José Alberto Mar. Com tecnologia do Blogger.

11.1.26

A Última Paciência

Pintura. J. A. M.


Há rostos como espelhos transparentes dos dois lados
nas estreitas portas dos olhares. Basta, por vezes
uma desatenção mais aventurada da vida em nós
para vermos nesses rostos uma dignidade de astros
afastarem as sombras à volta, e ao vermos, recebemos
o centro expansivo de uma voz nos olhos, as fontes
escritas sem letras visíveis. As imagens que temos
de nós próprios desarrumam-se como nuvens
que se afastam e com a distância acabam por perder-se
sei lá por onde. Assim se iniciam os exercícios
marginais no interior dos corpos
as fronteiras saturadas dos dias
as vozes mais íngremes de uma Vida sempre
para além dos nomes.



( J. A. M.)

 

 

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