José Alberto Mar. Com tecnologia do Blogger.

24.7.26

EVOCAÇÃO ABANDONADA

PINTURA. J. A. M.


 

E foi apenas um voo, um lugar ampliado de recursos na pacífica alegria que a água reconhece, as nuvens que dançam nesta luminosidade invadida de imagens.
Suspensa a gravidade dos nomes, o ar torna-se palpável e os olhos já não precisam de vislumbrar para pertencerem. O voo fixou-se. Transformou-se na imobilidade da árvore sagrada cujos ramos mais altos tocam o mesmo céu que a raiz já conhece. O tempo agora mede-se pela lentidão com que o musgo cobre a memória do que somos. Tudo se recolhe na respiração de uma floresta, onde o rio, ao longe, continua a respirar o corpo que pensei esquecer.

 

18.7.26

EVOCAÇÃO ABANDONADA

PINTURA. J. A. M.

Mais um dia preservado pelo rio onde me afogo. Reconheço a submissão das águas sobre o meu destino. Algo me abandona desvanecendo os caminhos, os trilhos, os mapas desenhados, pois a grande ilusão é metade secreta, metade translúcida. Tornou-se prodígio transformado que transborda o grito dos segredos e eis então: o estoico agoiro, a casa no meio da floresta, a carícia silente que desce do céu, o apaziguado sentido das coisas demoradas entre duas mãos adormecidas(...)


J. A. M.