José Alberto Mar. Com tecnologia do Blogger.

30.8.25

( Aos Amigos )

Pintura. J. A. M.


 
Hoje estive com 1 amigo.
Os amigos aproximam-nos de nós.
Os amigos são metafóricas estrelas
onde a nossa luz se expande.
Os amigos, depois de séculos de ausência
continuam a ser os mesmos
amigos.
 
No fim, damos um abraço e há uma luz
dividida que cai para dentro
e cada um leva essa luz para a sua casa
abrindo a noite a um sorriso que permanece
e com o qual amanhece
sem se lembrar.


( J. A. M. )

11.8.25

Recordação à tona

Pintura. J. A. M.



Depois veio a idade, as rodas fulgurantes do tempo dissipado
e repentino.
Já nem lembro o teu rosto, nem teu corpo, apenas as cinzas
do encontro.
Onde um fogo ainda arde e um calor vindo de longe
escreve estas palavras
que me deslumbram e me despertam.

Afinal tudo na viagem é um parto de luz.
Que se expande, que se propaga.


( J. A. M.)

 

 

2.8.25

Já fui ao Paraíso

Pintura. J. A. M.


Há coisas do diabo. Já fui ao paraíso.
E voltei.
Estava já quase acordado no meu quarto do Hotel Europa, quando a Ana e a Joyce abriram a porta em leque cheias de sorrisos floridos e me convidaram para dar um passeio pelas franjas de Gaibu. Lá me levantei um tanto ou quanto aturdido pelas caipirinhas da noitada anterior, mas depois de beber o coco fresco que me atiraram de chofre fiquei logo fino, vesti a t-shirt e os calções de sempre e lá fomos, que nem 1 trio harmonia pelo dia adiante.
Passámos pelas ruínas do Forte São Francisco Xavier, eram pedras amontoadas por ali pelas leis do acaso e com alguma parcimónia sobrava a placa, livrei-me das alpercatas(1)  na linda praia de Calhetas, onde vi ondas debruçadas sobre a própria espuma fresca nos meus pés, depois de serem verde-esmeralda e azul-turquesa, e também vi uma foto do jovem Eusébio no bar lá do sítio, ao lado de N ilustres que por ali tinham po(u)sado algures, ao longo dos seus destinos. 
Depois continuámos a caminhar por entre árvores (2), plantas e flores de muitas cores e aromas vários, até que a incerta altura num morro inesperado e cheio de um céu azulmuitoazul, vi uma tabuleta tosca de madeira com a palavra: “PARAÍSO”.
As minhas companheiras apanharam o meu ar aparvalhado e eu apanhei-as a sorrirem apenas cúmplices.

 O que havia a dizer?

 Lá descemos entretidos com os pés de cada um, a saltitarem de pedra em pedra, até desembocarmos numa espécie de praia com a água muito transparente e a areia prateada pelo pôr-do-sol que se diluía pelas águas até ao esquecimento.
Sentámo-nos a olhar e a escutar o mundo à volta através daquele ponto de vista, dentro do ponto de vista de cada um e os três juntos com as 6 vistas desarmadas, despidas, deliradas. 
Já não sei, e pouco me importa, o tempo (o tempo?...) que poisámos ali, a respirar aquele lugar tão belo e simples irrealmente em tudo. Lembro-me vagamente que as palavras eram coisas a mais e a ninguém lhe passou pela cabeça falar de tal assunto.
 
Quando regressámos a Gaibu, numa camioneta que ainda circulava, já lá estava instalada uma noite claramente aberta à nossa festa.
 
 
(Gaibu. Estado de Pernambuco. Brasil)


(1)  Sandálias de couro.)
(2) Manacás, mulungas, ipês, com as suas flores de ouro, algumas das muitas árvores ainda existentes e caraterísticas da Mata Atlântica no local.