José Alberto Mar. Com tecnologia do Blogger.

27.6.19

pedaços de 1 diário perdido

Lanzarote. España. Foto: J. A. M.
















(...) de onde em onda, os relâmpagos ao fundo assinalavam as vertigens da noite sobre os espelhos ondulados e partidos das águas do mar. Aconteciam esporadicamente como se acontecessem por acaso, como se o acaso não tivesse dono. Pareciam lentos nas suas próprias demoras nos olhos até nos sons que só aconteciam às vezes, como as súbitas surpresas que nos caiem bem.


Entretanto
o terraço na escuridão sem algum fim à vista desarmada, apenas aconteciam algumas estrelas que me permitiam vislumbrear a lua acesa no seu C.Q., e, francamente, eu já nada pensava, apenas estava  (...)

20.6.19

( Enxerto do livro inédito “ Diário de 3 Gatos)

" VOZES DA TERRA". Obra a integrar a " IX Bienal de Pintura
(Prémio Joaquim Afonso Madeira) Moita, Alentejo - Portugal "






















(…) Então hoje ensinei os meus discípulos a plantar 1 carvalho. No novo quintal, que aluguei à Junta de Freguesia aqui da zona, vá lá não foram alarves no negócio até não pareciam políticos ( depois, dá-nos umas flores para a festa cá da Terra. – Está bem !).

Não  chamei  as crianças (1) nem lhes dei secas de aulas teóricas & essas outras tretas que por aí andam nos ensinos oficiais deste país, peguei na pequena haste da futura árvore, construí um buraco a condizer e eles aconteceram ali a olhar para a circunstância. Depois fui ao poço com um cântaro e despejei a água que julguei necessária à firmeza da terra abraçada ás raízes do novo hospede. Olhei para esta obra na companhia de 4 olhos debruçados, atentos, até (julguei) admirados e pensativos, quem o haveria de dizer? tratando-se de gatos.
Confirmado a facto em si, in loco, 1 dia destes haverá um pouco + oxigénio para o Planeta, bem-precisa ! há por aí, pelo Mundo a fora, pessoal a fazer o mesmo - graças a Deus -  nem tudo está perdido, penso ás vezes em momentos de um inesperado fervor & uma boa dose de  esperança.


Enquanto agora os meninos, refastelados na almofada colorida de flores exóticas, de onde aromas vários se desprendem, olham para mim como se eu fosse um ser estranho (…)
Francamente... 



(1) trata-se de um casal de gatos com cerca de 8 meses.


~ J. A. M. ~

10.6.19

" Diálogos com deus " ( 2014)  J. A. M.




















'Alegoria da Caverna' de Platão [animação]: https://youtu.be/xswmnm_I7bU

6.6.19

Cem Comentários

Foto: J. A. M. ( Brasil )


















Nômades Turistas ( Pés sobre trilhos): https://youtu.be/sGu_IbxeGHE

Raul Seixas. Br. ( Morning Train ) :https://youtu.be/U_pQqkcWwyY

Pintura

Técnica: Tinta da china e acrílico s/ papel canson. Autor: J. A. M.
























Chillout Mystical Indian Masala Mix:https://youtu.be/1fOp9ggJGxw

Imagem trabalhada: J. A. M. 


















antes levantar as amarras, do que temer as vagas que possam vir
antes navegar, do que um dia olhar para trás sem leveza.

(5-02-18)

2.6.19

a céu aberto

Trabalho visual de J. A. M. - 2019





















Nem sempre é possível entender as coisas.
Às vezes, parece ser melhor permitir pacientemente
que as coisas se revelem.


(tradução livre. autor: Dan Pedersen)

1.6.19

(às crianças)

Imagem trabalhada a partir de foto de  j. a. m., com base num quadro de 1 amigo
  Pintor Cubano,  cujo nome lamento não recordar - 2019.


























Um transe nos olhos o lugar exato
dos claros segredos. É esta a grandiosa escada
da infância. O horizonte sem fim das novidades.
O reino das crianças simples

no centro ilegível do mundo quando perguntam
Porquê Porquê  só para dizerem
não há palavras não há mais gestos
na luz do olhos os lábios primeiros.


J. A. M.

(in, "As Mãos e as Margens". Editora Limiar. Porto.1991)

Série: pequenas sabedorias

Trabalho visual: J. A. M. 


























Orange Blossom ( HABIBI)https://youtu.be/ywsS4WteceM

26.5.19

Novos Paradigmas

( Trabalho em selfie  de:  J. A. M.)


"O Coração Pensa e Irradia" : https://youtu.be/ghRrbeSeVSk



P.S.:
Para informações eventualmente mais aprofundadas, consultor,
por exemplo o: HeartMath Institute.

23.5.19

Obra de J. A. M. - 100X100cm. 2019

























P.S. trabalho realizado  principalmente com base em estudos de  

Carl Gustav Jung,  acerca de  "Sincronicidades" e, especificamente o seu " Unus Mundus" (...).

DakhaBrakha – Пливе човен (2019): https://youtu.be/3iRYtfkfp94

21.5.19

~ Coisas de marinheiro ~



1a


Sweet Jane : levanta-se uma montanha
de luz, devagar que este tempo não tem fim
e essa imagem erguida é a aventura
em que te encontras agora ou
te sentes vivo ou não,


eis a questão
 (...)



(...) procurei nos mundos noturnos dos vossos sonhos, esvoaçando encoberto entre encontros &  desencontros. Encontrei portas abertas, fechadas: de ouro, prata e alumínio.

Os deuses que erguemos vendem-nos, a bom preço, aquilo que nos dão.

- e, continuais acreditar?

(...)


3ª 

aparentemente lá ao longe, apontam-nos um barco à nossa espera, é uma luminescência sem âncoras que baloiça aos sons de todos os nossos profundos sonhos, sons levíssimos ou turbulentos que estremecem os nossos silêncios, ás vezes ( quando virados para dentro e para fora, simultaneamente,  sabemos que estamos naturalmente mais vivos )  e quem escuta: esses sons, os seus dons,

já esqueceu quaisquer certezas, quaisquer desses desígnios inculcados por esses deuses*, caminha por entre frondosas, umbrosas e inesperadas florestas, continua a cultivar as (suas)  sementes mais luminosas que são afinal as de todos os outros


 e, quando o indelével destino leva  a tua vida a uma direção imprevista?

(...)


(J.A.M.- 198? - Rascunho Nº 223)

Cowboy Junkies ( Sweet Jane): https://youtu.be/Fa9nN3G2CSg




obras na " 3ª Bienal Internacional de Arte de Gaia - 2019 " ( Portugal )


Autor: J. A. M. . Título: Quadrado de Ouro. 100X100 cm. 2018

( obra selecionada em Concurso. No Polo Central, Lever-Gaia)


Autor: J. A. M. .Título: O Labirinto de Dédalo. 92X92 cm.2018.

( obra, artista convidado no : Polo de Estremoz)



  de 20 de Abril a 20 de Julho  


19.5.19

sir Banksy, + uma vez?

A peça mostra uma criança-imigrante, a usar um colete salva-vidas e a segurar uma chama cor de rosa no ar.

-.-

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16.5.19

a Ciência das Ilhas ~ the Science of the Islands

Pintura: J. A. M. - 2015





















as Ilhas partilham um segredo com as árvores.
Todas têm as suas raízes entrelaçadas
no fundo
das águas.

onde ainda há peixes & pássaros a cantarem e
a encantarem a vida.

15.5.19

para os olhos de quem é mendigo à frente dos prodígios da vida

- Foto trabalhada. J. A. M. -

























de folha em folha os horizontes alongam-se para os olhos
de quem é mendigo à frente dos prodígios do Mundo.
Há sempre um nada absoluto em cada gesto, uma idade
e um peso de estrela a cair na sua luz até nós.

Olho à volta, agora esquecido de tudo e de súbito vejo-te
como esta frágil papoila a deambular pelos seus íntimos
sonhos coloridos.
Enquanto, a minha voz se perde no meio da luz que me dás.



in, " A Primeira Imagem", Ed. Sol XXI, Lisboa.1998 )

~

Madrugada - Honey Bee: https://youtu.be/JQUNTJob078

coisas comuns

- Rio Minho. V. N. de Cerveira. Foto trabalhada: J. A. M. -



















há pessoas assim, chegam-nos sei lá de onde, instalam-se num lugar qualquer mais substantivo do nosso corpo onde ciclicamente amanhecemos e morremos e parece que as levamos connosco para todo os lados, sem darmos conta da leveza que nos dão.


E através do tempo, prolongamo-nos entre pensamentos, sentimentos e palavras anónimas em conversas mais íntimas, sem nada sabermos do que acontece e que importa?




(Julho-2007. Actualizado a 2019. Rascunho Nº 64)

14.5.19

~ & os candeeiros eram estrelas ~



as varandas acendiam os candeeiros
e os candeeiros eram estrelas esfumadas 
pelos corpos dispersos na noite


era Verão e estava tudo deleitado
sobre o calor que brota das coisas terrestres
enquanto as varandas baloiçavam na luz.




10.5.19

Já não me lembro

Obra: Tinta da china e dourada s/ tela.100X100 cm. J. A. M.

























já não me lembro se era uma luz exterior ou de dentro de mim
e tudo estava incandescente de uma forma natural
o Mundo tinha um amplo sentido exato
em todas as coisas.


A incerta altura, olhei-me de longe e com o passar do tempo
aprendi a esquecer-me de mim.

No entanto, agora sou, cada vez mais
esse vaso de luz
onde a luz me ensina.




(2.Julho.2009. Rascunho Nº 87)

LINHARES DA BEIRA- GOUVEIA ( Portugal )
foto: j. a. m.















“ É como se a terra soubesse de sua própria beleza, de sua própria grandeza
e não precisasse gritá-la “

( Kazuo Ishiguro ) 

8.5.19

- Imagem construída a partir de foto de j.a.m., da escultura do "Cego do Maio", Póvoa do Varzim -














ESTRELAS  APAGADAS


Já a noite tinha sido iniciada, os pescadores juntos sentados calados curvados olhavam presos por um fio emaranhado de leves & ondulantes pensamentos o horizonte, como quem lia 1 texto antigo.
Entretanto as nuvens de um lado para o outro, fragmentariamente orquestradas pelo seu próprio destino, lá iam impavidamente diferentes. Nada se cruzava e tudo estava ligado.
Os barcos continuavam a baloiçar o cais. O mar sempre estivera ali como se fosse eterno. Como um eco longínquo que ainda perdura pelo poder dos olhares de muitas gerações.
E os pescadores aguardavam como quem espera e também não, a hora da partida. Em casa os filhotes mais novatos choramingavam por comidas diferentes e as mães afagavam-lhes os cabelos, com um sorriso esboçado junto ao aconchego do útero.

Os pescadores, disse-me um dia um amigo vagabundo nas viagens, viraram estátuas fixas e ali estancaram para o gáudio dos turistas que acudiam aos magotes & as crianças agora pediam moedinhas com uma vida inteira moribunda nos olhares. 




(J. A. M. ~ rascunho Nº 182. 2009?)

6.5.19

MUNDOS QUÂNTICOS

 Especulação Visual acerca da  Experiência Científica da " Dupla Fenda"( partícula e  onda) .  
Pintura. 100X100 cm s/ tela. 2017.
Autor:  
J. A. M.
~

Expansão de Consciência, Hélio Couto:https://youtu.be/T03QkTSeMKI


5.5.19

Pintura: j. a. m. - 2918
























Outras asas


por vezes, abrem-se outros sons, outras
luzes dentro
como acontece na boca das fontes
e é por aqui que algo em mim é mais humano
entre esta sagrada Terra & as estrelas à mão de semear
é por estas margens, que os tambores celestes
batem e rebatem o meu coração.



(J. A. M. ~ rascunho Nº 62)

3.5.19

coisas noturnas

cidade do Porto. Foto: J. A. M.


até que enfim o Porto hoje era uma cidade viva às 3 horas da manhã ainda havia uma chusma de gente nas ruas à volta dos Clérigos e, enquanto resolvia comigo a estranheza da novidade, acabei por me sentar numa cadeira à frente do café Piolho. havia pessoal desordenado em grupos, falavam, riam, bebiam. Gostei. havia também um aroma quente no ar & fiquei por ali o tempo de 2 finos frescos, ou foram mais?
Depois, atravessei a escuridão do jardim da Cordoaria, onde revi de soslaio, mas com natural atenção, as estátuas do Juan Muñoz. com aquela parca luz geral a gentinha do nosso hermano ganhava um ar mais severo e bizarro. Mas porque é que não estavam parados?

As extensas sombras pelo chão pareciam levitar ao som dos candeeiros sobriamente acesos. ao fundo, ainda estalavam no ar as gargalhadas dos jovens, abrindo a noite a outras luzes mais



(Porto.2007. Rascunho nº 158)


2.5.19

Blog: " Gazeta de Poesia Inédita "



SEM   MARGENS


por vezes vem um outro sol, um outro sal, outra luz
da cintura dos astros ou do fundo da Terra
descendo, subindo, entrando, aclarando
a cabeça, o coração o corpo todo
pois já é outra a resposta que cintila
no esquecimento do olhar
onde caio em mim, como uma gota de água
no mar dentro dos dias todo o tempo é redondo
e reparo nas duas mãos como se fossem
10 os novos caminhos
e no entanto, são tantos & tantos
que me volto a calar.



( J.A.M. ~ poema inédito, anos 80. Rascunho Nº 96)
Publicada  a versão do rascunho Nº 94,a convite do poeta José Pascoal



1.5.19

Pintura: J. A. M. 


























(…) claro que felizmente todos os estados de espírito são vadios e não se demoram em nenhum lugar. E o que fica em nós, é uma poeira que assenta na memória essa grande rocha de xisto, formada lâmina a lâmina, desde o início dos tempos. Uns trazem essa rocha, ás costas, como um talismã à vista desarmada de todos; outros, afundam-na nas águas do próprio corpo e por lá a esquecem, sabendo que não precisa dos seus cuidados para poder ser o que é: um  lastro para o  destino.
E assim, todos os dias somos atravessados por mundos e mundos, onde vivemos mais um pouco de tempo inscrito na ilusória viajem que até fazemos realmente.


1/06/2006

África

obra: J. A. M.

Yambo, Yambo (by Salif Keita): https://youtu.be/gz2WMvHCJOU


29.4.19

Parece-me que quem assim respira talvez possa encontrar

Obra: J. A. M. 


Mais uma viagem aproxima-se caminho lentamente
para o barco desamparado nas águas,
ao lado
as redes rendilhadas & frágeis do Mundo.

Como um simples sopro tento apenas
ser o seu alento.

Parece-me que quem assim respira
talvez possa encontrar.


(26-Julho-2008/Alterado em Abril-2012)