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| PINTURA. J. A. M. |
Alguém disse já não recordo, foi num
campo de batalha e o ribombar das bombas e dos seus ecos na altura, faziam-nos
surdos. A outros, faziam-nos cegos. A outros ainda, faziam-nos mortos. Mas a frase em questão, no meio daquele
inferno encantou-me o lugar e por momentos caí num silêncio sem tempo, que me
trouxe a casa da minha infância, longe muito longe, onde havia um jardim. E a
frase era assim: não corras atrás das borboletas, cuida antes das tuas
flores que elas virão até ti .Ainda hoje, passados séculos, por vezes em
dias ou noites em que tudo parece estranhamente desolador, me acontecem as
imagens bem nítidas que esta frase levanta à frente do meu olhar.
E então, algo em mim se transforma e tudo
à minha volta também.
P.S. Diante
do abismo da barbárie, a arte não é um refúgio, mas a afirmação
ontológica da nossa humanidade. Entre a ruína e o devir, tento transmutar o conflito em vontade de criar.
( J. A. M. )
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