José Alberto Mar. Com tecnologia do Blogger.

12.6.26

HÁ UMA DOENÇA DE SOMBRAS

Pintura. J. A. M.



Há uma doença de sombras. Entranhadas no ar, nos ritmos apressados dos dias, nas pessoas que deambulam entre estes.
Mas as sombras são como todas as sombras: germinadas por uma luz. Esta luz é cega, distante, não se vê. Apenas alguns a pressentem. Por dentro, é por dentro que novas sementes rebentam e quando crescem o suficiente toldam os olhares. E algumas pessoas começam a ver novas flores que as outras não vêm, pois há uma doença de sombras.

Entre a vida e estes dias sonâmbulos instala-se um esquecido tempo sem nomes verdadeiros ou com demasiados nomes. Aparências. Muitas notícias em algazarra. Sinais para as pessoas se ampararem.
Alguns mais desesperados matam-se. Outros resignavam-se, à espera. A morte, apesar de sempre presente, disfarça-se de esquecimento. Anda-se de um lado para outro, através de distrações perenes. No fundo, ninguém se vê a si próprio nem vê os outros, porque há uma doença de sombras. No entanto, alguns vislumbram o que parece ser natural. Falam destes tempos de mudanças, sem ninguém os escutar. Acomodam-se num silêncio de ouro que cresce somente para eles. Aparentemente. Outros ainda gritam sem ecos. Aparentemente, pois tudo é um vasto Mundo cada vez mais ligado.


( J. A. M.)

 

 

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