10.5.11

Mindelo



O céu está cheio de manchas cinzentas umas mais outras menos escuras, sobre um fundo que se sente azul pelo hábito que transporto de outros lugares &  às vezes, até vai sendo.
O "monte cara", ao longe, sempre pousado na sua lonjura pensativa e sempre tão presente  em cada  mindelense é também  a alma visível do ser desta ilha com as raízes mergulhadas no oceano Atlântico  e agora 
os sons de uma morna abrem a noite como quem pede licença  para entrar quando já se instalou suave e inteira, abrindo os braços a  quem quiser  pousar, a menina de camisa encarnada e mini-saia-azul-abertamente com as duas coxas de ébano demoradamente nuas e brilhantes até um determinado ponto inexacto, os 2 amigos calados &  unidos a  uma garrafa  de grogue, a outra menina ainda ao colo , tem camisa cor-de-rosa e 4 totós verde-alface no cabelo encarapinhado a chupar uma manga pela boca  a dentro  e uma gota  de sumo docemente a cair-lhe pelo queixo até à mão naturalmente aberta da mãe absorta nos sons e na voz do cantor,  que nos une a todos num só lugar, e depois
lá fora, os ruídos dos táxis que vão e vêem dos seus destinos, e ali à frente re+páro em alguém que vai sentado ao contrário numa bicicleta que desliza sem  nada fazer, como é aquilo?


(Cabo Verde. Mindelo.2005/ Revisto a Maio-2011)

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