José Alberto Mar. Com tecnologia do Blogger.

31.10.22

Na boca das manhãs

Pintura: J. A. M.


O silêncio serpenteia-se nas ondas do ar a boca da noite

abre as flores do coração curva os sons que tem sempre

à mão e o tempo habita-nos mais ao sabermos nos olhos

as sombras que se despedem das árvores onde os pássaros

acolhem os primeiros tons do dia sob o lençol verde

às tantas da manhã pelas cinco e tal ou quase assim começam

a sinfonar uma visão acesa para quem ainda dorme ainda

é cedo ainda há o segredo

de haver um mundo, com tudo sagrado.


(J.A.M.)

 

 

 

 

 

21.10.22

E, no entanto, há uma luz por aqui

Pintura: J. A. M. 

 

e, no entanto
há uma luz
poisada no centro
do seu sereno silêncio de ser
só uma luz
Aberta
para fora
de si

- como se um pássaro esquecesse no voo
o peso das suas asas.
- como se a memória fosse uma trave esmorecida
na casa estagnado dos hábitos.
- como se, algo te chamasse e fosse uma voz cúmplice
no cálice mais translúcido do teu corpo
onde o som maduro do silêncio
te chama - em chamas - alumiadas na cor
e tu estás longe ou perto nos olhos
divagados em ti

E então, nem o ouro
nem a prata

- por onde há-de uma Vida luzir ?

 

10.10.22

um adeus de sombras a voarem

Pintura: J. A. M.

As folhas caiem das árvores
com o peso do Outono
castanhas, amarelas, verdes, vermelhas
às vezes
um adeus de sombras a voarem.

Mudas as árvores abraçam o frio.


( J. A.M.)