José Alberto Mar. Com tecnologia do Blogger.

21.2.26

Interrogações

Pintura  J. A. M.

1

 
Bate-me à porta a noite
o silencioso exercício do Mundo
acontece-me na mais pura beleza
do que parece estar nu.
 
Inspira-me a visão das linhas curvas
dos sons e a inutilidade das mãos
quando a intenção desta beleza é estar
à altura do espanto.
 
Sou, pois, mais um ser
dominado pela voz, cantando
o seu exemplo de onda transformada
em espuma.
 
 
2
 
 
É sempre à noite, quando a luz
caminha de soslaio entre as paredes do mundo e
chego à casa da minha existência.
 
É sempre fria esta estranha sensação a distância
entre tudo o que parece real dentro da casa
ou dessa voz vadia
que canta desamparada e só.

 

 ( J. A. M. )

 

 

 

 

 

13.2.26

O Olhador

Pintura. J. A. M.

 

As obscuridades da noite ampliam o espaço do coração
pelo silêncio instalado.
Outros ritmos de tambores celestes invadem os rios interiores
que transbordam.
Barcos incógnitos e luminosos aproximam-se.
São mensagens de outros mundos que nossos mundos são.

Já não ouso decifrar. Porque pensar é estancar a corrente
germinar barragens.
Prefiro abrir as asas metafóricas e de peito aberto e livre
acolher as imagens vindouras que devagar me designam
e me fazem ser o que afinal já era.
 
Confesso, sou sempre pouco para o que digo.



( J. A. M.)