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| PINTURA. J. A. M. |
6.3.26
Alguém disse já não recordo, foi num campo de batalha
3.3.26
Entre 2 Universos
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| Arte Digital. J. A. M. |
mais frágeis mais invisíveis
apenas dois olhos na luz possível.
Por aqui, neste mundo, à minha volta: 2 universos, apenas.
O Universo do Amor e o Universo do Medo.
Cada um com inúmeras portas e janelas e nomes encobertos
e descobertos por onde se entra e sai e se volta a entrar e a sair.
Diariamente, luminosamente, noturnamente.
O círculo a levantar-se em espiral, ainda a sobrevivência
do macaco nas demonstrações da luz ou
a luz derramada em forma de cruz.
Tudo inscrito, tudo escrito em todos os lados
dentro das cabeças, na água oceânica no interior dos corpos
nas paredes inventadas por fora e por dentro
nas alegrias e na dor.
- De que lado crescem os teus dias?
21.2.26
Interrogações
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| Pintura J. A. M. |
1
o silencioso exercício do Mundo
acontece-me na mais pura beleza
do que parece estar nu.
dos sons e a inutilidade das mãos
quando a intenção desta beleza é estar
à altura do espanto.
dominado pela voz, cantando
o seu exemplo de onda transformada
em espuma.
caminha de soslaio entre as paredes do mundo e
chego à casa da minha existência.
entre tudo o que parece real dentro da casa
ou dessa voz vadia
que canta desamparada e só.
13.2.26
O Olhador
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| Pintura. J. A. M. |
Outros ritmos de tambores celestes invadem os rios interiores
que transbordam.
Barcos incógnitos e luminosos aproximam-se.
São mensagens de outros mundos que nossos mundos são.
Já não ouso decifrar. Porque pensar é estancar a corrente
germinar barragens.
Prefiro abrir as asas metafóricas e de peito aberto e livre
acolher as imagens vindouras que devagar me designam
e me fazem ser o que afinal já era.
Confesso, sou sempre pouco para o que digo.
30.1.26
aproveito-me das palavras para desarrumar o leito dos rios que me percorrem
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| Pintura. J. A. M. |
Regresso ás duas margens: a escuridão e a luz. Os nomes abastados, derivados das noites e dos dias. Há quem os atravesse inventado pela sua natural consciência: hoje uma dor, amanhã uma alegria.
Há uma autoridade instalada neste modo de estar na vida. Uma invenção entronizada como se o tempo que temos, enquanto seres vivos, fosse uma tatuagem com o halo da eternidade. Também há quem acredite em sentenças descobertas em coisas consideradas simples: um sorriso descido, um olhar iluminado, um gesto que se desenha sozinho, um encontro ao acaso, algemas que se soltam.
Nestas paisagens a beleza do Mistério, por onde viajamos, aproxima-nos e afasta-nos de nós. Tornamo-nos íntimos da distância: entre o inferno e o céu há um intervalo por onde o verbo se inicia e expande e tem a intenção de um ofício.
Para cada um as suas margens e o leito do rio convocado através de milhares e milhares de vidas abandonadas com sentido.
19.1.26
Já não me recordo
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| Pintura. J. A. M. |
ou vinda de dentro de mim, mas tudo
estava incandescente
de uma forma natural e o Mundo
tinha um amplo sentido exato
em todas as coisas.
A certa altura, olhei-me de longe
e com o decorrer dos anos aprendi
a esquecer-me de mim.
No entanto, sou cada vez mais
esse vaso de luz
onde a luz me ensina.
11.1.26
A Última Paciência
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| Pintura. J. A. M. |
uma desatenção mais aventurada da vida em nós
para vermos nesses rostos uma dignidade de astros
afastarem as sombras à volta, e ao vermos, recebemos
o centro expansivo de uma voz nos olhos, as fontes
escritas sem letras visíveis. As imagens que temos
de nós próprios desarrumam-se como nuvens
que se afastam e com a distância acabam por perder-se
sei lá por onde. Assim se iniciam os exercícios
marginais no interior dos corpos
as fronteiras saturadas dos dias
as vozes mais íngremes de uma Vida sempre
para além dos nomes.
3.1.26
Mais uma viagem
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| Pintura ( Os 4 pontos cardeais)~J. A. M. |
para o barco amparado pelas águas da Vida
ao lado
as redes rendilhadas e sempre frágeis do mundo.
Como um simples sopro tento apenas ser
o seu alento.
Parece-me que quem assim respira
talvez possa encontrar, encontrar-se, encantar-se.
A Natureza e os Outros serão
sempre a sua medida.
25.12.25
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| Pintura. J. A. M. |
A meio da noite, o silêncio em ângulo ampliado. Enquanto não adormeço, as visões do passado são barcos na memória e nas memórias há sempre elos que se transmutam a cada regresso em que acontecem.
Em cada barco um rosto, um corpo, uma paisagem, um encontro, uma despedida, uma frase que não se apaga, um olhar que persiste e muitas vezes, uma saudade difusa.
Como tudo poderia ter sido tão diferente, mas não foi. Um destino é cumprido como um rio desenhado e adivinhado algures. Eu apenas andei a navegar por dentro de um sonho.
14.12.25
Época de sombras. Época de luzes.
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| Pintura. J. A. M. |
Entre a vida e estes dias sonâmbulos instava-se um esquecido tempo sem
nomes verdadeiros ou com demasiados nomes. Aparências. Muitas notícias em
algazarra. Sinais para as pessoas se ampararem.
Alguns mais desesperados matavam-se. Outros resignavam-se, à espera. A morte,
apesar de sempre presente, disfarçava-se de esquecimento. Andava-se de um lado para
outro em círculos, através de distrações perenes. No fundo, ninguém se via nem
via os outros, porque havia uma doença de sombras. No entanto, alguns vislumbravam
o que parecia ser natural. Falavam destes tempos de mudanças, sem ninguém os
escutar. Acomodavam-se num silêncio de ouro que crescia somente para eles.
Aparentemente. Outros ainda gritavam sem ecos. Aparentemente, pois tudo era um
vasto Mundo cada vez mais ligado neste universo de sombras.
29.11.25
Caleidoscópio
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| Pintura. J. A. M. |
fechada numa curva de sedução.
Aqui há um coração ocupado por milagres.
Um corpo atravessado por uma vida, uma dimensão
acolhida pela eternidade.
No fundo, o ouro como expressão subtil da alma
parece lento no seu fulgor. Demora-se, mora
num brilho mutável.
Silenciosamente aliado à intimidade das estrelas.
É noite e viajo pelo universo contemplando
apenas este minúsculo lugar que criei.
Em tudo, pressinto os sigilosos desafios da Natureza
a sabedoria de uma árvore solitária ali no jardim
florida de pássaros que abrem o dia.
23.11.25
Os Efémeros Segredos
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| Pintura. J. A. M. |
Ressuscitam. Por isso tantas vezes me perco em
silêncios e distâncias enquanto os olhos emigram a sós
nas suas asas.
- Falo-te das luas metafóricas por cima das alturas
dos dias que passam.
de um sol adormecido. E então há um silêncio exaltado
sobre cada cabeça e torna-se mais humano o dom dos
sonhos a língua calada nas imagens circulares do
tempo.
de um vocábulo que não existe uma aproximação a
Deus ameaçada ou inventada pela existência da morte.
Entretanto …”os trabalhos e os dias”.
9.11.25
5.53 h.
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| Pintura. J. A. M. |
Estrelas e
pirilampos algo acontecia no meio da floresta a noite demorada nas suas asas que
soavam altas ou rente aos troncos das árvores no chão também alto do meu olhar.
Desconhecia a sensação. Aprendia devagar pela primeira vez, até então, o sussurro das águas no corpo o reflexo do que é exterior e interior ao mesmo tempo. O que é perene e parece eterno.
O eco que se desvanece quando o olhamos – bem de frente – e já é um outro dom afastado do que julgamos ter encontrado.
Degrau a grau, uma luz desconhecida cresce através de nós.
1.11.25
( QRC em Lenta Reflexão )
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| Pintura. 100X100 cm. J. A. M. |
da luz.
O poder inexorável do Mundo
vem das raízes
do sol.
nos seus fulgores errantes
impelidos para além
de todos os gestos dos mortais.
Todos os tempos da memória
são espasmos próximos à madeira
quando aumenta os anéis
nos troncos das árvores. – Todos
os segredos da Terra
são gerados em silêncio
em geométricas forças moleculares.
toca o centro
e o dia desprende-se
para todos os lados
em luzes aliadas com as sombras.
toda a arte é
transparente. E depois apaga-se
o lugar repentino
que mal se vê
e já não se encontra. Nem
o caos, nem a ordem
ou a lembrança.
26.10.25
de folha em folha
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| Pintura. J. A. M. |
até nós.
Olha à volta agora esquecido de tudo e de súbito vejo-te
como uma frágil papoila a deambular pelos seus íntimos
sonhos coloridos.
Enquanto a minha voz se perde no meio da luz
que me dás.
( in, A Primeira Imagem. Ed. Sol XXI-1998. Transformado)
J. A. M.
17.10.25
eu apenas andei a navegar por dentro de um sonho
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| Pintura. J. A. M. |
Em cada barco um rosto, um corpo, uma paisagem, um encontro, uma despedida, uma frase que não se apaga, um olhar que persiste e muitas vezes, uma saudade difusa.
Como tudo poderia ter sido tão diferente, mas não foi. Um destino é cumprido como um rio desenhado e adivinhado algures. Eu apenas andei a navegar por dentro de um sonho.
29.9.25
Exposição de Pintura
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| CARTAZ. C.M.P. |
Há quem passe, olhe de lado e continue a sua vida. Outros há, que passam, e se detêm por um pormenor mais chamativo.
2 - Claro que todos os lados,
todos os nomes são pretextos e os lugares também. Nascemos e morremos por uma
graça indomável perdida no tempo. Andamos às voltas disto tudo enquanto por
dentro acordam e adormecem as sementes povoadas pelos estranhos frutos de
uma sede sem fim.
3 - Vozes e imagens que cantam a
Vida e o exemplo dos milhares de sóis, mesmo sabendo-se que para outros
olhares, há um abismo memorial nas cabeças uma outra idade outra boca menos
cercada pelos dons dos dias na transformação dos corpos.
( in, A PRIMEIRA IMAGEM.1998. J. A. M.)
19.9.25
Só mais 1 copo
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| Pintura. J. A. M. |
Mais 1 copo, s.f.f.
E o copo alumia-se tingido de sangue. Pensei: eu sou aquele que semeei videiras pelos campos. Também pensei: sou aquele que não aguardo a colheita nem mesmo a visão das uvas sob os raios de sol que as amadurece.
Mais 1 copo, se faz o favor.
Olho pela janela. Ao longe as nuvens sob a lua C.C. parecem dançar comigo. Cresce um intervalo prolongado.
Há que ser respeitoso com quem nos serve.
E o Sr. António desceu as escadas para a adega e mais uma vez regressou sob a luz frouxa do lugar e com toda a integridade do acto, deixou escorrer o vinho tinto para o copo aberto e solitário.
Depois foi. Ainda vi a sua silhueta estampada na obscuridade da luz na parede. Logo debrucei-me para a mesa e a mão levantou-se e desceu para o copo.
Por algo que tem haver com associações, lembrei-me da humanidade no geral e em particular, mas tais deambulações não me levaram longe. A humanidade é sempre algo longínquo. As pessoas, não. Olhei à volta. Seres humanos solitários como eu, ocupavam os lugares vazios do tasco. Alguns falavam, outros escutavam, outros ainda pareciam ter-se ausentado dos seus corpos. Senti como todos tínhamos um destino avulso que se estava a cumprir. Um destino, entre as luzes e as sombras, encontros e desencontros, amores, paixões, traições, arrependimentos, louvores, êxtases e os caminhos por montanhas e vales que acontecem a todos.
Foi preciso atravessar fronteiras, esquecer os mapas, sentir e seguir o fluxo verdadeiro dos territórios que não nos esquecem. Por fim, ser humilde como as plantas, as flores, os meus gatos, caminhar por onde as luzes me conduzem.
Entretanto o copo tinha perdido a sua alma, apenas um fundo escuro onde as poucas luzes do lugar ainda existiam.
Só mais um copo, por favor.
30.8.25
( Aos Amigos )
| Pintura. J. A. M. |
Hoje estive com 1 amigo.
Os amigos aproximam-nos de nós.
Os amigos são metafóricas estrelas
onde a nossa luz se expande.
Os amigos, depois de séculos de ausência
continuam a ser os mesmos
amigos.
dividida que cai para dentro
e cada um leva essa luz para a sua casa
abrindo a noite a um sorriso que permanece
e com o qual amanhece
sem se lembrar.
11.8.25
Recordação à tona
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| Pintura. J. A. M. |
Já nem lembro o teu rosto, nem teu corpo, apenas as cinzas
Onde um fogo ainda arde e um calor vindo de longe
Que se expande, que se propaga.
2.8.25
Já fui ao Paraíso
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| Pintura. J. A. M. |
E voltei.
Estava já quase acordado no meu quarto do Hotel Europa, quando a Ana e a Joyce abriram a porta em leque cheias de sorrisos floridos e me convidaram para dar um passeio pelas franjas de Gaibu. Lá me levantei um tanto ou quanto aturdido pelas caipirinhas da noitada anterior, mas depois de beber o coco fresco que me atiraram de chofre fiquei logo fino, vesti a t-shirt e os calções de sempre e lá fomos, que nem 1 trio harmonia pelo dia adiante.
Passámos pelas ruínas do Forte São Francisco Xavier, eram pedras amontoadas por ali pelas leis do acaso e com alguma parcimónia sobrava a placa, livrei-me das alpercatas(1) na linda praia de Calhetas, onde vi ondas debruçadas sobre a própria espuma fresca nos meus pés, depois de serem verde-esmeralda e azul-turquesa, e também vi uma foto do jovem Eusébio no bar lá do sítio, ao lado de N ilustres que por ali tinham po(u)sado algures, ao longo dos seus destinos.
Depois continuámos a caminhar por entre árvores (2), plantas e flores de muitas cores e aromas vários, até que a incerta altura num morro inesperado e cheio de um céu azulmuitoazul, vi uma tabuleta tosca de madeira com a palavra: “PARAÍSO”.
As minhas companheiras apanharam o meu ar aparvalhado e eu apanhei-as a sorrirem apenas cúmplices.
Sentámo-nos a olhar e a escutar o mundo à volta através daquele ponto de vista, dentro do ponto de vista de cada um e os três juntos com as 6 vistas desarmadas, despidas, deliradas.
Já não sei, e pouco me importa, o tempo (o tempo?...) que poisámos ali, a respirar aquele lugar tão belo e simples irrealmente em tudo. Lembro-me vagamente que as palavras eram coisas a mais e a ninguém lhe passou pela cabeça falar de tal assunto.
Quando regressámos a Gaibu, numa camioneta que ainda circulava, já lá estava instalada uma noite claramente aberta à nossa festa.
(1) Sandálias de couro.)
11.7.25
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| Pintura. J. A. M. |
O eco que se desvanece quando o olhamos – bem de frente – e já é um outro dom afastado do que julgamos ter encontrado.
Degrau a grau, uma luz desconhecida cresce através de nós.
13.6.25
O Sopro
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| Pintura. J. A. M. |
Há uma ciência minuciosa por dentro. Dentro
das grutas de carne acordada, dentro das ondas contra
as impávidas rochas dos hábitos, dentro da espuma
luminosa ou sombria.
Novas ciências aproximam-se.
a pouca flamância das estrelas.
Fechadas as portas do sono, alguém escreve
enquanto não acorda do sonho
que o embala na vida.
4.6.25
estranha sensação a distância
| Pintura. J. A. M. |
Bate-me à porta a noite
o silencioso exercício do Mundo
acontece-me na mais pura beleza
do que parece estar nu.
dos sons e a inutilidade das mãos
quando a intenção desta beleza é estar
à altura do espanto.
dominado pela voz, cantando
o seu exemplo de onda transformada
em espuma.
28.5.25
1º Encontro
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| Pintura. J. A. M. |
Era um lugar que, mal entrámos, se tornou ausente. Entretanto, tecemos um espaço e um tempo, coroados por quatro olhos uma ponte comunicante, sobre algo circular o tampo de mármore da mesa onde as palavras caiam redondas, finitas e havia miríadas de estrelas a rebentarem no desamparo das mãos quando se tocavam.
As gaivotas vinham açoitadas pelo mar agora sem peixes nem pescadores e abriam lá fora os espaços altos à procura. Eram sombras nos intervalos apanhadas pelos acasos, quando olhava de soslaio pelas vidraças húmidas do café. Enquanto ambos permanecíamos num fogo amornecido que insistia em não acordar. Era o 1º encontro.
À-volta havia os outros, longínquas sombras, e em poucos minutos nem sombras já aconteciam. Estávamos fechados em nós alegremente sós. Por dentro senti metafóricos desejos de serem mais, algo que só na altura sabia, cresciam para cima e para baixo como nas árvores a seiva, nas galáxias a luz. Ela delongava-se em silêncios num jardim, para mim, sem nomes.
Agora vejo como fui vago na travessia desse encontro. As luzes dos teus olhos bebiam a minha sede. E, era uma sede viajada para dentro, ensaiada pelas tímidas danças do silêncio. Por onde perscrutava os teus segredos aguardando vislumbrar o fino ouro do teu mistério.
20.5.25
Mais 1 Dia
| Pintura. J. A. M. |
ainda é demasiado grande ao entrar
no meu olhar. Tudo parece grande
neste meu estar.
Uns restos de barulho, algumas sombras
a mais entre as palavras e lembro
os rostos apressados, as tiranias do vazio
quase tão oco por dentro e por fora
como algo sem qualquer vida.
São assim estes dias com as mãos cheias
de projetos & objetos, enquanto o corpo
desenha por dentro o seu mapa sobrevivente
e por aí vai ancorando
deambulando
e reclamando
o seu lugar ao sol e à sombra
precisamente a meio, sempre à beira
de um destino maior.
18.5.25
nada do que é fruto acontece sozinho
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| Pintura. J. A. M. |
naturalmente aberta à escuridão
e nos 2 olhos cintila
o véu do instante, a aparência maior
do que é superfície e aí se afoga
pois na multidão dos dias a vida
tornou-se mecânica.
Vejo em
todos os gestos uma luz amparada
pelo silêncio que aspiro
o lugar onde qualquer semente pensa
sonhando com tudo
pois nada do que é fruto
acontece sozinho.
(J. A. M.)
17.5.25
Santo Antão, a ilha dos andarilhos
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| Pintura. J. A. M. |
Ficou um sorriso cúmplice matriculado no ar, algo de belo neste mundo, a que regresso algumas vezes pelos imperiosos acasos da memória ou os outros casos que não sei. E saí para o sol que logo me abençoou num aconchego entre nós tão íntimo, tão normal, que me senti humildemente feliz pensando com os meus botões, neste caso de rosas que brotaram de repente à frente dos meus olhos deslumbrados.
Desembarquei com aquele maralhal todos muito coloridos por todos os lados, à espera havia outros aromas atlânticos que me acompanharam até ao “café Mindelo” onde troquei algumas frases com uns amigos acerca de algo que talvez fosse relevante na altura. Para variar, fui jantar à esplanada do Grande Hotel, bem acompanhado pelo bulício redondo da Praça Nova e, por fim, abri-me à noite mindelense e fiquei com a impressão que fui engolido pela mesma francamente já não me lembro de + nada
---------------------------------------------------------------------------------------------
(Manuel Lopes, escritor.)
(2) "Pensa-se que o jogo terá sido inventado pelos egípcios que depois o levaram para a Ásia e Filipinas. Mais tarde, chega à África Negra, e região do Sahara. Por volta do século XV ou XVI, os escravos terão levado o úril da África para a América, mas atualmente apenas há registo de que se pratica nas Antilhas”, explica Albertino Graça, praticante de úril e autor do livro “Jogo de Uril: Regras, Estratégia e Teoria” (Edição da ONDS - Organização Nacional da Diáspora Solidária, Mindelo).
(J. A. M. ~ Ilha
de Santo Antão. Cabo Verde)
15.5.25
entre 2 Universos
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| O JOGO. Pintura: J. A. M. |
mais frágeis mais invisíveis
apenas dois olhos na luz possível.
Por aqui, neste mundo, à minha volta: 2 universos, apenas.
O Universo do Amor e o Universo do Medo.
Cada um com inúmeras portas e janelas e nomes encobertos
e descobertos por onde se entra e sai e se volta a entrar e a sair.
Diariamente, luminosamente, noturnamente.
O círculo a levantar-se em espiral, ainda a sobrevivência
Tudo inscrito, tudo escrito em todos os lados
dentro das cabeças, na água oceânica no interior dos corpos
nas paredes inventadas por fora e por dentro
nas alegrias e na dor.
- De que lado cresces nos teus dias?



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