José Alberto Mar. Com tecnologia do Blogger.

14.12.25

Época de sombras. Época de luzes.

 

Pintura. J. A. M.

havia uma doença de sombras. Entranhadas no ar, nos ritmos dos dias, nas pessoas que deambulavam entre estes.
Mas as sombras eram como todas as sombras: germinadas por uma luz. Esta luz era cega, distante, não se vislumbrava. Alguns pressentiam-na. Por dentro, era por dentro que novas sementes germinavam e quando cresciam o suficiente toldavam os olhares. Alguns ficavam cegos sem dar por isso. Outros nem davam por tal. Outros, começavam a ver novas flores que as outras não viam, pois havia uma doença de sombras.


Entre a vida e estes dias sonâmbulos instava-se um esquecido tempo sem nomes verdadeiros ou com demasiados nomes. Aparências. Muitas notícias em algazarra. Sinais para as pessoas se ampararem.


Alguns mais desesperados matavam-se. Outros resignavam-se, à espera. A morte, apesar de sempre presente, disfarçava-se de esquecimento. Andava-se de um lado para outro em círculos, através de distrações perenes. No fundo, ninguém se via nem via os outros, porque havia uma doença de sombras. No entanto, alguns vislumbravam o que parecia ser natural. Falavam destes tempos de mudanças, sem ninguém os escutar. Acomodavam-se num silêncio de ouro que crescia somente para eles. Aparentemente. Outros ainda gritavam sem ecos. Aparentemente, pois tudo era um vasto Mundo cada vez mais ligado neste universo de sombras.



( J. A. M.)

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