José Alberto Mar. Com tecnologia do Blogger.

15.8.26

Eu Lembro a Cabeça Radiosa

PINTUARA. J. A. M.

 
Depois veio a idade, as rodas fulgurantes do tempo
dissipado e repentino.
Já nem lembro o teu rosto, nem teu corpo, apenas as cinzas
do encontro.
Onde um fogo ainda arde e um ardor vindo de longe
escreve estas palavras
que me espantam e me despertam.
 
Afinal tudo nesta viagem é um parto de luz.
Que se expande, que se propaga.


( J. A. M. )

 

14.8.26

houve 1 dia que cortei a cabeça

Desenho. J.A.M.

 

houve 1 dia que cortei a cabeça, falo metaforicamente, coloquei-a por baixo do braço mais disponível na altura, e fui passear-me. Não havia sangue, nem dramatismos. Apenas uma imagem deambulando pelas ruas sempre improváveis da vida, os olhares interrogados dos mortos, longinquamente o sopro subtil de um ato em princípio original nos catálogos gerais, mas claramente – a meu ver – perfeitamente integrado nas coisas realmente vivas do mundo, isto é, da Natureza.

Nunca mais voltei atrás.
Aos poucos a maçada da posição resolveu-se per si tendo a cabeça entrado paulatinamente para dentro do corpo indo posicionar-se naturalmente no oceano das infindáveis células do que ainda penso ser.

Deixei-me da ciência das máscaras. Hoje ando por aqui ou por ali ou por além, e há uma clareza consentânea e unânime, nos meus destinos.



( J. A. M. )

7.8.26

CORREDORES do TEMPO

QRC in Slow Reflection . Pintura de  J. A. M.

aprendi a soletrar a paciência dos passos pela imensa casa da vida, os inesperados corredores no secreto apelo das portas com a luz dos dias a trespassar as janelas, o encontro e desencontro com o mundo quando algo vibra e se faz ato, as aparições que acontecem sem qualquer propósito ou adivinhação, os exílios inesperados com o tom de aceitação e esperança, a inconstância da lua enquanto a água por dentro do corpo nos vai transformando.


( J. A. M. )
 


1.8.26

FOTOGRAFIA

Imagem construída. J. A. M.

 

Sim, também foi a beleza das linhas do rosto
o olhar inclinado para algo prestigiado
num momento lá no fundo em que há a suspeita
de uma alma que inspira a matéria
e cintila num enigma coroado por várias margens.
 
A beleza é sempre construída por um desconhecido
e obstinado dom eloquente. Vem de longe.
Respira mistério. Ergue o espírito! 
Afasta para longe a constância dos desertos.
 
Por tão altas vertigens
criei este poema, estas alianças.
A beleza derrota-me.


( J. A. M. )