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| Pintura. J. A. M. |
De
um lado o inferno. Ao lado o céu.
Regresso
ás duas margens: a escuridão e a luz. Os nomes abastados, derivados das noites
e dos dias. Há quem os atravesse inventado pela sua natural consciência: hoje
uma dor, amanhã uma alegria.
Há
uma autoridade instalada neste modo de estar na vida. Uma invenção entronizada
como se o tempo que temos, enquanto seres vivos, fosse uma tatuagem com o halo
da eternidade. Também há quem acredite em sentenças descobertas em coisas
consideradas simples: um sorriso descido, um olhar iluminado, um gesto que se
desenha sozinho, um encontro ao acaso, algemas que se soltam.
Nestas
paisagens a beleza do Mistério, por onde viajamos, aproxima-nos e afasta-nos de
nós. Tornamo-nos íntimos da distância: entre o inferno e o céu há um intervalo
por onde o verbo se inicia e expande e tem a intenção de um ofício.
Para
cada um as suas margens e o leito do rio convocado através de milhares e
milhares de vidas abandonadas com sentido.
( J. A. M. )