José Alberto Mar. Com tecnologia do Blogger.

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24.7.10


"Minhas palavras não são ditas, na realidade, para expressar algo, mas para
indicar o inexprimível."

(Osho)

- "acho que entrei numa flor". Imagem Construída.J.A.M. -

23.7.10

- Imagem Construída. J.A.M. -

momento fora



o dia de amanhã é o que está mais perto de tudo. O
agora ,estanca, parte-se, abre-se como um fruto a seu tempo, para que o tempo seja outro e haja uma viajem à-volta.
Regressarei.
Entretanto: vi tribos e tribos, muitos nomes e culturas, deixei-me atravessar por N mundos diferentes, vi o geral e o particular nos pormenores e em nenhum lugar fui estrangeiro.
- Há em tudo algo de nós.


(Julho-2010)

20.7.10

- Imagem Construída. J.A.M. -

Momento Tríptico



mais uma vez: a imagem de um barco a deslizar sobre as águas de um rio que continua pousado no seu sono vivo entranhado por dentro.

E eu sou o barco e aquele que o vislumbra sentado numa varanda na margem do rio, a fumar um cachimbo que se prolonga em sinais, e com o olhar inteiramente debruçado sob a aparência de um esquecimento.
É neste nó ou laço que vacilo, quando há tempestades de vozes no meio dos dias e tudo é alvoroçado a começar por dentro.
Outras vezes, lembro a infância, as pequenas histórias já afundadas nos confins da memória e algo se ergue diante mim e diz-me em silêncio o que não serve a ninguém.
Para cada um há 1 só caminho.
Porque, cada um de nós é o seu rio e o seu barco e alguém que os olha.


(Julho-2010)

18.7.10

dos círculos

- Imagem Construída. J.A.M. -

uma imagem com muitas palavras (3ª dose)




(...)Outra mulher deitada com um ar de sofá cómodo e a olhar abertamente para quem a vê. Nada tem a perder.

Mas, para quem a olha demorosamente, há no seu olhar algo de enigma que não é criado para o momento e é o que fica.
Ligando-a realmente à vida.
Repousa
ali inteira no seu corpo, mas o seu ser humano é longe e é sempre mais.


(Julho-2010)

15.7.10

um céu a perder de vista

- Imagem Construída. J.A.M. -

imagem com muitas palavras (2ª dose)




(...) Esta é uma outra mulher, mais madura que exalta o seu corpo com um propósito evidente.

Por detrás dela, há um pano de tenda com formas e cores aliciantes e escuras. - Serão as suas memórias?
O seu espírito torna-se mais branco, na evidência da luz diurna que cai sobre ela.




(Julho-2010)

altar-eco

- Imagem Construída. J.A.M. -

imagem com muitas palavras (1ª dose)



Uma mulher contra um muro. Encostada ao de leve, como quem ampara algo sem nome e prende à sua frente a sombra que a desafia.

Olhando para o chão. Um lugar que não se vê, porque é evidente espelhado nos olhos, que este ser consente no rosto inclinado.
Será o subterrâneo medo de estar viva ou o seu natural segredo de ser mulher, exposto a este mundo assim?



(Julho-2010)

7.7.10

A Poesia



Entre o alimento vermelho da carne sorumbática

uma veia de ouro única: poesia.

É preciso encarnar o corpo anónimo
saber estar atento
para quando o excesso do ouro
cega as flores à superfície.

Aliciadas pelo perfume as mãos impacientes
recolhem sob a cegueira o brilho primeiro
e expõem à vida a escura transparência de uma voz
transbordada pelas imensuráveis dimensões evocativas
o corpo, o Mundo, os Universos
e os restos de poeira sobre a epiderme das coisas.



(in, O Triângulo de Ouro", Ed. Justiça e Paz.1988)

6.7.10

Homenagem Pessoal


"Matilde Rosa Araújo, que hoje morreu em Lisboa, aos 89 anos, será lembrada como um nome decisivo da literatura infanto-juvenil portuguesa da segunda metade do século XX. Mas essa foi apenas uma das dimensões de uma vida da qual se pode dizer, que foi inteiramente dedicada às crianças. Enquanto escritora, mas também como professora, pedagoga e activista militante de instituições como a Unicef ou Instituto de Apoio à Criança."


Era Verão.Estávamos no mês não-sei-quê do ano de 1988, salvo erro.Desci a Lisboa ( com um bom grupo de amigos)para receber da Associação Portuguesa de Escritores o Prémio Revelação de Poesia,-1987, pelo conjunto de poemas intitulados" O Triângulo de Ouro".

Dos elementos do júri, salientaram o Poeta/Escritor António Ramos Rosa. O J.O. Travanca-Rego fez o discurso que caiu bem naquelas circunstâncias. Eu estava ali, entalado entre o orgulho ( simulado) de ter sido o "eleito" e a premente necessidade de ter 1 cheque nas mãos para pagar as despesas à cambada que tinha trazido comigo.

No fim daquilo, houve uma Sr.a, bem sénior, que se dirigiu a mim, em passos lentos medidos pela idade e me estendeu a mão direita dizendo apenas: "parabéns!"

Eu agradeci, claro, e lembro-me de ver nos olhos daquele ser humano, uma sinceridade e uma generosidade, muito muito raras.


Só muito mais tarde soube que se tratava da Escritora Matilde Rosa Araújo.


Que as rosas sejam brancas e leves no seu novo mundo!




P.S.(Outros vieram falar-me de editoras, negócios & outras trapalhadas, mas eu não estava preparado para aquilo).




(Gaia.06-07-2010)


2.7.10

obscuramente a visão encalha

- Foto. J.A.M. -


Um dia destes restarão os prodígios
a maturidade do destino aberto em flor
branca, branca será a demonstração
e eu falo como alguém sem provas
caminhando ao longo da sua intuição
e dos seus silêncio acordados.


A vossa vida está cheia de dores
e de milagres por cumprir
e no entanto, o vosso sono não me espanta
pois já dormi convicto do contrário.
Mas, agora há novas luzes por aqui
que sacodem as manhãs agitadas
dos vossos corações impacientes.

Há em tudo isto, um espanto
ou pelo menos, um indício de estranheza
algo que é duplo em vós, embora longe
algo já ressoa no vosso fundo desatento
e, no entanto - digo eu - o que dizer?
se só escuto o sentir uníssono
deste universo onde me transformo.


(5.Agosto.2009.Transformado em Julho-2010)