| A Ver-O-Mar-2018 .......
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23.9.18
20.9.18
17.9.18
(série): DIÁSPORAS AO DEUS~DARÁ
ESTRELAS APAGADAS
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| foto de J.A.M. - Póvoa do Varzim-Set.2018 ~ http://www.ofportugal.com/cego-do-maio-jose-rodrigues-maio-um-verdadeiro-heroi-do-mar-portugues/ |
Já a noite
tinha sido iniciada, os pescadores juntos sentados calados curvados olhavam
presos por um fio emaranhado de leves & ondulantes pensamentos o horizonte como quem lia 1 texto antigo.
Entretanto
as nuvens de um lado para o outro, fragmentariamente orquestradas pelo seu
próprio destino, lá iam impavidamente diferentes. Nada se cruzava e tudo estava
ligado.
Os barcos
continuavam a baloiçar o cais. O mar sempre estivera ali como se fosse eterno.
Como um eco longínquo que ainda perdura pelo poder dos olhares de muitas
gerações.
E os
pescadores aguardavam como quem espera e também não, a hora da partida. Em casa
os filhotes choramingavam por comidas diferentes e as mães
afagavam-lhes os cabelos, com um sorriso esboçado junto ao aconchego do útero.
Os
pescadores, disse-me um dia um amigo vagabundo nas viagens, viraram estátuas
fixas e ali estancaram para o gáudio dos turistas que acudiam aos magotes &
as crianças agora pediam moedinhas com uma vida inteira moribunda nos olhares.
J.A.M.
(rasscunho Nº 171)
(Póvoa do
Varzim. Douro Litoral. Portugal-1999)
( AVISO aos meus Leitores )
O José Alberto Mar, resolveu Avisar os seus leitores de que, existe um livro intitulado : " O Inventário do Sal " editado por ?, do poeta José Alberto Postiga *, mas que mercê de uma cambada de lapsos de pessoas , a meu ver, muito distraídas, digamos assim, circulou desde o seu lançamento num evento literário (Fevereiro de 2017), com a autoria de José Alberto Mar.
Na altura (e para que a presente tentativa de esclarecimento tenha a eficácia possível) o poeta & artista visual, José Alberto Mar (pseudónimo registado na SPA , em 1988, + ano - ano), após ter sido informado de tais confusões, procedeu segundo aquilo que as suas normas éticas lhe ditaram, mas perante a evidência de que realmente, (pareceu-lhe, na altura) existe o facto de haver pessoas com os habituais 2 ouvidos mas que não os utilizam, como creio bem ter sida a intenção de Deus ao oferecer-lhes tais apetrechos, então 1 tanto ou quanto consternado, entregou o caso às entidades que julgou serem as mais convenientes, em termos de uma pressuposta legalidade , para efetuarem o seu devido trabalho.
Como tinha um compromisso inadiável no estrangeiro & não tem tempo para estas trapalhadas, foi-se à Vida e , agora voltou ao assunto, simplesmente e somente, por uma questão de respeito para com os seus leitores atuais e eventualmente futuros.
* abraço.
Bem-hajam & desculpem a maçada.
José Alberto Mar
José Alberto Mar
14.9.18
postais
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| Sr. Dr. zé kalunda ~ ( presentemente em férias, como consultor do Rei, no Reino do Butão ) -.- P.S. houvesse , lá em Portugal, reis assim concentrados nas suas devidas funções & bem humildes. |
13.9.18
koisas de Cuba (2ª dose)
(...) também lhe obedeci.
Aquele facto em si, pareceu-me descabido para o momento cercando a noite deveras concentrada senti-o assim, mas estava 1 tanto ou quanto longe da alegria da vida, reconheci depois. Aos poucos aproximei-me perante a teimosa imagem das asas impostas pela penumbra (a pirisca continuava acesa) - era uma ave negra, fulgurante no seu estar ali realmente presente e também tinha havido uma noite de bréu que agora parecia resvalar para. Em função de ambos os lados, algo se deixava explodir como um sussuro por dentro* aparentemente ausente pela desatenção de quem ainda não sabe. Era, mais uma vez, a figura da espiral no caminho, arquétipo de quem viaja. Então acendendo + um fogo que já era "Romeu & Julieta" (desde 1875), 1 charuto cubano dos buenos, disseram-me alguns amigos do ofício ( & lembro: que sei eu? ) foi nesta montanha de incálculáveis verdes & flores que só sonhei quando era criança, que eu aprendi como ser, um pouco, mais humano.
Enquanto a ave desaparecia sem deixar rasto algum. Para onde te piraste, visita? Ainda hoje a vejo algumas vezes, enquanto adormeço: azul ou branca, cor-de-rosas, cor-de-laranjas, por aí.
* e os relâmpagos sucediam-se & seduziam-me.
* e os relâmpagos sucediam-se & seduziam-me.
(Trinidade. Cuba.)
- rascunho Nº9 -
12.9.18
reflexos
11.9.18
a luzinha azul
acrescentando aos dons da noite
o simples coração da luz
onde há estrelas vivas nos olhares
~ cantando ~ dançando ~
nas agrestes curvas da escuridão
que os meus braços despedem
em tantas mãos amigas
- como não vos ser grato ?
10.9.18
9.9.18
koisas de Cuba (1ª dose)
de onde em onda, os relâmpagos ao fundo assinalavam as vertigens da noite. Aconteciam esporadicamente como se fosse por acaso, como se o acaso não tivesse dono. Pareciam lentos nas suas próprias demoras nos olhos até nos sons que só aconteciam às vezes, como as súbitas surpresas que nos caiem bem.
Entretanto
o terraço na escuridão sem algum fim à vista desarmada, até havia estrelas que me permitiam vislumbrear a lua acesa no seu C.Q., e eu pensava: eu cresço eu estou a fazer por isso sem qualquer esforço basta navegar-me, deixar-me conduzir pela luz que me acontece, subir & descer, ser corrimão & escada, já não ser eu, que maçada prazenteira. Depois esquecia-me praticamente de tudo e sentia como as minhas (?) asas deslizavam, amparadas por uma excelsa luz bem estranha.
o terraço na escuridão sem algum fim à vista desarmada, até havia estrelas que me permitiam vislumbrear a lua acesa no seu C.Q., e eu pensava: eu cresço eu estou a fazer por isso sem qualquer esforço basta navegar-me, deixar-me conduzir pela luz que me acontece, subir & descer, ser corrimão & escada, já não ser eu, que maçada prazenteira. Depois esquecia-me praticamente de tudo e sentia como as minhas (?) asas deslizavam, amparadas por uma excelsa luz bem estranha.
Aconteceu-me à uns séculos atrás, às tantas de uma escuridão prolongada na boca escancarada de um lugar aprovado pelos seus deuses bem atentos nestas circunstâncias uma ave "obscura" veio poisar na mesa onde 1 cinzeiro de cobre estava na altura dourado por uma pirisca de Hollywood ainda viva. Olhou-me nos 2 olhos e eu atarantado de todo também (...)
( Trinidade. Cuba. Casa de Yulian.)
- rascunho nº 15 -
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| Obra de CUNDO. Museu Nacional de Belas Artes. Havana.Cuba. Foto do androide de j. a. m. ~.~.~.~ Link:https://youtu.be/Av_Rn2cegEs |
8.9.18
koisas do moleskine
& houve 1 dia que cortei a cabeça, coloquei-a por baixo do braço mais disponível na altura, e fui passear-me. Nada de sangue, nem dramatismos. Apenas uma imagem deambulando pelas ruas sempre improváveis da vida, os olhares interrogados dos meus keridos irmãos mortos, ao longe~ao~longe longínquamente o sopro subtil acolhido num acto em princípio bué de strange nos cardápios gerais, mas claramente - a meu ver - perfeitamente integrado nas coisas realmente vivas do mundo, isto é, da Natureza.
Aos poucos a maçada da posição resolveu-se per si tendo a cabeça entrado paulatinamente para dentro do corpo e indo posicionar-se naturalmente no oceano das infindáveis células do que ainda pensava ser dono.
Deixei-me das ciências macacóides das máscaras, Deus lhes acuda pois sem a cabeça, como? E, de todas aquelas trapalhadas das divisões infernais: por um lado penso assim, por outro lado sinto assado, o que fazer? rien; eu sou mais pequeno do que tu mas já sou maior do que aquele, um dia destes vou ser o Maior de todos vocês, os malvados exemplos caiem sempre lá de cima dos desalmados de gema podre, sempre os mesmos heróis na história são eles que a ditam, os impróprios da Humanidade a escumalha maldita seja a eterna deriva abençoada como sempre tem sido, por deuses sem fim, 1 dia destes, ai! UM dia destes já tudo começou mas eles continuam à deriva por caminhos ímpios de luxúrias vãs & graves distrações humanas e o povo aguarda em silêncio, que remédio, a chama que sempre lhes pertenceu por mérito de muitas fomes & sofrimentos ,
eteceteras.
eteceteras.
Hoje ando por aqui ou por ali ou por além, e acontece-me uma clareza consentânea e unânime, nos meus deles destinos.
O sol vem e volta quando eu quero sem nada querer, a lua também está viva & alegórica é quanto nos basta
Quanto à sede essa me é infinita. Graças a d+EUS.
Quanto à sede essa me é infinita. Graças a d+EUS.
A bem dizer, tudo está no seu devido lugar e nunca + vo(l)tei atrás.
(rascunho Nº 23)
~
( postagem de: Sir aLgood )
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"Pessoas especiais como você têm em si a essência da amizade, para perfumar o mundo com amor verdadeiro. Pessoas especiais são como anjos, com dedos de condão, para tocar com magia o semblante dos que amam. São dádivas de Deus, para abençoar os caminhos daqueles que cruzarem os seus."
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29.8.18
Msg a Garcia
foto trabalhada de j. a. m. - Cuba
-.-
Em vez de maldizer a escuridão, por que não tenta
acender uma vela?
Tulku Urgyen Riponché
27.8.18
postais
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| -.- sr. dr. zé kalunga -.- ~ ( foto trabalhada a partir de pintura do W.C. do bar-restaurante VanVan, Habana, Cuba)
https://youtu.be/53bNC6wHWkI |
26.8.18
para alguém será
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| foto: j.a.m.- Póvoa do Varzim ~
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| foto trabalhada sobre pintura de pintor anónimo cubano-2018 ~~~
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~ tranquilamente a dança continua ~
Caminhava sozinhamente feliz
por um caminho muitos na floresta algures na ilha maior da Caraíbas quando me
aconteceram vários pequenos milagres.
(permanente a
fonte nunca se esquece de me matar a sede.)
1º atravessei uma ponte elaborada com paus & espessos cabelos de árvores entrelaçados sobre um chão de águas
translúcidas até às cores dos peixes tontinhos de todo nas suas curvas onduladas e depois, cada árvore era um
momento feliz para os olhos e aconteciam muitas sucessivamente e em simultâneo, uma após
outra havia uma luz que estremecia a cada instante poisada no centro silente das deslumbradas flores no meu olhar, luz levantada pelas borboletas
amarillas que celebravam uma cascata
hediondamente abismada no meu prazenteiro banho bem demorado no corpo inteiramente nu, vislumbrando tokoloros e outras aves mais altas & longas nas asas suaves e mais depois, re+parei no
tronco de um arbusto movendo-se sozinho sem dono arrastando o único caminho estreito que havia para dentro da mata, qual animal sem
patas acossado por alguém o tinha quebrado pela espinha surgiu agora a metáfora, uns turistas intrigados
também olhavam aparvalhados (& mal eu apareci eles rodopiaram e desapareceram em bando, eram brancos das europas) , foi mais um
espanto ali aos meus pés *, novidades sem preço que a vida nos dá quanto a deixamos
entrar e ainda + depois, encontrei duas crianças num outro rio, apanhavam peixinhos com um saco de serapilheira
sem qualquer intenção após a brincadeira vi que também os bichinhos brincavam num balde roto de propósito(s) & lá regressavam ao seu imenso paraíso,
uma era assim calada & presente no seu olhar triste de índia e a outra era viva nos gestos, com 2 pequenos corações de ouro nos brincos de argola, a certa altura
da nossa alta conversa bem rasa, inclinou-se para uma flor branca ali vizinha de nome mariposa(1) e eu saboreei o seu cálido aroma e, de repente, reparei melhor na luz submissa
que os rostos das meninas continham onde o sol se demorava acordado, deleitado,deitado, enfim.
Saí de lá com 2 beijos
repartidos & um aceno de mãos a fechar a curva do caminho de regresso para um outro mundo, até ao destino provisório daquela longa tarde ou já era noite?
* passou-me pela cabeça que o leitor talvez pense que não entendeu bem esta écfrase, claro que a compreendeu à sua maneira.
(1) " Em Cuba, é muito comum desde o
século XIX em jardins e pátios, e também como uma espécie naturalizada em
lugares selvagens com solos húmidos, como nas margens de rios. É muito
apreciado desde os tempos coloniais pelas mulheres, que eram então adornadas e
perfumadas com suas flores (…) Tanta é a sua popularidade, que em 1936 foi
declarada a flor nacional de Cuba por uma comissão de botânicos e jardineiros.
Isso parece surpreendente porque a mariposa não é indígena de Cuba. Mas eles, na sua escolha, levaram em conta não apenas a sua grande popularidade, mas também o facto de que, durante as guerras da independência, os seus intricados ramos serviram de
esconderijo para as mulheres patriotas transportarem importantes mensagens
clandestinas. Em Buenos Aires, foi plantada em um jardim internacional para representar
Cuba, juntamente com as flores nacionais de outros países."
link:http://www.cubanaturaleza.org/es/flora-vegetacion/-flores/-flor-de-mariposa-white-ginger-hedychium-coronariu.html
Tope
de Collantes, Cuba. Agosto-2018.
(
Rascunho Nº 22)
beija~flores
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| - foto tranformada por j. a. m., de mural cubano, Habana - - Música do grupo Calcinha Preta: https://youtu.be/Ir_D0sfAlXw |
22.8.18
postais
" Perhaps it’s time we realize that consuming more news about the world around us is not the way to improve it (or ourselves), personally or politically. "
Chá de tília
aconteceu-me 1 sonho.
E, de repente ~ vi que tudo é real.
O amarelo dos girassóis deslocou-se
para o esquecimento
& se fez ouro na 8ª retina da sinfonia
e depois eu vi uma abelha procurando mel
ke eu bebi no chá de tília
docemente saboreio a vida
que dEus me está a dar
( raskunho N 10.08-2018 )
21.8.18
20.8.18
menina com flor no 3º olho
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| imagem trabalhada por j. a. m., a partir de foto de Diogo F. Lastra. ~
" Pela sua natureza, o Atman é eternamente livre, sem forma e está além de qualquer ação. Sua identidade com os objetos é imaginária, irreal. Dizemos “o céu é azul”, mas o céu tem alguma cor? "
Shankaracharya https://youtu.be/aP8THYfozHg |
postais
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| foto~trabalhada de j. a. m. na "calle" de um bar reconhecido, em Havana. Tem haver com 1 escritor que viveu , segundo soube através do próprio, 20 anos em Cuba. |
19.8.18
18.8.18
msg a Garcia.
" por que temos tanta necessidade de encanto e beleza? Porque a beleza e o maravilhamento fazem parte da nossa essência fundamental. Por isso, estamos sempre buscando objetos, paisagens ou pessoas para projetar o que somos intrinsecamente ".
( Paulo e Lauro Raful)
~ https://youtu.be/VPAXwfosBQc ~
28.7.18
27.7.18
postais
" Os ácaros apresentam uma alimentação muito diferenciada entre os grupos, podendo ser parasitas (...) alguns grupos são predadores (...) " - Wikipédia.
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24.7.18
Msg a Garcia.
“Morfeu: A matrix está em todos os lugares. Está em tudo à nossa volta. Mesmo agora, neste quarto. Você pode vê-la quando olha pela janela ou quando liga a sua televisão. Você pode senti-la quando vai trabalhar… quando vai à igreja… quando paga os seus impostos. É o mundo que foi colocado diante dos seus olhos para cegá-lo e mantê-lo longe da verdade.
Neo: Que verdade?
Morfeu: que você é um escravo, Neo. Como todos os outros, você nasceu em servidão. Numa prisão que você não pode saborear ou ver ou tocar. Uma prisão para a sua mente”.
(Matrix)
P.S. " Por favor, não responda para esta caixa postal, destinada exclusivamente ao envio de mensagens informativas".
P.S. " Por favor, não responda para esta caixa postal, destinada exclusivamente ao envio de mensagens informativas".
23.7.18
22.7.18
em Abril águas 1000
1 pirilampo aqui outro acolá na espessura da noite por
detrás da sebe deste jardim há 3 sobreiros unidos com troncos rugosos onde a cortiça
respira e cresce sem darmos por isso e as folhas todas juntas formam uma
cabeleira que estremece & dança, muito espaçadamente, com a aragem que
sopra dos lados do mar enquanto pedaços de algodão dos álamos esvoaçam e uma sisão (1) algures espalha as
pautas.
De repente, a chuva parou. Gotas de água escorrem de
folha em folha e depois apagam-se no chão onde as raízes das plantas absortas se
abrem aos desejos da sede. E as folhas cintilam sob o peso da luz que cai dos
candeeiros. E são belas assim, nos seus verdes flamejantes contra as
obscuridades à volta. Na superfície azulada de um pequeno lago provisório,
estranhamente ondulado, está a lua estampadamente enorme.
(1) declarado a "Ave do Ano 2017", em Espanha.
(rascunho nº 151)
20.7.18
12.7.18
Diásporas ao Deus~Dará
já há uns bons tempos que não ia a um restaurante chinês e então hoje,
sei-lá-porquê, deu-me para ir ao Restaurante da Rosa, mas afinal a Rosa andava
por outros jardins…
Mal entrei, fui imediatamente recebido por uma jovem chinesinha que me
abriu o espaço com uma larga simpatia que me surpreendeu. “Isto já teve
melhores dias”, pensei. Sentei-me, retribuindo q.b. a simpatia da menina com um
sorriso até sincero lá no fundo.
Comi algo comestível, e o melhor foi a salada, mastiguei esquecidamente os
vegetais que depeniquei na travessa, com o complemento direto de um Evel branco fresco e para enlaçar a
coisa no fim: café & saqué de rosas.
Enquanto o laço não acontecia, olhei à volta para os altos-relevos e as
pinturas com o tal brilho eclético dos plásticos o que me seduz muitas vezes são as
palavras desenhadas em mandarim, e olhando-as traço a traço, invento traduções
rocambolescas, pois só cada uma dá pano para mangas.
Ponho-me a observar, comedidamente é claro, a empregada chinesinha bem acompanhada
pela luz morna do local, fininha, impávida, e tentei adivinhar-lhe algo de
dentro dela mesmo, para além da
epidérmica empatia já demonstrada.
Não estava a ser fácil chegar a outros portos...
O café e o respetivo anexo chegaram, a pikena
estava por aqui há 1 ano, respondeu-me, com o seu ar naturalmente aprumado, já
arranha o português do cardápio e até um pouco mais e, mais uma vez, aquela incerteza de eu a olhar, olhos nos olhos,
e ela espreitar-me sei lá de onde. Disse-lhe que era um antigo cliente da casa,
perguntei-lhe onde parava a Rosa e ela disse algo de “Avero”
(Aveiro?), acrescentei mais umas lérias oportunamente circunstanciais tentando
prepará-la psicologicamente para me oferecer, por decisão própria se possível,
o 2º saqué de rosas, que afinal no tempo da Rosa era trigo limpo, ai que porra.
E eu gosto deste “bagaço”, não sei bem se é pelo saqué em si e o seu efeito
em mim, se é pelas rosas, pois eu amo todas as flores, eu amo as cores, eu amo
os aromas, as suas elegâncias, os silêncios, as sombras, a permanente entrega
aos outros e a si próprias, Oh! como eu amo as flores. Sempre tranquilas sempre
à mão de semear de qualquer mão amiga ou matreira, eu amo despudoradamente
estas criaturas de deus, que não se cansam de me ensinar coisas das artes e da
vida.
Entretanto dediquei-me ao café e ao tal néctar, que acontece em cálices
pequenos, rendilhados com dragões a fumegarem linhas curvas, e eis a piada da
primeira descoberta: quando a coisa está cheia, a gente ao beber o primeiro
gole repara que lá no fundo está uma sr.ª toda descascada numa pose abertamente descarada e a gente olha e das duas uma, ou ficamos enlevados
eternamente por caminhos lúbricos & afins ou então continuamos a bebericar,
pois em princípio é este o objetivo do ato, enquanto a provocação se vai
diluindo no fundo vazio do olhar, até desaparecer de todo.
Bá-lá, entretanto a música? suave & calma parece mal dizer oca,
obrigava o maralhal ali presente, demasiado próximo ao meu território, a
amainar a algazarra com que tinha entrado, o que eu agradeci muda e
convictamente aos músicos chineses, aos deuses chineses e também portugueses e
a tudo o que ocasionalmente tinha contribuído para tal. Cansado de vislumbrear,
pedi a conta, que remédio, com um gesto arredondado de uma só mão (mas ainda
com umas ténues esperanças do que seria provável acontecer-me) e o tal saqué de
borla Lá Surgiu, meticulosamente colocado ao lado do raio da conta. Enfim, vale
mais tarde do que nunca (dizem eles que um dia, um dia é que vai ser) e rejubilei
saborosamente por ter reavido tal privilégio, atirando o último trago goela
abaixo e sentindo-me deliciado com o fogo que se extinguiu melodiosamente pelo
corpo todo.
Com tais sortilégios acontecidos, saí para a rua bem senhor de mim mesmo e
do meu destino, fogueei 1 cigarro no meio da noite e algumas estrelas
permitidas pela névoa citadina deixaram-me que tal acontecesse: neste antro
insano de concorrências, foi milagre !
(Rascunho Nº 216.Portugal.2010)
11.7.18
7.7.18
Acta de uma Flor num dia de Verão. ( postagem dedicada aos Sr.s Professores. Até Quando?)
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| autor: j. a. m. -.-
|
6.7.18
cem títulos
(...) falo-te das sombras acesas das koisinha da
vida, essas paisagens atravessadas pelo rigor dos dias & das noites, exatamente
como se todos os lugares tivessem a mesma forma do que és.
Vivemos por circunstâncias dizem, sempre dentro sempre fora, muito mais dentrofora do que pensas saber quando ainda pensas, com a tua liberdade, quando existe, e
o nosso desconhecido destino comum nada distraído em nós.
frondosas árvores crescem sobre pedras.
(1999)
2.7.18
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