José Alberto Mar. Com tecnologia do Blogger.

30.6.20

~ 10º Pedaço de mais um diário perdido ~


Trabalho Visual. J. A. M. -2020



Algo desce ou sobe, cresce, amadurece e 1 dia há uma semente nas tuas mãos.
Ou no teu coração.


Uns tempos mais adiante, já temos uma árvore: ramos que dão ramos, folhas que dão flores, por aí. Por vezes, frutos.
Quando o calor aperta nos Verões que eram, deitas-te sobre a sombra dessa esplêndida árvore que cresce sem o saberes e adormeces. 


- vens pela rua abaixo da tua aldeia algures nesta província feita deserto de seres humanos.Vês apenas as estórias que ainda estão vivas na memória, vês agora  como tudo se tornou maior, as casas a mãe e o pai no meio dos pratos e da terrina a fumegar, vês a lareira arder onde acabas as noites, a olhar as chamas que lês como um livro sem fim.


Depois  acordas : a sombra despedida  tudo já é escuridão, os lençóis negros da noite não te aliviam o frio.
E há sempre um frio que também acontece por dentro.


Entretanto olhas à volta e reparas numa semente que caiu enquanto eras menina no sonho.
Apanhas a semente com ambas as mãos pequenas, levantas-te e desces até casa, onde os teus pais te esperam: a sopa  a colher,  o pão ao lado.
Colocas a semente sobre a mesa e os teus pais sorriem.


J. A. M. 


( Rascunho Nº 3)

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