| OVNI. J. A. M. |
14.3.26
TEMPOS de TRANSIÇÃO
11.3.26
Coisas de Cuba
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| Pintura. J. A. M. |
de onde em onda, os relâmpagos ao fundo
assinalavam as vertigens da noite. Aconteciam esporadicamente como se fosse por
acaso, como se o acaso não tivesse dono. Pareciam lentos nas suas próprias
demoras nos olhos até nos sons que só aconteciam às vezes, como as súbitas
surpresas que nos caiem bem.
Entretanto
o terraço no meio da grande escuridão sem
algum fim à vista desarmada, apenas havia as estrelas que me levavam a
vislumbrar a lua acesa no seu C.Q., e assim deixava-me navegar conduzido pela
luz que se fazia presente.
Aconteceu-me há uns tempos atrás, às
tantas de uma viagem prolongada na boca escancarada de um lugar aprovado pelos
seus deuses bem atentos a estas circunstâncias.
Por algum tempo julguei
tudo isto como um sonho, e num momento de dúvida mais agudo fui ao álbum das
fotos (2) e reconheci facilmente aquela “sombra alada” com o qual dialoguei por
momentos, com alguns relâmpagos silentes a interromper-nos. E, na foto o poema
evolava-se como uma pequena chama.
(1 (1) Marca
de cigarros.
(2 (2) Perante
a novidade do acontecimento tirei uma foto rápida com o telemóvel.
(J.A. M.)
6.3.26
Alguém disse já não recordo, foi num campo de batalha
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| PINTURA. J. A. M. |
3.3.26
Entre 2 Universos
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| Arte Digital. J. A. M. |
mais frágeis mais invisíveis
apenas dois olhos na luz possível.
Por aqui, neste mundo, à minha volta: 2 universos, apenas.
O Universo do Amor e o Universo do Medo.
Cada um com inúmeras portas e janelas e nomes encobertos
e descobertos por onde se entra e sai e se volta a entrar e a sair.
Diariamente, luminosamente, noturnamente.
O círculo a levantar-se em espiral, ainda a sobrevivência
do macaco nas demonstrações da luz ou
a luz derramada em forma de cruz.
Tudo inscrito, tudo escrito em todos os lados
dentro das cabeças, na água oceânica no interior dos corpos
nas paredes inventadas por fora e por dentro
nas alegrias e na dor.
- De que lado crescem os teus dias?
21.2.26
Interrogações
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| Pintura J. A. M. |
1
o silencioso exercício do Mundo
acontece-me na mais pura beleza
do que parece estar nu.
dos sons e a inutilidade das mãos
quando a intenção desta beleza é estar
à altura do espanto.
dominado pela voz, cantando
o seu exemplo de onda transformada
em espuma.
caminha de soslaio entre as paredes do mundo e
chego à casa da minha existência.
entre tudo o que parece real dentro da casa
ou dessa voz vadia
que canta desamparada e só.
13.2.26
O Olhador
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| Pintura. J. A. M. |
Outros ritmos de tambores celestes invadem os rios interiores
que transbordam.
Barcos incógnitos e luminosos aproximam-se.
São mensagens de outros mundos que nossos mundos são.
Já não ouso decifrar. Porque pensar é estancar a corrente
germinar barragens.
Prefiro abrir as asas metafóricas e de peito aberto e livre
acolher as imagens vindouras que devagar me designam
e me fazem ser o que afinal já era.
Confesso, sou sempre pouco para o que digo.
30.1.26
aproveito-me das palavras para desarrumar o leito dos rios que me percorrem
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| Pintura. J. A. M. |
Regresso ás duas margens: a escuridão e a luz. Os nomes abastados, derivados das noites e dos dias. Há quem os atravesse inventado pela sua natural consciência: hoje uma dor, amanhã uma alegria.
Há uma autoridade instalada neste modo de estar na vida. Uma invenção entronizada como se o tempo que temos, enquanto seres vivos, fosse uma tatuagem com o halo da eternidade. Também há quem acredite em sentenças descobertas em coisas consideradas simples: um sorriso descido, um olhar iluminado, um gesto que se desenha sozinho, um encontro ao acaso, algemas que se soltam.
Nestas paisagens a beleza do Mistério, por onde viajamos, aproxima-nos e afasta-nos de nós. Tornamo-nos íntimos da distância: entre o inferno e o céu há um intervalo por onde o verbo se inicia e expande e tem a intenção de um ofício.
Para cada um as suas margens e o leito do rio convocado através de milhares e milhares de vidas abandonadas com sentido.
19.1.26
Já não me recordo
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| Pintura. J. A. M. |
ou vinda de dentro de mim, mas tudo
estava incandescente
de uma forma natural e o Mundo
tinha um amplo sentido exato
em todas as coisas.
A certa altura, olhei-me de longe
e com o decorrer dos anos aprendi
a esquecer-me de mim.
No entanto, sou cada vez mais
esse vaso de luz
onde a luz me ensina.
11.1.26
A Última Paciência
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| Pintura. J. A. M. |
uma desatenção mais aventurada da vida em nós
para vermos nesses rostos uma dignidade de astros
afastarem as sombras à volta, e ao vermos, recebemos
o centro expansivo de uma voz nos olhos, as fontes
escritas sem letras visíveis. As imagens que temos
de nós próprios desarrumam-se como nuvens
que se afastam e com a distância acabam por perder-se
sei lá por onde. Assim se iniciam os exercícios
marginais no interior dos corpos
as fronteiras saturadas dos dias
as vozes mais íngremes de uma Vida sempre
para além dos nomes.
3.1.26
Mais uma viagem
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| Pintura ( Os 4 pontos cardeais)~J. A. M. |
para o barco amparado pelas águas da Vida
ao lado
as redes rendilhadas e sempre frágeis do mundo.
Como um simples sopro tento apenas ser
o seu alento.
Parece-me que quem assim respira
talvez possa encontrar, encontrar-se, encantar-se.
A Natureza e os Outros serão
sempre a sua medida.
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