José Alberto Mar. Com tecnologia do Blogger.

29.11.25

Caleidoscópio

Pintura. J. A. M.



Há que aprofundar este silêncio. A noite prospera
fechada numa curva de sedução.
Aqui há um coração ocupado por milagres.
Um corpo atravessado por uma vida, uma dimensão
acolhida pela eternidade.
 
No fundo, o ouro como expressão subtil da alma
parece lento no seu fulgor. Demora-se, mora
num brilho mutável.
Silenciosamente aliado à intimidade das estrelas.
 
É noite e viajo pelo universo contemplando
apenas este minúsculo lugar que criei.
Em tudo, pressinto os sigilosos desafios da Natureza
a sabedoria de uma árvore solitária ali no jardim
florida de pássaros que abrem o dia.



( J. A. M. )

 

 


23.11.25

Os Efémeros Segredos

Pintura. J. A. M.

 

As luas nascem e morrem. Mas não se iludem.
Ressuscitam. Por isso tantas vezes me perco em
silêncios e distâncias enquanto os olhos emigram a sós
nas suas asas.
- Falo-te das luas metafóricas por cima das alturas
dos dias que passam.
 
Por vezes, parecem rostos a vigiarem as noites à volta
de um sol adormecido. E então há um silêncio exaltado
sobre cada cabeça e torna-se mais humano o dom dos
sonhos a língua calada nas imagens circulares do
tempo.
 
Outras vezes, penso como tudo isto poderia ser o início
de um vocábulo que não existe uma aproximação a
Deus ameaçada ou inventada pela existência da morte.
Entretanto …”os trabalhos e os dias”.



( J. A.M.)
in, AS MÃOS E AS MARGENS. Ed. Limiar. Porto.
 

9.11.25

5.53 h.

Pintura. J. A. M.

 

Estrelas e pirilampos algo acontecia no meio da floresta a noite demorada nas suas asas que soavam altas ou rente aos troncos das árvores no chão também alto do meu olhar.

Desconhecia a sensação. Aprendia devagar pela primeira vez, até então, o sussurro das águas no corpo o reflexo do que é exterior e interior ao mesmo tempo. O que é perene e parece eterno.

O corpo divagado pelos seus tumultos interiores. Pensava e sentia conjuntamente. O que parece estranho quando, no fim, toda a torrente desemboca no coração aberto. E depois se faz aparência de luz ou margem de penumbra que se abre expectante à espera das novidades que nos aprofundam a idade. O lado que nos oferece uma resposta longínqua para o significado dos dias e das noites.
O eco que se desvanece quando o olhamos – bem de frente – e já é um outro dom afastado do que julgamos ter encontrado.
Degrau a grau, uma luz desconhecida cresce através de nós.


( J. A. M. )

1.11.25

( QRC em Lenta Reflexão )

Pintura. 100X100 cm. J. A. M.

 

Os dias acordam as várias faces
da luz.
O poder inexorável do Mundo
vem das raízes
do sol.
 
 
Dias absolutos
nos seus fulgores errantes
impelidos para além
de todos os gestos dos mortais.
Todos os tempos da memória
são espasmos próximos à madeira
quando aumenta os anéis
nos troncos das árvores. – Todos
os segredos da Terra
são gerados em silêncio
em geométricas forças moleculares.
 
 
E o jeito dos olhares… o enredo
toca o centro
e o dia desprende-se
para todos os lados
em luzes aliadas com as sombras.
 
 
Olhamos, respiramos, toda a vida
toda a arte é
transparente. E depois apaga-se
o lugar repentino
que mal se vê
e já não se encontra. Nem
o caos, nem a ordem
ou a lembrança.
 
 


( J. A. M. )
 
in, A PIMEIRA IMAGEM. Ed. Sol XXI. Lisboa-1998