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| Criança Luminosa |
A varanda é branca com o sol estampado ainda por cima e ao
lado há o azul cobalto das águas do mar e do outro, as muitas árvores da Mata
Atlântica emaranhadas nos seus verdes a erguerem uma montanha até à beleza de
um imenso céu, onde muitos pássaros coloridos até nos sons que espalham me
esquecem nos seus voos e só muito tempo depois, felizmente acabo por cair em
mim.
Aqui ao lado, as folhas das palmeiras continuam penteando a
aragem que corre atrás de si e por vezes alarga-se até à mesa e leva-me as
outras folhas as palavras, o que me importa?
Na rua as pessoas passeiam-se devagar no meio do tempo.
Saboreiam os encontros, param aqui e acolá, trocam poucas frases, poucos
gestos, coisas simples, como um sorriso cúmplice na caminhada, já é Tanto!
1 pescador idoso, de boné ainda vermelho e corpo fechado,
está esquecido ou estará a lembrar-se, a olharolhar o mar como se lesse um
texto.
Há em tudo uma paz impossível aproximando-se provavelmente
a um sopro distraído de deus no meu olhar
(Gaibu. Estado Pernambuco.
Brasil.)
J. A. M.



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