmático e até ouso por ora dizer positivista (Um) apenas momentâneo de que há que aceitar o que a vida nos oferece ou nos empresta seja lá o que isso for i Haja deus !, cada um que se procure se para tal lhe acontece tal necessidade & quiçá se aperceba de tal com uma dose ou pelo menos meia-dose de pachorra e uns grãos de flor de sal q.b. iluminados pela novidade de uma estranha  lucidez:

respirar fora da caixa, alguém sopra soprou       

                                                                                                      (enquanto as nuvens de um céu diferente se abrem aos meus olhos cativados e cada nuvem tem uma cor ousada que logo se dilui numa outra e todas vão são ligadas sem darem por isso parece-me, mas o que sei eu? )



(Um) baseado sobretudo no  calendário  lunar composto por 13 meses de 28 dias.


( raskunho Nº ? . 31 Jan. - L.C. )

j. a. m. 


(continuará quiçá)

25.1.18

ao artista Vadú



ainda recordo algumas imagens como pétalas caídas no meu regaço estava no restaurante “Quintal da Música” com o meu amigo acontecido há pouco por ali, entre strelas (1) douradas pela luz oblíqua da porta semiaberta da entrada e saída e os dengosos funanás no palco onde a Mayra (2) se espraiava deleitosamente.

e ele entrou, fino, esbelto como um lírio estremecido pela sua íntima alegria de estar naturalmente vivo no seu gingar dançante e o meu amigo inesperadamente levantou-se assaltou-o na dança e apresentou-me: este é o não-sei-quê.
Levantei-me a pesar a repentina gravidade do momento & a que existe em todo este mundo de deus, mas a leveza que me acompanhou logo me surpreendeu e quando olhos nos olhos enlaçámos as mãos eu vi ali um ser raro mesmo à minha frente daqueles que já ganhei o dia embora neste agora quase já fosse noite.

“Lá Fora” (3) no surpreendente mundo das pessoas tudo parecia continuar a ser igual.
Quando a altas horas consegui descer de tudo aquilo, pois nestas farras a fraternidade por estas bandas é imensa e onda a onda neste mar tudo se demora já os meus amigos no veículo estavam  à espera numa achada (4) próxima.
Levantei as asas possíveis com tais companhias é sempre fácil e logo estávamos a viajar entre tantas estrelas à mão de semear que nem vos conto.



Nota: texto alusivo ao cantor Vadú. (1977-2010)



1. cerveja caboverdiana.
2. Mayra Andrade. Cantora.
3. título de canção de Vadú.
(       4. planalto de origem vulcânica.


 j. a. m.     raskunho. ( ? - 2017 )

foto:  j. a. m. 

have a Good Day!

24.1.18

dos sonos -.- à propos de dormir

imagem trabalhada
~
https://youtu.be/zMvXnz8ThnA

Mestres do Nada




Há rostos que tornam as coisas mais simples.
São como pedras vivas
mergulhadas a prumo
no sábio esquecimento
das suas formas
onde a sós
os olhos dizem
o ouro breve das imagens.


in, A Primeira Imagem, Ed. Sol XXI, 1998 )

Catálogo/Exposição : " o ouro breve das imagens "



os Poderes do Coração ~ the Powers of the Heart
   

                    Mundos  (im)possíveis?

                                                                                                                           
               De poeta para poeta: " Quem é que canta sem condição? É José o homem dos sonhos” [1]. Mas também de poeta para artista visual, numa dupla afirmação de liberdade em relação às fronteiras da linguagem, ou sequer do mundo, via a novos mundos em que do comum se faz Outro e Outrem.
            Assim, se na obra plástica de José Alberto Mar nos reconhecemos perante signos ligados à natureza (sóis, luas, flores, borboletas) e ao humano (corações, olhos, labaredas de fogo interiores, cabeças, cruzes), nos harmonizamos perante arquétipos universais de raiz formal geométrica, espantamo-nos, porém, perante a metamorfose dos signos num processo de morfogénese que progressivamente se tem vindo a acentuar no percurso ontológico da obra do artista, onde busca e revelação surgem indissociáveis. De tal modo que nesses universos (im)possíveis que nos é dado entrever pelo “ouro breve das imagens”, o olhar surpreende-se, mas não emigra, pois o outrem que se afirma enraíza-se profundamente no humano e na natureza como assunção do transcendente.
            De outro ângulo, nesta mostra reencontramos o jogo entre a cor e a sua ausência, a linha intensa, em formas bidimensionais, tridimensionais - e sugestões de outros planos - e os signos inefáveis das nossas e de novas linguagens, ou seja, tudo aquilo que decorre de uma caligrafia do simbólico. Mas, mais uma vez, também se nos afigura que o cunho inconfundível da arte de José Alberto Mar flui naturalmente da matriz existencial do poeta, pintor – e visionário -  e de uma radical liberdade do ser e do estar como assumida celebração da vida.
Enfim, “Quem é que canta sem condição? É José o homem dos sonhos”.


Sofia Moraes
                                             
(07- 01-2018)




[1] (Ruy Belo, Homem de Palavras)

18.1.18

O ESPANTO ACORDADO


 

primeiro  foi uma sensação a veludo nas mãos, a carne à flor da pele era macia de um modo tão suave a pedir só mansidão e elas, as mãos transcorriam como caravelas loucas com todas as suas 10 velas nas polpas sensíveis cada vez mais e eu lá ao fundo, no final da sensação, deixava-me navegar com toda a preguiça esboçada do mundo por este mar de novidades que aquele corpo me emprestava no silêncio ofegante da noite.

E ela estava deitada, absorta no seu sonho inteiro de ser escultura para as minhas mãos, e eu sentia-a a crescer nos ritmos da respiração e de um lado e do outro ambos éramos mais próximos, como se houvesse uma indeterminada luz pelo meio que ambos tínhamos de possuir, precisamente ao mesmo tempo.

Tudo ilusão. E, no entanto, não era. Eu estava ali, ela também, éramos 2 corpos com todas as portas abertas à vida. A aragem das mãos esvoaçando sobre a pele de veludo era o que sobrava do silêncio de chumbo, onde os nossos corpos jaziam. Havia entre nós um nó inteiramente aceso por dentro, onde as línguas mais apuradas já não dizem palavras.
E os gestos criavam outros mundos onde só nós cabíamos, onde só nós éramos quase perfeitos, à espera de o sermos.


j. a. m.
(São Luís do Maranhão -  Br. -  Rascunho Nº 146. 2000-2018)  
série: pequenas sabedorias (Nº78)

Obra integrada na Exposição, a decorrer :
 " o ouro breve das imagens "


(13 jan. - 1 fev.)

- body Dance by kremushka -

15.1.18

por uma unha negra

foto trabalhada. j. a. m. 


















Foi um tempo obscuro, escuro, mesmo negro. Atravessei-o com a juventude espalhada pelo corpo e todos os mundos que podia a encherem-me a alma até às marcas tatuadas à flor da pele.  Por vezes, pensava que enlouquecia e então abrigava-me nas casas do silêncio à espera de segurar o fio tremeluzente da minha voz mais íntima. Outras vezes, saía pelo mundo fora à procura de mais dias & mais noites umas a seguir às outras como primaveras que se devoram com muitas flores vivas a saltarem pela boca, pelos olhos, pelo corpo inteiro esburacado. Conheci gente, pessoas, corpos habitados por alguém, outros nem por isso, cheguei a conhecer os mortos que continuam por aí de um lado para o outro como imagens atrapalhadas adiarem ou a esperarem sei lá o quê. Também, confesso, cheguei a ser tocado por alguns seres raros, que me deram minúsculas estrelas duradoiras, muitas vezes sem eu dar por isso. Ainda hoje as guardo, como símbolos preciosos soltos entre os seixos das minhas margens.
Foi um tempo de procuras, em que passei por pontes & pontes e nem sequer as via, nem o rio que lá ia para o seu mar, nem os lugares de um lado e do outro por onde queimava o meu destino possuído pelas douradas cegueiras das vertigens e por todos os copos dos venenos que tragava. Vi alguns amigos caírem para o interior de uma luz alquímica que nunca mais os largou, foram assim sozinhos para tão longe e nuncanunca mais.

Após muitas paisagens comecei a ver que tudo à minha volta eram imagens que se soltavam de dentro de mim, onde eu não era chamado para o caso, nem propriamente ninguém, mas no fim de contas todos estávamos lá: pessoas, mundo, vida, animais, plantas, pedras e todos os milhares de universos que na verdade existem para quem os vê.
Comecei a olhar mais a luz, a luz claramente acesa, a primeira que vem de dentro das pessoas e de todas as coisas vivas, que afinal é Tudo.
Descobri um centro que não é centro nenhum, apenas me desloco por dentro, despido e nu, de centro em centro, nos mapas circulares da minha idade, amparado pelo tempo que não existe.

Sempre, com o deus presente em mim e à minha volta e o amor íntimo e distante por tudo o que me vai acontecendo




(série: confluências, confidências, algo assim.Rascunho ~ 1988?)



10.1.18

a arte de uma papoila

foto trabalhada. j. a. m. 

nÃo peço brasas emprestadas



 Hoje, deu-me para ir jantar fora para espraiar ver gente à minha volta talvez fazer amigos algo assim diferente. Encaminhei-me para o  restaurante mais próximo dado que estava a chover e os guarda-chuvas não se dão bem comigo & vice-versa e já agora  confesso com o  tempo acabei por aceitar tal facto. c,est la vie. Lá fui entretido com  a noite bem escura e as gotas de água fria que me perseguiram até à meta pretendida na aLtura e quando desemboquei na coisa é que me apercebi que amanhã será feriado e por conseguinte todo o pessoal da zona lhe deu pra ir prá-li coincidências.

Lá me alinhei aprumadamente na fila de espera depois de emprestar o nome ao men de serviço nos apontamentos e pus-me a pasmar com o vái-vém corredio dos empregados por  entre N curvas do pouco espaço e os rostos foragidos de si próprios,  mais um ou outro personagem que sobressaia por 1 ocaso qualquer  e me levava o olhar para aqui e acolá onde acabava por se esfumar (as mesas fartas, as bocas a mastigarem abertamente nos vários planos arranhados das algazarras, os omnipresentes telemóveis pelo meio das batatas fritas & das carnes a fumegarem químicos, o ruido abrupto das 4 pernas das cadeiras juntas quando deslizavam, um prato que foi desta pra melhor forçando à despedida a presença obrigatória de muitos olhares, por aí…..)

e sem dar por isso já estava a ser encaminhado por um empregado conhecido que me levava pela mão imaginei isto assim pois quando fui palhaço num circo ambulante pela província descobri que somos todos seres humanos ou para lá caminhamos nunca será tarde e então aconteci numa mesa com duas cadeiras, onde obviamente só ocupei uma. Aparentemente. Dado que a outra, por debaixo da toalha de plástico com quadrados ainda vermelhos servia-me para apoiar confortavelmente as sapatilhas encharcadas de todo. É Inverno por estas bandas e dei as botas a um pobre diabo que estava a tentar dormir à soleira da minha & também  dele porta da cabana, quem leva o quê quando vamos desta pra melhor?

Por cima da minha cabeça havia uma T.V. e no início estranhei tanta gente a olhar para mim. O meu “eGo” ( o tal meu cão com o seu aspeto cada vez + belo à vista desarmada já vai tendo  1 nomezinho na praça intenacional, após exposição pública desatempada mas oportuna a meu ver qualquer dia chamam-no pra  Hollyood  é o meu último  grande sonho  e eu vou ser o seu curador & ambos vamo-nos safar bem na vidinha e veio-me agora ao de cima isto são tentações ordinárias que acontecem pelos raios dos hábitos mas o Sr. acima referido tinha ficado em casa. Afinidades também sou muito caseiro e até à data lido muito bem comigo próprio tantas vezes sei lá quem  sou.

Dado a algazarra inopinada (em relação ás minhas perspetivas iniciais para quê as perspetivas quando tudo está sempre a mudar como nos anúncios das têVés mas estas nunca chegarão lá?), explico não só pelo feriado já aludido centra-te mas também porque já começou a coisa dos Natais e ele há grupos & mais grupos a juntarem-se para se comemorarem felizmente há males que vêm por bem e quando chegou o empregado com aquele livrinho trés fino que só tem meia-dúzia de folhas habitualmente, mas aqui fica-se pelas duas, eu disparei-lhe logo a solução: ½ dose de açorda de camarão (lá são generosos nisto, já não é a 1ª  vez & até dá pra trazer pra casa)  e o  maduro branco da casa  com o seu conveniente ar de frescura ( é do Douro, bonzinho até à data venham mais turistas), e aguardei pastando o olhar pela multidão de vozes & rostos & gestos & televisões nos 4 cantos do lugar tomara não haver 5  nesta altura do campeonato até ganhavam a animalesca taça da  competição, mas estavam isoladas de todo pareciam as ilhas Berlengas no inverno ou até mais que isso, salvo as devidas distãncias que não são nenhumas.

Felizmente o pedido não demorou a ter resposta, pois já estava a esgotar o cardápio visual & sonoro. Debrucei-me sobre o assunto em questão e isolando-me do mundo à-volta, saboreei o repasto, pois realmente a fome é negra, como dizem os pobres pois os ricos ainda não chegaram lá e com a noite de bréu pelo meio ainda mais, depois havia ali mesmo à minha frente mais 1 camarão rosadinho que nem uma minhota, mais uma concha para desembrulhar mais uma colherada de açorda com orégãos, a faca & o garfo entrecruzando-se num bailado amistoso + uma golada do delicioso néctar  tudo estava a ficar  1 pouco mais claro e comecei a serenar os impetuosos ânimos um tanto ou quanto já exaltados do meu dele estômago que desde manhã cedo não tinha vislumbrado niente.

Fizemos as pazes finalmente nunca é tarde para tal deslumbrante facto, a meu ver.

Mastiguei demoradamente, como é meu hábito não tenho pressas entretido com os minúsculos sabores que advêm de tal esforço pelos vistos compensatório para as papilas gustativas que batiam palmas em uníssono, escortinando agora à-volta aquele mundo parecia-me tudo muito longe. Tinha-me desligado. Aprendi esta pequena arte algures com um mestre budista que me enfiou numa gruta sozinho por um ano e tal. Nem me deu tempo para. Foi numa serra do Tibete (bem perto de um portal ) toda alva de neve e quando saí de lá até voei  ~.~
Bons tempos,,,,, em que entre mim e os anjos apenas havia a diferença no comprimento das asas. Quanto à cor ninguém se sentiu nem mais nem menos assim é que eu gosto & gostos não se discutem.

Depois regressei aos ocidentes made iN  U.E. prá-ki made In U.S.A. prá-li todos  feitos num nó obscuramente  amistoso opiniões pessoais claro e todas as minhas asas foram à vida. 1º fiquei desencantado de todo depois comecei andar macambuzio pelos cantos dos dias depois  surgiu uma depressão horrível e mais depois logo a seguir psiquiatras pírulas um balúrdio de $ nas farmácias [1]. Terra esta de danados, meu irmão. Também de pessoas simples, humildes e humilhadas tantas vezes parece-me só ás vezes sem darem por isso nem me apetece parecer.

Após um delicioso café  (honra lhe seja feita)  e um incendiário bagaço (fabrico caseiro, proibido nas Europas eles lá sabem o que fazem?) lá me dispus a declarar-me à noite sózinho que remédio, regressando a casa entre estrelas muitas e gotas de chuva agora prateadas pela luz descarada que descia da lua belamente cheia.






[1] Onde felizmente me deixam pagar ao fim do mês * quando o patrão me dá (ás vezes sei lá se dá mesmo?) o tal de ordenado mínimo que nem tenho cabeça pra saber a minha Maria é que trata dessas coisas.

*uma das minhas namoradas anda lá metida com a patroa & pronto dá-se com uma mão e recebe-se com a outra.


-.- Rascunho nº 192 . 1757/2018  -.-

5.1.18

O AVISO


estava eu bem sossegado afundado no meu cadeirão anti-stress & enlevado nos meus íntimos sonhos de ser alguém na vida um dia talvez me calhasse a vez, quando a minha vizinha me acordou para fora deste delicioso enlevo criativo, com um frenético toque de campaiiiiinha que, enfim

+ umas frases adiante,

fiquei desarmado com uma revista nas mãos que se tinha perdido por entre as casotas de correio. ( apresentou-se-me em cima de uns sapatos de Salto alto muito bem aprumada até no penteado, cá-pra-mim aquilo foi pretexto, até tem um peito só hoje reparei à males que vêm por bem, mas logo me arrependi de tais lucubrações claramente infrutíferas).
Bom, agradeci o favor  (fui educado assim e assim ficarei o resto da vida para  andar de consciência tranquila  sempre a bem com as regras e  com os outros (1) ) Mas já agora  acrescento obviamente não foi favor nenhum, mas um grandessíssimo corte e por hábito, educação ou qualquer outra razão que neste instante sei lá, abri a dita revista que não tinha muitas folhas mas parecia Grande devido à generosa espessura das folhas, e, e,,, caí logo na pág. 16. O 16 ? Como sou um adepto, entre o mui fervoroso e o semi-fanático das numerologias ninguém é perfeito, peguei no télé pra fazer as contas e Zás, ali estava o tal 7, o número mágico por excelência nesta civilização onde deus me faz andar, e vai daí pus-me logo em pulgas a pensar onde poderia encontrar a tal magia.
Então comecei pelo título da pág.: "desporto, saúde & bem-estar". Saltei logo para o "bem-estar", aberto a tal assunto pois quem anda bem no meio disto tudo ?  mas, ao correr atrás das palavras fiquei simultaneamente intrigado, pois havia Muita matéria junta que transbordava um-não-sei-quê de excesso para encher as medidas de quem tem a intenção sub-reptícia de convencer alguém de algo que só tem haver consigo+próprio, no intuito para mim claríssimo de um lucro sorrateiro qualquer. Mas pronto. Estou habituado a estas circunstãncias e já não me ponho com guerras na cabeça bastam as outras. O lucro será deles com certeza é sempre, mas a cabeça é minha, s.f.f., pelo menos por enquanto como isto anda só Deus sabe.
Vim por ali abaixo, ultrapassei os obstáculos que surgiram e o pior para os olhos era o tipo de letra para não falar da horripilante mancha gráfica, até que me deparei com a palavra "Aviso". E aí, estanquei mesmo definitivamente com todas as minhas forças possíveis e impossíveis quase, levei a coisa mesmo  a peito fiz um momento de inclinação corporal a obrigar-me a uma maior concentração no assunto e pus-me a ler o dito “Aviso” para poder continuar a escrever este artigo de momento, sem qualquer futuro à vista desarmada, pois a vida de um cidadão na mó de baixo neste país é um eterno desarmamento de tudo o que é vida mesmo.
A coisa começou a complicar-se pois  tudo aquilo eram "artigosss" & "maisss" os "dispostosss" os "decretosss-lei" & as "deliberaçõesss" com datasss & tudo ( em letras menores )  maisss os "capítulosss" & os "subcapítulosss",,, Ó minha nossa Sr.ª de kualquer coisa me valha, comecei a ficar farto, farto, enfardado de todo, pois considero-me uma pessoa mini-ma-mente colta, mini-ma-mente inteligente embora não saiba o que isso é, minimamente capaz de ler e entender um mero artigo de uma Revista de Informação Camarária, mas efetivamente não entendia patavina daquilo.
Adiante.

Trocado por miúdos & muito bem espremido o fruto quanto à qualidade estamos  falados, tratava-se  mais precisamente de quê?

De um “Aviso”  para avisar o Povo destas bandas de que foram Avisados que há um prazo de 30 dias "úteis" ( ainda estou para descortinar o que é isso de dias "inúteis”,  já fui às coisas etimológicas & tudo e nada) para se realizar uma "Discussão Pública" acerca de mais uma alteração ao não-sei-quê, que logicamente tem o seu quê de mudança relevante só para alguns & o pessoal até tem de ser informado pelas leis em vigor e essas lérias ditas democráticas d&les.
Agora a questão aqui complicou-se ainda mais, porque na parte final diziam ao Povo que tinham de ir a uma determinada morada para consultarem o tal assunto fundeado no enigmático número 7, e depois quem quisesse Até Podia ! enviar reclamação ou sugestão, nas "horas normais de expediente". Só estas palavras do final da frase, atiraram-me abruptamente para profundíssimos momentos de reflexão acerca deste lado da questão: o que são horas "normais" para eles? Onde param as horas "anormais", que nunca as vislumbrei na minha vida? E qual será o expediente lá do sítio? E no expediente de lá está lá alguém ? ou será a habitual es-pe-ra-des-espera & o habitual culto matricial português do “como-&-cala-te” y hoje em dia o telemóvel é que as paga, para  o gáudio dos habituais está mesmo tudo ligado.

Mas
o que mais me deixou desanimado de todo, confrangedoramente deprimido mesmo comigo próprio ( apesar da medicação ) e com o mundo e até ouso dizer com toda a Humanidade que à priori nem era chamada para o caso, foi o facto de perceber - creio eu - que numa declaração tipo preto no branco acerca de uma DISCUSSÃO PÚBLICA, o pessoal era Afinal convidado, nestes moldes enviesadamente anacrónicos e absurdamente mirabolantes a ENVIAR CARTAS, se quisesse. (
verdade seja dita, não vislumbrei neste textozinho nenhuma insinuação velada ou não, acerca de uma possível punição ao adotar-se uma eventual atitude de abstenção – A pesar da tática dos Medos ser a base  claramente funcional & disfuncional para  os outros no final o contágio já  deu  prá epidemia & não sei onde a coisa vai parar se é que pára vamos andando e logo se tenta).
Enfim, tudo completamente transparente como vidros embaciados em pleno  inverno nórdico e eu vi  lágrimas as escorrerem  escangalhadas. (
Hó! se eu tivesse ido para estes lados….).
E. Pronto.
Continuo a não entender a ponta de um corno acerca do modo de pensar & sentir & agir dos Srs. que nos governam democraticamente eleitos & tudo


e para ver se alguém me poderá ajudar neste momento mui difícil da minha vida, vou surripiar uma garrafa de vinho da parte mais nobre da minha pindérica garrafeirazinha encostada à casota do meu "eGo"(3) e vou ter com a vizinha que me arrancou dos meus elevados enlevos e vou tocar à campainha, muitíssimo ao de leve só um toquezinho de quem está ali desamparado como um toco de vela  moribundo fustigado pela noite, apenas com um pretexto entre as duas mãos e um sorriso naturalmente aparvalhado de quem espreita uma suave e doce vingançazinha.



(1) embora tantas vezes faça das tripas coração, mas educaram-me assim e acho que assim é mais cómodo sempre me disseram não arranjes chatices, cá vou levando a minha cruz até ao dia que Deus me leve pra 1 lugar melhor.

(2)  confesso francamente tou farto de pírulas: logo ao acordar uma  para acordar mesmo de Srojyt (porque p/ dormir tb tomei outro) com o 1º copo de água sem fluor, a informação tá dada, depois 15 m  antes do almoço duas pastilhas de Pletrofil para qualquercoisa do estômago ou por ali; após a sobremesa  outro que  me dá assim uma  alegria difusa & vã  de viver que nem sei explicar e só prácabar ao lanche um outro comprimido cor-de-rosa  muito bonito escorregadio pela goela abaixo e depois as luzes dos dias vão-se embora e continuo a cumprir à risca o que o Sr. Dr. da Caixa mandou, mais tarde na farmácia é que  me levam o couro & o cabelo mas como o papel dos apontamentos anda prá-li numa gaveta da cozinha ou foi o cão? agora  de cor não sei dizer o resto e também ninguém me pagou para pregar este sermão.) 


(3) é o nome do meu cão, batizei-o à nascença numa singela cerimónia num país denominado Butão (ou Reino do Butão) onde possuo e não sou possuido por uma casa de campo que a filha mais nova do rei me ofereceu como prenda de aniversário  ainda há pessoas generosas e nada é por acaso dizem.



( j.a.m. ~ Rascunho nº 236. 1993-2018)

То моє море = "Esse é o meu mar" ( my високий friends: DAKH DAUGHTERS)

29.12.17

-.- o meu problema pessoal com as galinhas -.-



Estava por aqui enlevado sei lá com quê se é que havia tal coisa quando me ocorreu - repentinamente - que afinal tenho uma incerta desavença pacífica é claro, com as galinhas. Assim à 1ª, a coisa não me parece ser grave, mas eu cá nunca tenho a certeza de nada. E já comecei a cacarejar justificações até são uns bichos interessantes, quando estão a comer debicam algo no chão tão rapidamente que nem enxergo o quê e depois atiram as cabecinhas para o céu e estão nestas figuras amiudadas vezes. Nos inícios de tais observações eu olhava - imediatamente! - lá pra cima tentando vislumbrar o que era o alvo de tal curiosidade inopinada, pois eu quando como, habitualmente olho para o que está à frente do meu nariz e deixo os céus para as ocasiões místicas. Prosseguindo os acima já citados cacarejos, também gosto das suas penas, algumas mais, pois vê-se ali a mão da mãe-natureza o deslumbre da luz a desfazer-se em cores. Tive uma amiga artesã, das américas do sul salvo erro, que alimentava uma galinha com o intuito assumido de lhe arrancar apenas uma pena de vez em quando, para os seus colares & aquelas coisinhas que lhe davam o pão para a boca. É verdade! Também havia por lá 1 macaco pendurado nas traves da casa, que eram ramos grossos de uma acácia que lhe entrava por ali dentro para lhe oxigenar gratuitamente o ambiente. Uma vez estávamos eu e ela esparramados lá no seu jardim sem cercas que se prolongava por uma floresta a sério cheia de borboletas estonteadas e belos pássaros a esvoaçarem com as suas cores tudo junto era bom respirar ali e então estávamos nós a fazer o nada e aparece o seu filho, por aí nove anos se tanto e deu-me uma lata de coca-cola transformada em cinzeiro para as cinzas do meu fogo no cigarro que ardia alheado disto tudo. O meu preconceito em relação à coca-cola é assumidamente enorme, mas a Brigite sentiu logo a coisa e explicou-me que era a maneira do menino me dizer que gostava de mim e como não tinha mais nada para brincar, costumava apanhar latas no lixo dos Sr.s lá em baixo na cidade e depois transformava-as no que lhe vinha à cabeça e ao coração e, sinceramente, aquilo era uma piquena obra de arte. Olhei para a criança como quem olha para um Deus e os seus olhos eram luminosos & felizes e eu,,,eu também fiquei feliz e com a voz embarcada num nó cego até às lágrimas que contive. A mãe sentiu tudo como só as mulheres sabem e ofereceu-me um chá que dividimos pelos 3.

Afinal, a bem dizer eu até gosto das galinhas, a maneira como se deslocam com as duas patas indecisas parecem sempre inquietas à toa, mas isso não passa de uma perceção, pois suspeito que só vejo aquilo que sou e aí há que ter uma certa parcimónia nas coisas dos julgamentos, juízos de valor, essas lérias. 

São precisamente 5 h. & tal da noite e ainda estou pr'aqui com as minhas irmãs galinhas, que são muitas no meu quintal, sem medos dado que eu não as papo já faz um tempo que estou sentado à sombra de 1 pinheiro que também habita comigo ali no canto onde lhe deu para estar e dá-me pinhas às vezes uma vez por ano, pinhões que eu amontoo numa tigela azul & branca da dinastia Ming que tenho na cozinha, foi uma namorada chinesa mesmo da China que ma deu, o pai era podre de rico, segundo ela, mas fiquei sempre na dúvida se a peça era realmente verdadeira ou não, mas como não ligo a tais valores, o que me agradou foi a beleza  singular da peça. À superfície na epiderme colorida, o branco & os azuis entrelaçados como fios de cabelos ondulados parecem dançar uma música que julgo escutar às vezes, quando o silêncio à volta se fecha e estou muito dentro. Quando acumulo forças suficientes, pego nos tais pinhões às mãos cheias e quebro-lhes as couraças, um a um atentamente, com uma pedra de estimação que tenho sempre à mão de semear para ocasiões mais determinantes.
 Depois desta ocasional divagação, retorno à cabeça da pescadinha de rabo na boca que agora com o tempo já é uma serpente a morder a cauda que dá veneno, que também pode ser remédio, tantas vezes se dá este caso há quem o diga, e o que eu nesta realidade   pretendia dizer é que elas, as minhas amigas galinhas, têm uma relação íntima visceral com o Sol * que eu naturalmente também mantenho com todo o apreço deste mundo & dos outros, mas também gosto das estrelas e da lua e dos silêncios azuladamente brilhantes quando o são outras vezes nem por isso acontecem estas circunstâncias de 1 gajo estar ~ graças a Deus ~ a respirar mesmo vivo no meio destas montanhas onde o meu patrão sou eu não.


 *As galinhas a que me refiro, são umas felizardas parolas nas aldeias pois em relação às suas irmãs  mortas & amordaçadas de todo (como os irmãos humanos) fechadas em infernos imaginadas por desalmados, onde claramente desconhecem o que é a noite. Foi através do genuíno comportamento das 1ªs que surgiu o ditado popular: “fulano ou sicrano deita-se com as galinhas”. Isto é, o gajo mal o sol se põe já está deitado a dormir, caso não sofra de insónias.


Interessante!  (lembrei-me agora). Nos meus tempos de inteletual deu-me para estudar com muito fervor e muitas pesquisas no terreno, digamos o pano de fundo ontológico destes animais e nunca apanhei uma só galinha acordada ao lado da fileira em que se costumam organizar, mui meticulosamente para meu espanto na altura.



texto: j. a. m. & uma associação cultural de galinhas.

( rascunho nº 187 . versão  preto/branco)

tO my friends

j. a. m.
https://youtu.be/eetjwcRph-w











26.12.17

~ não sei se volto a voltar ~




Há coisas do diabo. Algures no Brasil cheguei a estar no Paraíso. E regressei.  Agora encontrei outro Paraíso. Não sei se volto a voltar.
Começo por um dos lados: o mar sem fundo, no compasso di roncu di mar [1] a chegar claraMente até mim. Depois há coqueiros esguios, altaneiros nas suas tranquilas danças com a aragem muito ao de leve, afinal quem sopra por lá? E há as tamarineiras com os fortes braços erguidos para os céus & os seus frutos curvados doados à espera de quem lá chegue. Palmeiras com as suas folhas dobradas em devoção às 7 portas que iniciam as noites. Balançam-se também aos sons do mar, da lua que começa a ser maior no céu indefinito do meu olhar.
Estou nu, sentado com as patas apoiadas na varanda azulzíssima e tomara eu estar assim tão nu por dentro. Agora vou colher uma cana de açucar aqui do meu quintal e depois talvez vá soprar uma flauta vazia por aí adiante.
Olhando, escutando, aprendendo a ser mais. 
O pássaro que me visita todos os dias, merece agora toda a minha atenção. E ele já está ali, na sua árvore de eleição, misturado com as flores vivas cor-de-laranjas-acesas, pelo meio da folhagem verde escura porque efetivamente já é noite e tudo está demasiado claro para mim.

de: j. a. M. & Victor M.


(Sidády Vêlha. Ilha de Santiago. Cabo Verde. Rascunho.2008/2017)




[1] “nos sons compassados das ondas do mar”. (crioulo do Sotavento)