14.8.12

Onde o Sol é Mais Perto















Imagem: J. A. M.



Às vezes pego no bloco. Pego na caneta. Fico assim horas a fio a olhar

depois desço o olhar
1 pirilampo aqui outro acolá na espessura da noite
por detrás da sebe da casa há um sobreiro com ramos rugosos onde a cortiça respira & cresce sem darmos por isso e as folhas todoas juntas formam uma cabeleira que estremece e dança, muito espaçadamente, com a aragem que sopra dos lados do mar.

De repente, os repuxos calaram-se. Gotas de  água escorrem de folha em folha e depois apagam-se no chão onde as raízes das plantas obsortas se abrem ao desejo da sede. E as folhas cintilam sob o peso da luz que desce dos candeeiros. E são belas assim, nos seus verdes flamejantes contra as obscuridades à-volta. Na superfície azulada da piscina, estranhamente ondulada, está a lua estampadamente enorme.


1 comentário:

Anónimo disse...

Eu vi …

Eu vi a dança das folhas de mãos dadas tocadas pela maresia.
Eu vi a respiração na pele nua do sobreiro – animando a atmosfera envolvente, na permuta dos gases vitais.
Eu vi o sopro das gotas de água, gota a gota, caindo das folhas, penetrando na terra madura – saciando a sede da árvore.
Enquanto as raízes exploravam interstícios húmidos de solo esboroado.

(Eugénia)
PS: Eu vi tudo isto, ao ler este belo texto que complementa aquela bela imagem acima – de uma folhagem onde «O Sol é Mais Perto» …