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14.11.18

Mercado de Sucupira ( C.V.)



7 horas e tal, as mãos cheias de moscas,  várias sacudidelas às vezes,,, i
uma delas está a poisar AGORA!...Zás !...apanhei-te….
e depois olho e não vejo nada

e então, no interior de uma antiga camioneta transformada em restaurante, depois de ter aviado uma cachupa num prato de lata redOndo mesmo, estou numa mesa à porta da dita a colher imagens da gente que vende coisas, que compra algumas dessas coisas e da gente que passa de um lado para o outro abrindo naturalmente o ar que as ampara.
No geral “ a coisa está preta”. Depois, levanta-se nas cores das roupas. Dá-me a impressão, ainda sujeita a posterior confirmação, que o vermelho é o eleito. Impõe-se só por si, a seguir há os amarelos e os verdes em N tons. O verde-alface é bem considerado por aqui. O branco, obviamente.
Uma jovem mulher expõe com 1 só braço suspenso exactamente uma garrafa grande de água gelada e espera alguém que a leve. Tem uma bunda maravilhosa e sei lá por que é que olhei para este caso.
Alguém transporta carne de um animal já muito morto numa bacia de plástico cor-de-rosa em cima da cabeça, mas o que eu vejo com estes 2 olhos que a terra há-de comer, é uma chusma de moscas tresloucadas com o manjar. Irão pesar as moscas também aquando do negócio ou serão o brinde, com certeza.
Lá ao longe o céu está assim-assim-escurecido, sei lá o que vai ser por aki nunca se sabe & já transpiro bastante ponho-me nu, da cintura até á cabeça exponho o peito a alma tudo.
Passa mesmo à frente do meu nariz, uma menina toda sirigaita retocando os cabelos com uma mão distraída e a treinar o gingar das ancas que ainda se estão abrir às sementes que um dia virão, e lá vai ela muito compenetrada no seu papel de ser gente também, à espera de ser amada quando acontecer e será para breve, suspeito.
Ali vai um gajo todo inclinado para o rádio na mão esquerda junto ao ouvido do mesmo lado e é música que não tenho tempo de saber, mas com aquele ar tão feliz é boa de certeza.
Ainda
as eternas mangas as bananas ao lado juntas ao quilo, tudo ordenado segundo 1 critério colorido e  a evidente & dura realidade da sobrevivência. São as mulheres, sempre rodeadas de bandos de filhos que erguem toda esta trabalheira. Cumprem-na devotadas e depois ao fim do dia, no silêncio pesado da noite instalada, desenlaçam-se, encostam ao de leve a cabeça a uma esperança que nunca vislumbrei e ficam assim desimportadas até que o sono as recolha.
O papel dos homens por estes lados, parece-me que é atirarem-se a elas esporradicamente e depois basam logo na primeira curva de encontro às luzinhas do grogue, ou desenrascam mais um poiso temporário algures numa outra ilha, por onde vão cumprindo os seus ancestrais ofícios de marinheiros vagabundos.
E são as mulheres as raízes destas 10 ou dez mil ilhas.
O resto é mar, mar e mais mar
e depois ainda

o    m r
 
 
(J. A. M. ~ Cabo Verde. Ilha de Santiago. Praia – 2008. 

Rascunho Nº 323

10.11.18

Título: " Mundos Quânticos "

Técnica: tinta da china e acrílico s/ papel canson. 100X100 cm. 2017 . Obra de : J. A. M.

























"Os padrões internacionais que definem o quilograma e outras grandezas vão mudar na próxima semana, quando a entidade internacional de metrologia votar a adoção de fórmulas da física quântica para determinar quanto valem.
O Comité Internacional de Pesos e Medidas (CIPM), numa decisão que será votada por representantes de 60 países reunidos a partir de terça-feira no Palácio de Congressos de Versailles, passará a usar uma fórmula conhecida como Constante de Planck, avançada em 1900 pelo físico teórico alemão Max Planck, prémio Nobel da Física em 1918.(...)"
( in, JN-10-11-2018)

7.11.18

( 5ª postagem de Sir aLgood )

trabalho : j. a. m.
( Eu não sei  ficar em silêncio quando o meu coração está a falar )


"I don’t know how to be silent when my heart is speaking."
Fyodor Dostoyevsky, "White Nights and Other Stories", 1848 )

3.11.18

As Virtudes do sOl

 J. A. M. ~ 2017 

~ encontros do acaso ~





Os lençóis negros da noite desciam, tombavam, adormeciam colados uns aos outros, como as folhas das carnaubeiras [1] juntas secas no chão.
Depois de várias voltas por N ruas obscuras da cidade pareceu-me que era por aquelas bandas que a festa começava a fervilhar. Num passeio de uma rua desamparada, encontrei um banco à minha espera e pedi mesmo ali à Sr.ª da roulotte uma cerveja bem gelada.   Recostei-me, costas com parede e vice-versa, e pus-me a pastar vacarosamente  o olhar à volta:  havia de tudo o que era gente, jovens em grupos soltos e felizmente assim, pessoas solitárias, alguns com ar de quem procura desinspiradamente libertarem-se daquilo, outros já mais ancorados nas suas derradeiras sortes, havia casais apaixonados que nem pássaros azurumbados havia também mulheres de todas as cores e as mais belas prendiam-me o olhar por mais tempo, e logo depois, desapareciam pelas portas dos vários bares de onde se soltavam canções às molhadas e, de quando em quando, tudo aquilo fundia-se no fundo mais profundo do meu ser e dava-me sede para mais uma cerveja. 


A incerta altura, uma menina sozinha por fora e por dentro aproximou-se de mim, de cerveja na mão e sentou-se a meu lado. Depois continuou calada, ancorada e eu também não de cerveja na mão. Encostou a sua tristeza desarmada no meu ombro abrigada e eu comecei a cantar. As minhas canções eram peixes criados ali, para o seu mar. E sem darmos por isso, pousámos os olhos nos olhos & começámos a beijar-nos. Já o seu fundo sereno tinha um outro olhar. E uma paixão qualquer aconteceu naquele lugar.


Claro que o dia nasceu sem nos avisar.



 (Jacaúna. Estado do Ceará. Brasil) 

Rascunho Nº 288.



[1] Variedade de palmeira, com caraterísticas singulares, também conhecida pelo povo como a “árvore da vida” e considerada o símbolo do Estado do Ceará.

31.10.18

selfie em Cuba

homenagem à "Palmeira Imperial". Habana ~ 2018
















 (a meu pai)

Nasci a 13 de Maio, a uma sexta-feira, e o meu pai partiu para outro mundo num dia 14 de Maio. Tenho a impressão, que apesar de moribundo, aguentou aquilo para, mais uma vez, não me fazer qualquer desfeita. O meu pai era assim: sensível às pessoas e muito atento ao seu filho. Também lhe agradeço este último gesto a selar toda uma vida de dedicação e amor, como pai, amigo e ser humano.
Ontem, ás tantas da noite, quando me bateram à porta tão tarde, fiquei um pouco interrogado. Ia de braço em riste para o puxador, quando vejo o meu pai já dentro de casa, com o seu ar circunspecto e um sorriso levemente matreiro de quem vê alguém com uma cara de espanto sem solução á vista.” Então Gé, como vai isso?” Falou-me no mesmo tom e com as mesmas palavras que ouvi N vezes, como quem pergunta:” Então filho, como vai essa Vida”.” Tá indo bem” disse-lhe enquanto o olhava nos olhos para confirmar o que dissera. Lembrei-me que muitas vezes, quando ele estava deste lado, eu nem sempre era mesmo sincero, embora a resposta fosse sempre igual. Mais tarde percebia que não o tinha convencido. Conhecia-me de ginjeira.
Entre, sente-se ali no sofá. Toma alguma coisa?”.
“Não, bem-hajas, agora não preciso de tomar nada, mas vamos lá até ao sofá”. Sentámo-nos lado a lado, enquanto eu o olhava de soslaio verificando que continuava com os seus gestos pousados a reflectirem um sossego interior muito raro, nos dias que correm. A conversa facilmente desembocou, como não poderia deixar de ser, para os lados da Vida e da Morte. Demorámo-nos entre frases, sorrisos e jeitos só nossos de falar das coisas que só as palavras permitem. Depois, quando o dia já se começava a misturar na sala e a realidade daquilo tudo parecia demasiado e também já sentíamos ter esgotado o que nos ia na alma, o meu pai, pôs-me uma mão no ombro e levantou-se com um ar vagamente satisfeito, “pareces cansado, não estás a precisar de ir dormir?”. “É, acho que sim”, e levantei-me também dando-lhe uma palmada afectuosa nas costas. Dirigi-me para a porta e quando me voltei para nos despedirmos mesmo, eu estava ali sozinho.


(28.29-05-2006)

30.10.18

Olhando para o " Monte Cara " ( Cabo Verde)



os ramos das palmeiras ao sabor da leve brisa
e os seus sons frescos encaminham-me para o mar
onde vejo um pensativo rosto de pedra
e já não estou só.

feliz escureço, o olhar à procura
da lua, esse vaso de luz
onde uma das 4 luas agora se deita
e então eu sou, a sombra pousada
dessa luz alheada.




(Cabo Verde. Ilha de São Vivente. Mindelo.2005)


25.10.18

(série): DIÁSPORAS AO DEUS~DARÁ

( Cidade Velha. Ilha de Santiago. Cabo Verde. Foto: j. a. m.)

~ Não Sei se Volto ~

Algures no Brasil cheguei a estar no Paraíso. E regressei.  Agora encontrei outro Paraíso. Não sei se volto a voltar.
Começo por um dos lados: o mar sem fundo, no compasso di roncu di mar [1] a chegar claraMente até mim. Depois há coqueiros esguios, altaneiros nas suas tranquilas danças com a aragem muito ao de leve, afinal quem sopra por lá? E há as tamarineiras com os fortes braços erguidos para os céus & os seus frutos tombados doados à espera de quem lá chegue. Palmeiras com as suas folhas dobradas em devoção às 7 portas que iniciam as noites. Balançam-se também aos sons do mar, da lua que começa a ser maior no céu indefinito do meu olhar.
Estou nu, sentado com os pés apoiados na varanda azulzíssima e tomara eu estar assim tão nu por dentro. Agora vou colher uma cana de açúcar aqui do meu quintal e depois talvez vá soprá-la numa flauta vazia por aí adiante.


O pássaro que me visita todos os dias, merece agora toda a minha atenção. E ele já está ali, na sua árvore de eleição, misturado com as flores vivas cor-de-laranjas-acesas, pelo meio da folhagem verde escura porque efetivamente já é noite e tudo está demasiado claro para mim.

raskunho Nº216.

(Sidády Vêlha. Ilha de Santiago. Cabo Verde.)


[1]  “nos sons compassados das ondas do mar”. (crioulo do Sotavento). 

17.10.18

~ um barco dançava na luz ~

azulejos em Póvoa do Varzim. Foto : j. a. m. 
























hoje peguei numa das minhas naves do séc. XVI, coisa antiga para variar, meti-me ao caminho para Norte e vim parar à Povoa do Varzim, mais precisamente em  A Ver-O-Mar.
(Tem muito a ver com os pescadores e  eu soube há uns bons tempos que na anterior reencarnação fui um deles e morri no mar. Já agora, numa outra reencarnação anterior, morri no deserto.) 

O mar vivo & aceso com 1 sol por cima, logicamente, que até mete inveja, está a meu lado como um companheiro para a minha solidão, prazenteira aliás. ( Quando é que eles acordam? )
Nesta esplanada onde as ondas se debruçam nos seus sons em cascatas muito agradáveis para os ouvidos & os olhos e a bem dizer, para o corpo todo.
Um barco de velas no alto mar, parece transparente, atravessa agora a luz espelhada na água pelo rei sOl e parece desaparecer por momentos. Até nas imensas águas deste mundo ele se espalha deleitado. Como é tão belo saber esta luz por dentro e por fora o reflexo direto e verídico do que funciona assim. As leis da Natureza em Tudo se demonstram.
A Maria, empregada de Pernambucoestou cá há duas semanas que me serve as estrellas (1), tem um ar graciosamente sensível, ondula a sua maravilhosa bunda por entre as mesas & a simpatia dos clientes que surgem como cogumelos neste fim de tarde e ainda à pouco se lembrou de me trazer a caixa vermelha dos guardanapos de papel, que simpatia de menina. ( É tão fácil dispor bem um outro ser humano, com um simples gesto de atenção, não é? ) Alguns destes amigos vêm do trabalho e falam alto entre eles, como se tivessem muitas coisas adiadas para dizerem. Outros mais cansados aparentemente, agarram-se com afinco aos telemóveis e vice-versa & também ficam presos a uma atenção  tão demorada que me deixa derrotado, mas logo recupero.

O copo amarelo pela cerveja, os tremoços tb amarelos, ambos juntos bem equilibrados em cima do corrimão branco da varanda com minúsculos espelhos, onde os azuis do mar se refletem e  parecem eternos.  E a sinfonia dos maravilhosos sons das ondas d´encontro aos meus 2 ou 200 ouvidos expectantes. Como é tão bom estar vivo. E o tal barco, feito de nevoeiro e magia voltou ao início, desliza agora outra vez no mesmo caminho outro.
- Maria, já reparou naquele barco além?
- Desculpe, sr., mas não vejo barco algum.

Entretanto: o jantar, algo comestível com um “Cabriz”(2) tinto que foi a empregada de avental  preto que sugeriu ( a Maria basou, nem gorjeta levou), mas quanto ao prego a parte da carne nem se via praticamente que o digam os talheres. Como só consumo cadáveres raramente, não houve problema de maior, embora tenha assinalado a “gravidade do lapso” ao empregado que  fez a fita de se mostrar servil, nem era preciso tanto pensei eu para com os meus botões, depois de um sorriso q.b. compreensivo & implicitamente altaneiro de cliente de fora, para concordar com o teatro.

Entretanto o ar escureceu de todo, nem horizonte, nem gaivotas, apenas umas luzinhas dispersas são barcos de pesca nesta zona ainda são possíveis embarcações pequenas onde meia-dúzia de pescadores salvam muitas vidas nos pratos dos restaurantes à beira-mar plantados à espera dos lucros, obviamente, venham os turistas, por aqui ainda há peixe fresco, serviços baratos, aproveitem  que 1 dia destes nunca se sabe, até quando será?

Distraí-me a olhar o mar, um barco na luz, e eis-me então agora no laço final: café curto &  Jack Daniel`s, com uma pedra. De gelo, feito com água da Serra da Estrela, gosto de saber estas coisas.
Antes de me ter despedido do local, ainda olho + uma vez para o tal barco, parecia parado antes de o fixar, o barco e a sua viajem, agora tudo é luminoso e entre este e as águas que o transportam não  há intervalo que se vislumbre tudo é uníssono e caminha através de um tempo novo para os hábitos que aconteciam. As novidades aproximam-se já estão neste Mundo tudo começa a ser um outro modo de respirar, de estar aceso & vivo: frequência e ritmo, uns estão outros não.
Aos poucos, todos ou quase todos verão o brilho de que são feitos há novas luzes que estão a entrar. Estejam abertos e em paz pois falo-vos com as duas mãos nuas e um coração dourado. Privilégios de quem sabe apenas ( e já é tanto!) ser um meio para que as águas luminosas se espalhem, ninguém é uma ilha, ninguém é  perfeito. Todos procuramos amor & aceitação. “Fortalecer e Crescer, apoiar e capacitar”. Eis um lema, um contrato diria aceitável, nos dias que correm. 

- andas a correr? onde queres chegar?



(1) cerveja da Galicia ( Espanha).
(2) vinho da zona do Dão, Portugal.

Nota: Existem hiperligações. Como em muitos textos anteriores.

 Rascunho Nº15
 Out. 2018



TempoS de Sinais

Técnica: caneta rotring e acrílico s/ papel canson. 2016. Autor: J. A. M. 

Raul Seixas ( Trem das sete )

16.10.18

) diarístico (



são janelas minúsculas que se abrem.
Há visões que aparecem e desaparecem. 
Há muitas noites nos dias & muitas 
noites também. Há uma cabeça cheia
para esvaziar.
Há a presença na ausência, a presença
que se quer presente.
Há que retomar sempre ao tal centro.
A luz emanante, múltipla, a única.


( já há luz no pântano acordado)


09-2018


Corações ao Alto. 2017. J. A. M. 


15.10.18

há gente que manda na Gente só para se sentir gente

trabalho artístico: j. a. m. 


















há "gente" que manda na gente, só para se sentir gente. Eu, cá para mim, não gosto  nada dessa "gente". Prefiro, de longe, a gente que gosta da gente, sem lhe apetecer mandar na gente. Pois, essa "gente", que só gosta de mandar em toda a outra gente para se julgar gente, cá para mim, não são propriamente gente, mesmo. Porque se essa "gente" fosse realmente gente, entendia claramente, que não é necessário haver gente-por-cima & gente-por-baixo, dado que - por exemplo -  toda a gente nasce despida e toda a gente vai desta para melhor, vestida por outra gente, quer o queira quer não.

Mas, porque é que essa "gente" que continua a mandar em toda a outra gente, não começa por mandar neles próprios, para se tornarem verdadeiramente gente? Essa "gente" é mentecapta, muito inteligentes sem dúvida mas com a inteligência ao serviço da estupidez, têm a lucidez do tamanho da astúcia,  são inequivocamente infelizes, intranquilos, sem  paz por dentro, escuros, desalmados até, medrosos e merdosos até à insanidade, mas que culpa nós temos disso?
Gente, gentinha, seus velhacos,  deste & daquele ramo dessa árvore putrefacta, crentes disto & daquilo, governantes grandes & governantezinhos pequenininhos, lá vê a gente aquela outra “gente” a continuar a mandar para nos ludibriar, escravizar, espezinhar, ignorar  & roubar a toda a minha nossa gente.

Claro que também há gente que se deixa levar  assim, por essa "gente" seguem-nos cegamente que nem sombras indignas das vidas que Deus lhes emprestou & então só é gente assim-assim,  entre os muitos lados das gentes.
Nesta coisa de haver gentes, "ser ou não ser é“  a questão é mesmo : “estar ou não estar, " pois cá pra mim nunca há meias-gentes, propriamente dito, amigos atinem caiam em si.




( rascunho Nº 367. 1974) 



12.10.18

( 4ª postagem de: Sir aLgood )

Com base em trabalho, intitulado " A Escada de Jacob " ( 1984 ) de J. A. M.
~~~

Uma pessoa desconectada em relação aos seus sentimentos e emoções é uma pessoa "orientada para e pela cabeça". Estar separado de seus sentimentos  pode ser benéfico em situações pontuais que exigem objetividade e análise lógica. No entanto, a desvantagem pode ser uma sensação de “sentir-se uma ilha” em relação aos outros e ao Mundo, incapacidade de aproveitar Bem a vida & ficar perdido em círculos fechados dentro da sua cabeça, pois já reparou que por lá não há luz alguma?

Fever Ray -.- Keep The Streets Empty For Me (with Steve Cutts illustrations)

11.10.18

-.- O Aviso -.-


estava eu bem sossegado afundado no meu cadeirão anti-stress após mais 1 dia de trabalho como escravo (à aLturas em que até  sou consciente) & profundamente enlevado nos meus íntimos sonhos de ser alguém na vida um dia talvez me calhasse a vez (também à alturas que ouso estas veleidades) quando a minha vizinha me acordou para fora deste delicioso enlevo criativo, com um frenético toque de campaiiiiinha que, enfim


+ umas frases adiante

fiquei desarmado com uma revista nas mãos que se tinha perdido por entre as múltiplas caixas de correio. ( apresentou-se-me em cima de uns sapatos de Salto alto muito bem aprumada até no penteado, cá-pra-mim aquilo foi pretexto, até tem um peito jeitoso só hoje é que reparei há males que vêm por bem, pensei, mas logo me arrependi de tais lucubrações claramente infrutíferas no momento, por uma decisão pessoal, confesso, embora ainda hoje desconheça o que levou a tal).

Bom, agradeci o favor  (fui educado assim e assim ficarei o resto da vida para  andar de consciência tranquila  sempre a bem com as regras e  com os outros (1) ) Mas já agora  acrescento obviamente que não foi favor nenhum, mas um grandessíssimo corte e por hábito, educação ou qualquer outra razão que não sei, abri a dita revista que não tinha muitas folhas mas parecia Grande devido à generosa espessura das folhas, e, e,,, caí logo na pág. 16. O 16 ? Como sou um adepto, entre o mui fervoroso e o semi-fanático das numerologias ninguém é perfeito, peguei no télé pra fazer as contas e Zás ! ali estava o tal 7, o número mágico por excelência nesta civilização onde deus me faz andar ou penar ( que mal eu lhe terei feito?), e vai daí pus-me logo em pulgas a pensar onde poderia encontrar a tal magia.
Então comecei pelo título da pág.: "desporto, saúde & bem-estar". Saltei logo para o "bem-estar", aberto a tal assunto e a prováveis soluções, pois quem anda bem no meio disto tudo ?  mas, ao correr atrás das palavras fiquei simultaneamente intrigado, pois havia Muita matéria junta que transbordava um-não-sei-quê de excesso para encher as medidas de quem tem a intenção sub-reptícia de convencer alguém de algo que só tem haver consigo próprio, no intuito para mim claríssimo de um lucro sorrateiro qualquer. Mas pronto. Estou habituado a estas circunstancias e já não me ponho com guerras na cabeça bastam-me as outras. O lucro será deles com certeza é sempre, mas a cabeça é minha, s.f.f., pelo menos por enquanto como isto anda só Deus sabe, algures no estrangeiro ouvi dizer que há tecnologias de lavagens cerebrais que não lembram ao diabo.

Vim por ali abaixo, ultrapassei os obstáculos que surgiram e o pior para a vista era o tipo de letra para não falar da horripilante mancha gráfica, até que me deparei com a palavra "Aviso". E aí, estanquei mesmo definitivamente com todas as minhas forças possíveis e impossíveis praticamente, levei a coisa mesmo  a peito fiz um momento de inclinação corporal a obrigar-me a uma maior concentração no assunto e pus-me a ler o dito “Aviso” para poder continuar a escrever este artigo de momento, sem qualquer futuro à vista desarmada, pois a vida de um cidadão na mó de baixo neste país é um eterno desarmamento de tudo o que é vida mesmo.
A coisa começou a complicar-se pois  tudo aquilo eram "artigosss" & "sub-artigosss" os "dispostosss" os "decretosss-lei" & as "deliberaçõesss" com datasss & tudo ( em letras menores )  mais os "capítulosss" & os "sub-capítulosss",,, Ó minha nossa Sr.ª de kualquer coisa me valha, comecei a ficar farto, farto, enfardado de todo, pois considero-me uma pessoa minimamente colta, minimamente inteligente embora não saiba o que isso é, minimamente capaz de ler e entender um mero artigo de uma Revista de Informação Camarária, mas efetivamente não estava a entender patavina daquilo.
Adiante.


Trocado por miúdos & muito bem espremido o fruto em causa, quanto à qualidade estamos  falados, mas tratava-se  mais precisamente de quê?
De um “Aviso”  para avisar o Povo destas bandas de que foram Avisados que há um prazo de 30 dias "úteis" ( ainda estou para descortinar o que é isso de dias "inúteis”,  já fui às coisas etimológicas & tudo e nada) para se realizar uma"Discussão Pública" acerca de mais uma alteração ao não-sei-quê, que logicamente tem o seu quê de mudança relevante só para alguns & o pessoal até tem de ser informado pelas leis em vigor e essas lérias ditas democráticas  d&les.
Agora a questão aqui complicou-se ainda mais, porque na parte final diziam ao Povo que tinham de ir a uma determinada morada para consultarem o tal assunto fundeado no meu enigmático número 7, e depois quem quisesse Até Podia ! enviar reclamação ou sugestão, nas " horas normais de expediente ". Só estas palavras do final da frase, atiraram-me abruptamente para profundíssimos momentos de reflexão pessoal acerca deste lado da questão: o que são horas "normais" para eles? Onde param as horas "anormais", que nunca as vislumbrei na minha vida? E qual será o expediente lá do sítio? E no expediente  lá do sítio estará lá alguém ? ou será a habitual espera-desespera & o habitual culto matricial português do “como-&-cala-te” e  hoje em dia o telemóvel é que as paga, para  o gáudio dos habituais está mesmo tudo ligado.

Mas
o que mais me deixou desanimado de todo, confrangedoramente deprimido mesmo comigo próprio, (apesar da medicação (2) ),  e com o mundo e até ouso dizer com toda a Humanidade que à priori nem era chamada para o caso, foi o facto de perceber - creio eu - que numa declaração tipo preto no branco acerca de uma DISCUSSÃO PÚBLICA, o pessoal era Afinal ! convidado, nestes moldes enviesadamente anacrónicos e absurdamente mirabolantes a ENVIAR CARTAS, se quisesse. (verdade seja dita, não vislumbrei neste textozinho nenhuma insinuação mesmo velada,  acerca de uma possível punição ao adotar-se uma eventual atitude de abstenção – Apesar da tática dos Medos ser a base  claramente funcional & disfuncional para  os outros no final o contágio já  deu  prá epidemia & não sei onde a coisa vai parar se é que pára vamos andando & vamos  vendo ou tentando ALGO diferente, porque não ?).

Enfim, tudo completamente transparente como vidros embaciados em pleno  Outono atual e eu vi  lágrimas as escorrerem  escangalhadas. (Oh! se eu tivesse ido para estes lados…).

E. Pronto.
Continuo a não entender a ponta de um corno acerca do modo de pensar & sentir & agir dos srs. que nos governam democraticamente eleitos & tudo.

e para ver se alguém me poderá ajudar neste momento francamente muito difícil da minha vida, vou surripiar uma garrafa de vinho da parte mais nobre da minha pindérica garrafeirazinha encostada à casota do meu "eGo"(3) e vou ter com a vizinha que me arrancou dos meus elevados enlevos fugidios e vou tocar à campainha, muitíssimo ao de leve só um toquezinho de quem está ali desamparado como um toco de vela  moribundo fustigado pela noite, apenas com um pretexto entre as duas mãos e um sorriso naturalmente aparvalhado de quem espreita uma suave e doce vingançazinha.



(1) embora tantas vezes faça das tripas coração, mas educaram-me assim e acho que assim é mais cómodo sempre me disseram não arranjes chatices, cá vou levando a minha cruz até ao dia que Deus me leve pra 1 lugar melhor.

(2)  confesso francamente tou farto de drogas: logo ao acordar uma  para me sentir vivo de Srojyt (porque p/ dormir tb tomei outro) com o 1º copo de água sem fluor, a informação tá dada, depois 15 m  antes do almoço duas pastilhas de Pletrofil para qualquercoisa do estômago ou por ali; após a sobremesa  outro que  me dá assim uma  alegria difusa & vã que nem sei explicar e só prákabar ao lanche um outro comprimido cor-de-rosa  muito bonito escorregadio pela goela abaixo e depois as luzes dos dias vão-se embora e continuo a cumprir à risca o que o Sr. Dr. da Caixa mandou, mais tarde na farmácia é que  me levam o couro & o cabelo e fico por aqui. 

(3) é o nome do meu cão, batizei-o à nascença numa singela cerimónia num país denominado Butão (ou Reino do Butão) onde possuo mas não sou possuído por uma casa de campo que a filha mais nova do rei me ofereceu quando estava apaixonada  ainda há pessoas generosas neste mundo tão  egóico.

P.S. para quem usufrui da curiosidade e  pretende saber + do "eGo", pode pesquisar neste blogue, as suas desventuras.




j.a.m. ~ Rascunho nº 240. 1993-2018)

SPIRIT OF THE EARTH ( Stive Morgan )

~ mergulhe nas Novidades que Sente ~


Eu gosto é de gente doida! ( Ariano Suassuna )

9.10.18

strong Woman




strong woman, onde o teu coração
se despenha em mim, onde
o teu cais, o teu mar, o teu amor
por mim saberei um dia 

corpo de enlevo, hoje é lua cheia
e na porta do templo dourado
estou encostado ao teu sonho
espero como quem já não é
enquanto a luz onde me abandonaste
sabe de mim

eu sei: danças ao luar
e 1 raio (teu) apenas aplaina meu coração.


24-09-18/ 09-10-18

( 3º enxerto do livro inédito: “Diário de 3 Gatos” )



(...) ele há coisas onde regresso, praticamente, todos os dias. Descobri-as por akaso (na infância?) e depois volto a estar de uma outra maneira no estar onde já estive só para estar. Nestes locais, há brisas que acontecem de um modo inesperado & ramos de árvores , luminosas árvores, alvoroçadas em silêncios que aprumam os momentos. Por vezes, também há pássaros alongados nas suas asas em voos brandos de quem já está aceso e por detrás as nuvens dispersas caminhando para os seus destinos incógnitos no meu olhar.

- Queres que te diga uma coisa espantosa?

nada sei acerca deste espanto, quando muito sei que sinto a torrente por vezes volumosa outras vezes doucement enquanto as escadas do templo são transcorridas com pés descalços e as tais asas quando aparecem, e ultimamente sou franco têm surgido frequentemente.


O Preto desviou-se no seu caminhar solene e como que, pomposo ( raio do gato que me interroga) enquanto fui regar as plantas na sala. A Donzela especada inteiramente em si, no meio do corredor, junto à sombra do meu quadro antigo " Acta de uma flor num dia de Verão", parece estar a olhar  para algo que está no ar ou a meditar, o que sei eu?
É tão bonito ( de uma beleza que arde!) adivinhar-lhes  os pensamentos, o modo como estão situados neste mundo, enquanto eu sou apenas humano e eles também servos de DEus.
Reparei à dias que 1 deles me olhava de soslaio ( qual dos 2 não sei, haviam muitas penumbras no local ou era nevoeiro?) e então eu debrucei-me sobre o livro de culinária que lia ( pois no dia seguinte queria fabricar um almoço para a nova namorada) e então akilo estranhou-me pois o gajo(a) ficou fixado e começou a rosnar tons coloridos à volta de si próprio e eu naquela de só ver tachos e + tachos & frigideiras & azeite a transbordar de tudo salvaram-se os tomates que ainda estavam incuravelmente verdes apesar dos 2 bjis  que dou à Sr.ª D.ª F. , quando lá vou comprar produtos mais naturais na tenda da estrada 222, quase precisamente ao lado do rio Douro, isto claro, com muito boa vontade há dias cheios de otimismo, apesar deste país assim-assim, eternamente assim.

Esta Sr.a tem uns olhos azuis melhores que os céus que por lá costumam andar e tem (também) uma filha que é bombeira em Londres e conta-me estórias de emigrantes ( tem irmãs nas Europas, também, estão bem graças a deus) foram com o coração apertado entre as duas mãos que tinham, mas tem de ser, diz. Sinceramente, eu não acredito nestas coisas assim tão inevitáveis & cheias de destino, mas mantenho-me circunspecto, pois eu lá vou apagar as ilusões da mãe de uma bombeira profissional em Londres?
Traduzido: c´est la vie, mas vejo no fundo  daquele azul uma dor apaziguada pelo menos do tamanho do ovo que me oferece quase sempre, como brinde, com um sorriso que naquele momento, a salva dos infernos  em que muita gente persiste andar.
E eu agradeço-lhe, pois o que jorra do coração das pessoas é ouro cá-pra-mim, é o alimento que nos liga real+mente à vida que vai acontecendo pelas linhas aparentemente errantes de tudo. (...)




rascunho. ?. 09.18