28 Novembro 2009

Sr. da Pedra

- Foto. j.a.m. -

06 Novembro 2009

A Cabeça no Outono

- Foto. "Monte Cara", Mindelo, Cabo Verde. j.a.m. -

30 Outubro 2009

UM LUGAR À SOMBRA

- Foto. Turquia. j.a.m. -


(.....................................................)

É necessária uma longa preguiça
laboriosa distracção para que o acaso encontre
as portas do seu espírito.

É preciso aguardar atento

esses nomes estremunhados ainda
circulando sobre os corpos a espera
no sono disfarçado pelas mãos.



(extracto.in,"As Mãos e as Margens", Editora Limiar.Porto.1991)

25 Outubro 2009

a eterna travessia por agora ficamos assim

- Foto. Tunísia. j.a.m. -

bilhete aceso (3º)



.. no entanto, ainda há os dias que virão, as velas acesas dentro dos corações animados para cima dos sonhos e estes como gritos acordados a chamarem o corpo para o equilíbrio das vozes inspiradas e tudo o que realmente é desconhecido como um desenho esboçado à felicidade do Homem - quanto tardas?


..e do animal às asas nos símbolos ocidentais da brancura, as imagens nos tempos que correm já ultrapassam as visões dos homens de génio, ainda espero desesperado uma espécie de justiça entre os homens, porque é que a ganância nunca mais sabe encontrar a sua morte?..

bilhete aceso ( 2º)



...regressa..debruça-te sobre os teus primeiros sonhos enquanto eras criança era a água metafórica a respirar para cima, o teu corpo aberto ao sol e às perguntas que amadureciam com as folhas das árvores, verdes, verdes eram as emoções impressas dentro das noites que acordavas, a infância é sempre tão vasta e desprendida, não era?..

24 Outubro 2009

bilhete aceso (1º)



....colher dos teus olhos a voz que me chama sei lá para onde eu olhe o teu corpo está nu e eu vejo-me despedido pela natureza e já não é a carne, nem os cabelos, nem a púbis, é outro o espanto que me afronta, talvez volte aos teus olhos e ao fundo dessa luz irei a caminho de quem me cativa assim, sem mais nenhuma palavra embalo a noite que me leva...e já nada tem haver contigo.. é outra a chama que me chama..
.quantos deuses são inventados nestes percursos?..

a porta

- Foto. Tunísia.j.a.m. -

ALGURES


Estou na ponta d,areia. Sentado à sombra. O guarda-sol é cor-de-laranjas maduras e à minha frente há o mar vivo e aceso.No céu vários tons azuis luminosos descem naturalmente sobre tudo o que é vida.
À minha volta, o povo espraia-se finalmente no seu sábado.
Há gazelas morenas, umas a seguir às outras, é difícil acompanhar com a devida atenção tantos ritmos ondulantes e belos, sob este sol de deus.
Também as crianças vivem à-solta por aqui, onde o mar larga de vez as suas ondas e dão cambalhotas e correm chapinhando a água dócil, entre pikenos sal/ tos, de quem está mesmo felizmente feliz.
Passa alguém com uma caixa transparente pelo braço e leva ovos de codorniz, camarão cozido, umas comidinhas que outros irão comer, concerteza.
Olhando para trás, vejo dois candeeiros públicos ainda acesos a despontarem por entre os altos verdes das árvores sossegadas e claramente alheadas do assunto.
É de lá, dessas bandas, que chega até aqui aquela música popular, sempre a tocar as esferas do coração. Tem jeitos de frases muito simples e até bem fundas se as deixarmos espalharem-se pelo corpo inteiro. Muitas pessoas, cantam-nas em grupos e alegram-se simplesmente assim.

1 papagaio caiu agora a meus pés e só agora enxergo que é feito de plástico que já foi saco de super-mercado, mais uns pauzinhos de coqueiro aliados, e ainda mais agora, o menino já o ergueu no ar e aquela coisinha frágil, como TUDO, dá curvas sozinho com a sua cauda louca sem tino, esburacando o espaço, rodopia veloz e depois..,
já nem tanto..
cai

no chão sólido do mundo e a criança continua a ser uma criança a brincar e já é muito, tomara eu.
A menina do bar, mais crescida, mini-saia de ganga boa perna, camiseta vermelha viva desabotoada até incerto ponto, de bandeja prateada na mão esquerda, já aviou mais umas cervejas "Sol", a uns jovens que estão prá-lí num forrobodó evidente.
Um bandozito de pardais passa à frente do meu olhar a rasarem o grande areal, com cadeiras & mesas, azuis, vermelhas, brancas e cinzentas. E, desaparecem numa curva uníssona do tempo," o que é feito deles?", enquanto uma parte de mim ainda se regala a fazer jogos infindáveis com as cores do cenário.

Lá adiante, lá ao fundo, uma tira horizontal de água evidentemente salgada mais cintilante no brilho, parece fazer-me um apelo secreto e pessoal, mas agora não me apetece falar disso




(Texto revisitado.2009.Original de São Luís do Maranhão -2007)

23 Outubro 2009

- Foto. Perto de Natal.Brasil. j.a.m.-

“Quem sabe esperar pacientemente é um vencedor”.


(Anônimo)

14 Outubro 2009

- Imagem fractal. Net s/ autor -

13 Outubro 2009

JÁ FUI AO PARAÍSO



Há coisas do diabo. Já fui ao Paraíso. E voltei. Era um lugar sem a chatice dos turistas, a uns bons quilómetros de Recife, em direcção a um dos pontos cardeais do mundo.

Estava já quase acordado na cama do meu quarto, no Hotel Europa, quando a Ana e a Joyce abriram a porta cheias de sorrisos floridos e me convidaram para dar um passeio pelas franjas de Gaibu. Lá fomos, que nem 1 trio harmonia pelo dia adiante.

Passámos pela linda praia de Calhetas, onde vi ondas debruçadas sobre a própria espuma e mais espuma sempre, depois de serem verde-esmeralda e azul-turquesa, e também vi uma foto do jovem Eusébio no bar lá do sítio, ao lado de N ilustres que por ali tinham po(u)sado algures, ao longo dos seus destinos. Depois, continuámos a caminhar por entre árvores, plantas e flores de muitas cores e aromas, até que, a certa altura, num morro inesperado e cheio de azul muito azul do céu, vi uma tabuleta tosca de madeira com a palavra: “PARAÍSO”.

As minhas companheiras apanharam o meu ar aparvalhado e eu apanhei-as a sorrirem apenas cúmplices. O que é que eu tinha a dizer?

Lá descemos entretidos com os pés de cada um, a saltarem de pedra em pedra, até que desembocamos numa espécie de praia com a água muitomasmuito transparente e a areia quase prateada pelo pôr-do-sol que se diluía pelas águas até ao esquecimento. Sentámo-nos a olhar e a escutar o mundo através daquele ponto de vista, dentro do ponto de vista de cada um e os três sentados juntos com as 6 vistas desarmadas, despidas, deliradas. Já não sei, e pouco me importa, o tempo (o tempo?..) que poisámos ali, a respirar aquele simples paraíso tão simples realmente em tudo. Lembro-me vagamente que as palavras eram coisas a mais e a ninguém lhe passou pala cabeça falar de tal coisa.

Quando regressámos a Gaibu, numa camioneta que ainda circulava, já lá estava instalada uma noite claramente aberta á nossa festa.


- Gaibu-Recife. Brasil. 2006. Texto revisto -

12 Outubro 2009

"A Beleza Derrota-me"

- Técnica-Mista. j.a.m. -


"Ó beleza! Onde está a tua verdade?"

(William Shakespeare)


05 Outubro 2009

- Imagem construída. j.a.m. -

03 Outubro 2009

Série : O(s) GRITO(s): A IDEOLOGIA DO XICO-ESPERTO


"Poucas serão as escolas em que o professor não anime entre os alunos o espírito de emulação; aos mais atrasados apontam-se os que avançaram como marcos a atingir e ultrapassar; e aos que ocuparam os primeiros lugares servem os do fim da classe de constantes esporas que os não deixam demorar-se no caminho, cada um se vigia a si e aos outros e a si próprio apenas na medida em que se estabelece um desnível com o companheiro que tem de superar ou de evitar.

A mesquinhez de uma vida em que os outros não aparecem como colaboradores, mas como inimigos, não pode deixar de produzir toda a surda inveja, toda a vaidade, todo o despeito que se marcam em linhas principais na psicologia dos estudantes submetidos a tal regime; nenhum amor ao que se estuda, nenhum sentimento de constante enriquecer, nenhuma visão mais ampla do mundo; esforço de vencer, temor de ser vencido; é já todo o temperamento de «struggle» que se afina na escola e lançará amanhã sobre a terra mais uma turma dos que tudo se desculpam.
Quem não sabe combater ou não tem interesse pela luta ficará para trás, entre os piores; e é certamente esta predominância dada ao espírito de batalha um dos grandes malefícios dos sistemas escolares assentes sobre a rivalidade entre os alunos; não se trata de ajudar, nem de ser ajudado, de aproveitar em comum, para benefício de todos, o que o mundo ambiente nos oferece; urge chegar primeiro e defender as suas posições; cada um trabalhará isolado, não amigo dos homens, mas receoso dos lobos; o saber e o ser não se fabricam, para eles, no acordo e na harmonia; disputam-se na luta(...)".

Agostinho da Silva, in 'Considerações'

01 Outubro 2009

Série : O(s) GRITO(s)

- Imagem da Net. S/ autor referido -

Série : O(s) GRITO(s): E-Mail


"Houve 1 e-mail, de Abril de 2008, que se soltou do jornal o público e foi parar a um jornalista da ilha da madeira e depois ainda foi foi cair no jornal diário de notícias e mais tarde voltou aparecer no jornal o público, um mês antes das campainhas das eleições e entretanto o sr. presidente da república de portugal disse que não dizia nada acerca do assunto mas disse-o distinguindo o seu braço direito de há 25 anos tornando-o o seu braço esquerdo no meio de 120 pares de braços que por ali andam a esbracejar, e agora, depois do p.s. ganhar a eventual continuidade do desgoverno do país, o sr. presidente deste local em causa, apareceu em todas as televisões a dizer que suspeitava andar a ser espiado pelos ouvidos do "S.I.S.Tema" do já referido desgoverno, mas a gente que ouviu aquilo não entendeu patavina do desabafo, embora pelo visual dê para perceber que a "coisa" parece séria e o sr. presidente já não está para brincadeiras do género e francamente eu também já perdi mesmo a paciência para aturar esta cambada".

29 Setembro 2009

Outra Vez

- Imagem construída. j.a.m. -


Estremece a estrela que vive naturalmente aberta
à escuridão
e nos 2 olhos cintila
o véu do instante, a aparência maior
do que é superfície e aí se afoga
na multidão dos dias a vida é mecânica
Vejo nos gestos o silêncio amparado
pelo silêncio que aspiro, o lugar onde
qualquer semente pensa
sonhando com tudo
pois nada do que é fruto
acontece sozinho.

(Set.-2009)

Série : O(s) GRITO(s) : Discurso do sr. presidente da república de portugal, prof. aníbal cavaco e silva acerca do último tabu nacional:

20 H. do dia 29-09-2009

28 Setembro 2009

Série : O(s) GRITO(s): Noite Eleitoral

- 13 ângulos. Imagem construída. j.a.m. -




" O PAÍS ENDOIDECEU"



-Alberto João Jardim. 27.-Set.-2009

26 Setembro 2009

25 Setembro 2009

Série : O(s) GRITO(s): A Pesar emTudo: EU VOTO

- Foto. j.a.m. -

21 Setembro 2009

Série : O(s) GRITO(s): DECLARAÇÃO DO SR.PRESIDENTE DA REPÚBLICA DE PORTUGAL, Prof. Aníbal Cavaco Silva, SOBRE ESTADO DO PAÍS:

Série : O(s) GRITO(s) : "O GRANDE SILÊNCIO"

"As duas grandes superfícies políticas parecem ter um Estado-Maior conjunto cuja missão é convencer os portugueses da inevitabilidade fatal de eleger um deles.

Nestas eleições, até aqui, tudo se está a passar como se PS e PSD tivessem feito um pacto formal de não trazer à discussão pública questões do carácter de quem nos governa, tem governado e quer governar. É um contrato simples: se o PS não falar do BPN, o PSD não fala do Freeport. Se o PSD não falar de Lopes da Mota, o PS não fala de António Preto. Num país onde a justiça é o mais desacreditado e ineficaz sector do Estado, Manuela Ferreira Leite escuda-se num suposto código de valores judiciais que a obriga a não falar de casos em investigação ou entregues aos tribunais. Esta matriz inflexível de conduta, repetida como uma litania contra o quebranto, tem tido o efeito de escamotear do debate público os mais graves episódios da história da democracia em Portugal. Com esta atitude pactuante, Manuela Ferreira Leite passou ela a ser, também, parte da "asfixia democrática" que diagnosticou no regime de Sócrates. Uma asfixia que está a conseguir sufocar em poucos dias o gritante acto de censura socialista na TVI, porque é impossível falar de Manuela Moura Guedes e do seu defunto Jornal Nacional sem falar de Freeport e de Sócrates. Isso faria despoletar imediatamente uma série infindável de represálias socialistas que começariam no indiciado António Preto e acabariam no arguido Dias Loureiro com todas as histórias mal contadas sobre a Sociedade Lusa de Negócios e os financiamentos partidários. Provavelmente o PSD de Manuela Ferreira Leite encontra justificação para este pacto de silêncios no insuportável tacticismo articulado por Paulo Rangel quando disse que a ética e a política eram compartimentos estanques na vida pública. Tudo somado, no actual PSD, encontra-se uma estranha e perturbante continuidade entre a tese da necessidade de suspensão temporária da democracia que Manuela Ferreira Leite articulou (lapsus liguae ou ameaça?) e a busca de justificações para o comportamento presente na doutrina de Nicolau Maquiavel que Rangel claramente fez na Universidade do PSD. É altura de formular a eterna questão: - Será sensato comprar um carro em segunda mão a esta gente? Por outras palavras: - É este partido a alternativa? Só pode haver uma resposta lúcida. - Nem mais nem menos do que a gente do Freeport e da TVI. Tudo se está a passar como se as duas grandes superfícies políticas tivessem um Estado-Maior conjunto cuja missão fosse convencer os portugueses da inevitabilidade fatal de eleger um deles. E não tem que ser necessariamente assim. Há ética para além do que Maquiavel diz, mais liberdade do que o politicamente correcto martelado à custa de censura e mais possibilidades do que escolher o voto meramente entre BPN e Freeport. A coligação de interesses do Bloco Central já nos fez chegar à grande crise mundial com desvios nos indicadores de desenvolvimento que prenunciam um futuro sombrio. Portugal precisa de revolucionar as escolhas políticas. Não é a votar repetida e clubisticamente que nos assumimos como povo e como Estado. Juntos, PS e PSD, estão a asfixiar o que nos resta de democracia e parece que já nem notamos que nos está a faltar o ar."


- Artigo de Mário Crespo, in J.N. -

P.S. E obrigado, Mário Crespo!

17 Setembro 2009

S/ Título

- Foto. Pequenos Lençóis Maranhenses. Rio Preguiça. j.a.m. -

16 Setembro 2009

Série : O(s) GRITO(s): A INVASÃO DA RAÇA AMARELA

o


"Na China alguns produtores agrícolas estão a moldar os seus frutos com moldes de plástico que obrigam estes a crescerem de forma condicionada, dentro de um invólucro semi-rígido. Depois dos produtos geneticamente modificados, surgem agora os produtos morfologicamente modificados. Que mais se irá seguir? Frutos misturados geneticamente com animais ou mesmo seres humanos...?"


(in, Blogue, A Máfia Portuguesa")

ELIPSE PARA OS OLHOS


- Imagem fractal. Net, S/ autor -


Em cada gesto
um ofício sem idade
dizendo os corpos em sobressalto
entre as coisas circulares do tempo

E, quem já esteve em muitos lugares
principia & acaba olhando o Mundo
pelas suas formas
e aí morre qualquer hábito
e a vastidão da Terra com sementes
há memória da Vida
e das coisas que acontecem.




(in,O Triângulo de Ouro.Ed. Justiça e Paz-1998)




15 Setembro 2009

PARA AFASTAR O TEMPO

- Imagem Construída.j.a.m. -



Muitas vezes, para afastar do tempo a atenção dos seus estudantes, o grande mestre Zen, Rinzai, costumava levantar um dedo e perguntar lentamente: "O que é que está faltando neste momento?"


11 Setembro 2009

Série O(s) Grito(s): Ao-Meu-Irmão-Gêmeo-Que-Até-É-Professor-Coitado

- Imagem Construída.j.a.m. -


Hoje chegou a casa e disse-me, num murmúrio quase silêncio apagado:
"Já ando a trabalhar na Escola desde o dia 1 de Setembro, todos os santos dias, das 8 h. e 30m. até às tantas da noite,

ele são reuniões disto & daquilo, acções de informações várias,
mais documentos a preencher em papel & suporte digital e vice-verso
com
as burrocracias respectivas,
e escuta lá, já andamos todos arrasados com aquilo e
Ainda Não Começaram as Aulas, Tás a Ver?".
Como se a nossa função “lá” fosse tudo, menos sermos professores dos ALUNOS”

Entretanto, como até estava um pouco menos taciturno que o habitual,
mostrou-me esta imagem (ali em cima) e disse-me que se sentia assim!

Cá pra mim é porque hoje já é 6ª feira




04 Setembro 2009

- Imagem construída.j.a.m. -

"Apenas desejo a tranquilidade e o descanso, que são os bens que os mais poderosos reis da terra não podem conceder a quem os não pode tomar pelas suas próprias mãos."
(Descartes)


-
in, CITADOR -

Série : O(s) GRITO(s) : TELEJORNAL R.T.P.3

“Portugal continua com os combustíveis mais caros da Europa”; “Desemprego atinge níveis inéditos (30-08-2009)”; “Um estudo do Gabinete de Estratégia e Planeamento, do Ministério do Trabalho, revela o mais baixo aumento nominal homólogo dos ganhos dos trabalhadores desde 2003.”Os preços dos combustíveis descem mais devagar em Portugal do que no resto da Europa. A conclusão partiu da Autoridade da Concorrência (ADC)”;” O Escândalo Casa Pia rebentou nos finais de 2002. Em finais de 2009 está tudo por resolver.”;” Em Portugal existe o maior desnível salarial de toda a União Europeia.”; “o desemprego atinge a maior taxa alguma vez verificada”.” Mais grave ainda é o facto de existirem 600.000 desempregados, dos quais cerca de 250.000 não têm direito a qualquer apoio económico em situação de desemprego”; “Hospitais com gestão empresarial tiveram prejuízo de 91,1 milhões de euros, no primeiro semestre de 2009;” Depois do Governador de Portugal, Vítor Constâncio ter afirmado que a nacionalização do BPN não teria custado ao Estado mais de mil milhões de euros, o Ministro das Finanças afirmou que esse valor andaria próximo dos dois mil e duzentos milhões de euros; “Ministério Público abriu um novo processo que envolve um membro do Conselho de Estado , o Dr. Manuel Dias Loureiro, no âmbito do “Caso BPN”, por alegadas comissões na venda da empresa Plêiade à Sociedade Lusa de Negócios (SLN), Este processo soma-se, assim, a outro em que ex-administrador da SLN foi constituído arguido e que é relativo à compra e venda da empresa tecnológica Biometrics, de Porto Rico”; “Isaltino Morais, Presidente da Câmara de Oeiras, foi hoje condenado a sete anos de prisão efectiva e a perda de mandato. Bem como a pagar uma indemnização de 463 mil euros ao Estado. O Tribunal de Sintra deu como provada a culpa do autarca em quatro crimes: fraude fiscal; abuso de poder; corrupção passiva para acto ilícito e branqueamento de capitais”;Um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) divulgado a 3-Set.-2009 mostra dados preocupantes sobre o bem-estar das crianças portuguesas, com níveis quase sempre na cauda dos 30 países estudados;(...)

Série : O(s) GRITO(s) : NOTÍCIAS À SEXTA-FEIRA

MAS, O POVO PORTUGUÊS NÃO É CEGO, NEM SURDO,NEM BURRO.


"A administração da TVI anunciou a suspensão do Jornal Nacional, coordenado e apresentado por Manuela Moura Guedes. Toda a direcção de informação da TVI pediu a demissão, que já foi aceite pela administração. Manuela Moura Guedes disse que tinha pronta para a edição de sexta reportagens sobre o caso Freeport.Não é ainda claro se a suspensão do jornal implica na suspensão ou não dessas reportagens."


P.S.
O que fará - efectivamente - a ERC (Entidade Reguladora da Comunicação Social) da república democrática portuguesa?

02 Setembro 2009

Série : O(s) GRITO(s) : Há Coisas do Diabo . Outra Perspectiva

- O "gado" -


"as políticas de Sócrates não deixaram dúvidas: totalitarismo anti-constitucional contra os portugueses :

Que o PS se utiliza da Maçonaria para fazer ingressar militantes nos seus principais cargos políticos elegíveis como forma de manter uma obediência cega, já todos nós sabemos. O problema está justamente nos princípios veiculados pela maçonaria (com a designação de "Illuminati's" na maioria dos países do mundo) actualmente, pois defende uma ORDEM MUNDIAL, ECONÓMICA, POLÍTICA e RELIGIOSA (Judaísmo, Cristianismo, Islamismo) como estratégia de se instituir como o NOVO PODER SEM OPOSITORES, NO MUNDO...!!! A religião UNA que pretendem, o CONSENSO SOCIAL e as MAIORIAS POLÍTICAS são objectivos primordiais da sua estratégia.(...)"


in,A Máfia Portuguesa:http://amafiaportuguesa.blogspot.com/

01 Setembro 2009

Série : O(s) GRITO(s) : LÁGRIMAS DE CROCODILO

- Com base em ilustração de Alex Lutkus. Transformada por j.a.m. -

AO MEU IRMÃO-GÉMEO-QUE-É-PROFESSOR- EM-PORTUGAL-COITADO


"O secretário-geral do PS afirmou hoje que, se voltar a formar Governo, tudo fará para restaurar uma relação "delicada" e "atenta" com os professores, reconhecendo falhas na forma como lidou com este sector.
"


- Lisboa, 01 Set (Lusa) -

EU NÃO GOSTO NADA DE CITAÇÕES, MAS...

- Imagem construída. j.a.m. -

A COISA CONTINUA PRETA

- imagem construída.j.a.m. -

31 Agosto 2009

Série : O(s) GRITO(s) . PORTUGAL : Uma Outra Perspectiva

- Colagem. j.a.m. -


"Se o País tivesse rosto, as expressões e os olhares mostrariam a face de um Povo triste e sem sentido de vida.

A alma, que tantas vezes expressa e indicia o estado do corpo, anda vazia de sentimentos e confusa de emoções.
O País já não tem expressão. Sente que lhe roubaram a alma e lhe taparam a boca.
Aos poucos fomos perdendo a identidade.

Hoje somos um corpo amorfo. Adormecido. Cansado. Quase morto. Pouco reactivo. Assustado. Inerte. Indeciso. Receoso. Desconfiado.
A grande massa humana que configura e conflui entre fronteiras, anda ausente e órfã de ideais. Somos um corpo á deriva. Fomos um pasto fértil e variado.
A colheita já foi feita.

Então que País vai ser este ?
A história e o impulso vital que nos leva à sobrevivência, irão fazer emergir aqueles que passam pela vida com o sentido maior que só o Universo pode conter. Para esses a Pátria é mais que o lugar de abrigo, ou o pasto seleccionado á medida de algumas bocas.
É acima de tudo, a responsabilidade de contribuir para que os valores integrantes do compromisso humano, se façam de acordo com os parâmetros essenciais da justiça, do equilíbrio de valores, da ética, da responsabilidade social, do respeito pelas leis da natureza e na consciencialização de que já hoje, teremos de preservar o amanhã.
A sociedade que nos está a ser deixada, é o reflexo da ganancia descontrolada de alguns, da falta de sentido de justiça de outros e acima de tudo da nossa incapacidade enquanto Povo de sabermos ver e ponderar tudo o que até hoje nos foi sendo feito.
Adormecemos durante demasiado tempo.
Todos certamente podemos concluir que não era este o País que ambicionávamos.
Todos de certeza iremos comprovar, o futuro negro que rapidamente se aproxima e que irá trazer á evidência a natureza perversa desta gente que há tantos anos anda a enganar os Portugueses.
Este País está a chegar ao fim. O Novo terá de contar com gentes descomprometidas do Sistema, a quem caberá a responsabilidade maior de corrigir o Estado da Nação e Ousar novas politicas.
O primeiro passo terá de ser pela recuperação da dignidade perdida.
O segundo será pelo esclarecimento exacto da situação catastrófica em que se encontra o País, na exigência de responsabilidades a quem de forma fraudulenta usou as funções de Estado, e na devolução dos direitos de cidadania que são a base e a sustentação dos Regimes ditos Democráticos. (...)"


- in, força emergente(http://www.forcemergente.pt/) -

30 Agosto 2009

Porto

Escultura de Juan Muñoz. Jardim da Cordoaria.Porto.


coisas nocturnas. Até que enfim, o Porto hoje era uma cidade viva. às 2 horas da manhã ainda havia uma chusma de gente nas ruas à volta dos Clérigos e eu, enquanto resolvia comigo a estranheza da novidade, acabei por me sentar numa cadeira tresmalhada à frente do café Piolho.havia pessoal desordenado em grupos + ou - assim-assim, que se fartava de beber, claro. e de falar, também.Gostei. havia um aroma quente no ar & fiquei por ali o tempo de 2 finos bem frescos.
Depois, atravessei a escuridão do jardim da Cordoaria, onde revi de soslaio mas com atenção, as estátuas do Juan Muñoz. com aquela parca luz geral a gentinha do Muñoz ganhava um ar mais severo e bizarro. Mas, porque é que não se mexiam?
Só as extensas sombras pelo chão pareciam levitarem ao som dos candeeiros sobriamente acesos. ao fundo, ainda estalavam no ar as gargalhadas dos jovens, abrindo a noite a outras luzes mais verdes.

(30-Agosto-2009)

29 Agosto 2009

"A FENDA ERÓTICA"


No mundo das aparências, até era um bom pedaço de mulher. Mas, não dizia coisa com coisa que valesse uma pena. A pesar em tudo, aguentei firme mas sentado, aquela avalanche de desabafos num discurso vulgaróide de quem despeja lixo em plena rua a céu aberto e os outros que se lixem. No presente caso, os "outros" era só eu, o que me dava, por um lado uma responsabilidade honorável e por outro, as desvantagens que me recuso a voltar a nomear.
O meu papel ali com 2 ouvidos e uma só cara de parvo a fingir-se atenta e absorta, fazia-me lembrar tantas personagens que já esqueci muitas. Desde o analista clínico que é bem pago para o ser, até uma incineradora em forma humanóide, eu vi-me em cada uma...
Mas, ela tinha um charme, evidentemente, senão eu já tinha ido há muito, comprar um maço de tabaco e não teria regressado a tal base. Falo das suas belas pernas envoltas numa saia à Sharon Stone que de vez em quando cruzava e descruzava e era nessas alturas que eu a olhava de cima a baixo, tentando coincidir-me no olhar com um incerto ponto, digamos central, que feliz e infelizmente, era sempre obscuro. Depois regressava ao meu estar e voltava a ficar com aquele ar impassível, olhar profundamente afastado a mostrar que ruminava com lentidão cada palavra que aparecia.De onde em onda,para não parecer mesmo uma estátua ali sem destino, emitia alguns sons que se resumiam à palavra: "pois..." , quando e só quando, eu sentia que podia meter uma cunha estreita na torrente de frases que a fulana fazia acontecer.
Na verdade, como ser humano sentia-me um grande idiota aparvalhado de todo pelo domínio do meu próprio tesão. Esta coisa, assim, demorou horas e horas até que (...)



-Agosto.2009-

ÁS VEZES,TUDO É TÃO LONGE

. Imagem retirada da net,s/ autor .


"É JUSTAMENTE PORQUE ELE NÃO É COMPETITIVO
QUE O MUNDO NÃO CONSEGUE COMPETIR COM ELE"

Lao Tsé

18 Agosto 2009

MSG

- Desenho. Rotring s/ papel. título:" De Coração na Cabeça"(Nº 5). j.a.m. -



No geral, gosto mais de estar com pessoas simples, pois o seu saber é mais verdadeiro, isto é, o que me dizem está mais próximo das suas naturezas.
Enquanto as pessoas ditas cultas, no geral, dizem, falam mui distantes do seu ser.As suas palavras podem ser extremamente bem alinhadas, elaboradas em universos bem agradáveis aos ouvidos, mas se
escutarmos com atenção, não há nada ali que venha de uma fonte natural, com voz própria, do ser humano que nos ocupa & invade.


(Piriri.18.Agosto.2009)

16 Agosto 2009

- Foto trabalhada. j.a.m. -

ATRAVESSADO PELO ZEN (3º selo)



.. todo este caminho é demorado. as vozes à volta, as vozes dentro da cabeça, as vozes pendulares das imagens, dos astros, da torrente das águas no corpo em frente à lua, só por si é muito para ele descobrir entre as 7 portas qual a 1ª, a 2ª e por aí adiante.

adiante, se lembra que a intuição é a única voz que pode ser escutada, depois do silêncio pleno instalado, ali onde nenhum sinal será referência de qualquer outro

ATRAVESSADO PELO ZEN (2º selo)



...distante mas aceso, ele procura o seu silêncio vazio. depois de todos os sons que já conhece, depois do eco desses mesmos sons, depois de qualquer imagem de som, ele busca um silêncio que nunca aconteceu.

tudo à superfície é ruído e tumulto. insatisfeito, incompleto, ele mergulha para dentro. foge de uma parte de si, para encontrar outra, onde se veja mais real e vivo.

14 Agosto 2009

ATRAVESSADO PELO ZEN (1º selo)



...e o ar dentro das gaiolas está engaiolado?

algo realmente aconteceu e eu fiquei perplexo. várias vezes, o ar se tornou mais leve e claro e aí as palavras eram sombras afastadas estranhas mesmo, quando o silêncio pesava inventava à sorte outros sons: kaziar, ooom, latuuda, maçala, tarugui,....etc.
no próprio acto da busca retornava ao silêncio vivo. onde as mãos lembravam somente algo que se eleva.
e o ar, ao atravessar as gaiolas, soprava risos criativos. A bem dizer eu só estava ali, para aprender a estar.

"escultura"

- Praia da Madalena. Gaia. Agosto.2006. j.a.m. -

12 Agosto 2009

UM MAPA SIMPLESMENTE DESENHADO



...como se o fogo pudesse apagar essa garganta da montanha onde uiva um animal ferido. onde há uma estátua em forma de H maiúsculo, para ensinar quem por ali passa esquecidamente à procura de si, quase tão livre como a águia, lá nos céus da visão, desliza a sua sombra pelo chão.

se tantos sinais há à nossa volta, quando olhamos, é porque o nosso corpo está a essa altura.
e vem a água em cascata, alisar as rochas paradas só por si avolumam os sons que cantam: o burburinho do fogo a sumir-se em contraluz amaina os seus seres e vê-se a terra paciente acordar as sementes, para uma vida mais vertical e solar. e o animal ferido, aos poucos é uma memória que cai no esquecimento e por lá fica sarada de todo e qualquer mal do mundo. (...)

11 Agosto 2009

O Futuro de Portugal

. Europa Prima Pars Terrae in Forma Virginis. Hienrich Bnting (1545-1606) .


O que calcula que seja o futuro da raça portuguesa?


O Quinto Império. O futuro de Portugal — que não calculo, mas sei — está escrito já, para quem saiba lê-lo, nas trovas do Bandarra, e também nas quadras de Nostradamus.

Esse futuro é sermos tudo.

Quem, que seja português, pode viver a estreiteza de uma só personalidade, de uma só nação, de uma só fé? Que português verdadeiro pode, por exemplo, viver a estreiteza estéril do catolicismo, quando fora dele há que viver todos os protestantismos, todos os credos orientais, todos os paganismos mortos e vivos, fundindo-os portuguesmente no Paganismo Superior?

Não queiramos que fora de nós fique um único deus! Absorvamos os deuses todos! Conquistamos já o Mar: resta que conquistemos o Céu, ficando a terra para os Outros, os eternamente Outros, os Outros de nascença, os europeus que não são europeus porque não são portugueses.

Ser tudo, de todas as maneiras, porque a verdade não pode estar em faltar ainda alguma cousa!

Criemos assim o Paganismo Superior, o Politeísmo Supremo! Na eterna mentira de todos os deuses, só os deuses todos são verdade.



Fernando Pessoa, in 'Portugal entre Passado e Futuro'

09 Agosto 2009

a cerca dos encontros


- Saturno eclipsando o sol. Imagem da Sonda Cassinia.15-11-2006 -

às vezes está-se com uma pessoa, horas a fio, e não sai dali nenhum voo. Tudo é maquinal & vulgar, apenas o silêncio parece trazer algum sentido aos momentos. E a gente vai de um lugar para outro, inventa circunstâncias, digamos agradáveis , por exemplo uma esplanada solarenga em frente ao mar, mas a ordem das coisas permanece, não há provocação naturalmente q.b. que altere o não-sei-quê de alma, que o outro concerteza possui. Mas, quando as pessoas se encontram não é por um qualquer acaso fortuito. Aprendi que há uma razão pelo meio que as colocou onde estão.
No entanto, quantas vezes tais razões são tão longínquas que demoram a mostrar-se?

07 Agosto 2009

Dos Ciclos

- Imagem construída. j.a.m. -



e as aves adormecidas no meu coração há anos há anos que voo e foi precisamente hoje de manhã que elas soltaram mais um dia lindo para mim.
Ao fim da tarde regressam, umas juntas outras nem por isso, pousam-me no abrigo dos ombros e esperam que a noite se realize para se esconderem lá por dentro dos seus sonhos de seres com asas aconchegadas ao calor do sol que agora acende o outro lado da Terra.
Amanhã tudo se irá repetir aparentemente igual.


-6.Agosto-2009-

06 Agosto 2009

MSG

- Casa da Música. Porto. (pormenor) -




“Não pense: olhe!” "Não cogite: perceba!"

(Wittgenstein)

MOHA ROUICHA

05 Agosto 2009

Série: O(s) Grito(s) : Gripe A

- Imagem transformada. j.a.m. -


Aproximadamente mil milhões de pessoas no mundo estão infectadas por doenças consideradas tropicais negligenciadas, uma delas é a doença de Chagas. A população de risco propensa a ser infectada por esta enfermidade é de 100 milhões no mundo e uma das lacunas que existem hoje para a sua erradicação é a ausência de tratamento tanto para pacientes em fase crónica como para crianças.

É uma doença negligenciada porque a indústria farmacêutica não investe em pesquisa e na produção de medicamentos, pois não vê mercado nos países ricos.


Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a enfermidade afecta principalmente crianças. Só no Brasil, onde há dois milhões de pacientes crónicos, morrem todos os anos cinco mil pessoas.


"No silêncio, revelar-te-ei os meus segredos"

- Imagem transformada. j.a.m. -



"No silencio, revelar-te-ei os meus segredos". Nas pausas entre as frases, olha o meu rosto apenas aparentemente ausente e vê como procuro a palavra mais certa para te dizer o que no fim escutas é sempre outra coisa afinal.
Entre nós há a diferença entre 2 mundos. Por onde andaste? O que olhaste? O que viveste? E do que viveste, o que realmente ficou?
E todo este caminho vem de muito longe, não acredites na memória. Até incerto ponto somos a água que vemos à superfície, esquecendo-nos que lá por baixo há outras águas que nunca se estancam num fundo qualquer. Nesse fundo não vislumbramos nada do nosso corpo, mas ele também está lá. Como o planeta em que vivemos, temos em nós a mesma água. E é muita. E as coincidências não são. É por isso que os rios nos fascinam e os mares também.

A gente está numa praia, põe-se a olhar: aquele mar os sons ondulados das ondas a vida sempre viva daquilo e depois o céu lá ao fundo, parece parado. E nós ali até certo ponto, se o olhar no seu próprio corpo se apura é o espanto e um silêncio, outro.

- Para quê, dizer-te mais agora?


A Lista ( Oswaldo Montenegro)

Vasos Comunicantes

- foto. j.a.m. -


Qualquer ideia que te agrade,
Por isso mesmo... é tua.
O autor nada mais fez que vestir a verdade
Que dentro de ti se achava inteiramente nua...

MSG

- Poema Visual s/ base fotográfica da Ilha dos Pássaros, em Mindelo, Cabo Verde -

04 Agosto 2009

ONDE O SOL É MAIS PERTO (6ª dose)

- Imagem construída. j.a.m. -



(...)Por aqui o jardim está a ficar bem fresco. Vejo as gotas de água a tombarem, de folhas em folhas e depois apagarem-se no chão, onde as raízes absortas das plantas se abrem ao desejo satisfeito da sede. E as folhas cintilam sob o peso da luz que cai dos candeeiros. E são belas assim, nos seus verdes flamejantes com as obscuridades à-volta.
De repente, os repuxos calaram-se. Na superfície azulada da piscina, estranhamente ondulada,está a lua estampadamente enorme no meu olhar também eu fico maior.

- Porque é que só às vezes, tudo é tão belo, meu deus?


ONDE O SOL É MAIS PERTO (5ª dose)

- Colagem. j.a.m. -


(...) Neste Mundo, as pessoas são muitas e há muitas diferenças, mas lá pelos lados do fundo, as semelhanças são mais.
Uma vez, estive num país longínquo, fui lá parar, já não me lembro como, não entendia patavina da língua daquela gente, nada tinha nos bolsos e o que é certo é que me dei muito bem por lá. Comia, bebia, dormia, fodia, amei e creio bem que fui amado, senti-me vivo continuamente e graças a isto tudo, saí de lá,quando acabou o ciclo, cheio de coisas novas, renovado.(...)

ONDE O SOL É MAIS PERTO (4ª dose)

- "Um Céu Assim". Turquia. Foto de j.a.m. -


(...) ao invés, há pessoas que pensam & pensam tanto durante os dias e as noites, que se transformam em cabeças gigantes, com o resto do corpo ausente, que a bem dizer, para eles, só serve para atrapalhar e de útil, tem o facto de ser um mero meio de transporte. Deviam viver uns tempos com tribos de índios não domesticados, tribos africanas ainda bem selvagens, para talvez descobrirem o que há demais neste chão simples de deus, a começar pelos aromas da terra, a sábia lentidão do reino vegetal e mineral a crescerem ligados a tudo o que há de mais vivo no Mundo: a água, o ar, a paciência do sol, a vigilância da lua, as energias subtis acordadas sempre, etecetera.(...)

03 Agosto 2009

ONDE O SOL É MAIS PERTO (3ª dose)

- Monte Cara. Cabo Verde. Mindelo. Foto de j.a.m. -


(...) ouço uma nova respiração neste jardim.É o sistema de rega que acordou.Uns tubinhos anónimos, quais periscópios, levantam-se sozinhos no meio das ervas e respingam ramos finos de água à-volta. As ervinhas verdes agradecem, imagino eu.

Ás vezes penso: falta aqui qualquer coisa, uma espécie de alma mais viva mais acordada nas múltiplas direcções em que podemos colocar-nos - de coração inteiro - em relação à vida. Depois vejo como a maior parte das pessoas engolem os dias & as noites e o seu tempo nesta Terra, agindo em função dos estímulos exteriores do mundo. Para cada 1 o seu mundo de estímulos.Cada 1 inclinado sobre os parapeitos das suas janelas para os seus lados de fora. Aguardam, agem e voltam a esperar para agir, assim assim.Um dia acontece-lhes a morte e descobrem que, no fim de contas, nunca tinham vivido bem o assunto. É um estilo.(...)

02 Agosto 2009

ONDE O SOL É MAIS PERTO (2ª dose)

- esfera . j.a.m. -


(...) Há dias, muitos pássaros aninharam-se lá, apinhados em bandos e eram rolas, pardais e outras formas de aves que tinham asas em leque, caudas longas e um corpinho pelo meio.
Também aparecem por estas bandas, melros que gostam de zonas mais próximas do chão, saltitam, aguardam à sombra e depois lá vão.
Muito ao longe e apesar de tudo, felizmente ? ainda ouço os barulhos rasgados dos automóveis e parece-me espantoso, sei lá porquê, imaginar pessoas lá dentro. Tem haver com velocidades. Ritmos. Respirações. (...)

01 Agosto 2009

ONDE O SOL É MAIS PERTO (1ª dose)

- Sobreiro. j.a.m. -


Às vezes pego no bloco preto. Pego na caneta. Fico assim
horas a fio a olhar para o céu, 1 pirilampo ali outro acolá, na espessura da noite
depois,
por detrás da sebe desta casa há um sobreiro com ramos rugosos onde a cortiça respira & cresce sem darmos por isso e as folhas todas juntas formam uma cabeleira que estremece e dança, muito espaçadamente, com a aragem que vem dos lados do mar, talvez
(....)

22 Julho 2009

Por vezes, vem outra vez

- Foto. São Luís do Maranhão. Brasil. j.a.m. -


Por vezes vem outra vez o sol, o sal, ou outra luz
da cintura dos astros, do fundo da Terra
descendo, subindo, entrando, aclarando
a cabeça que desandava sozinha
e já é outra a coisa, as perguntas que cintilam
no vislumbramento do olhar
onde cais em ti com o corpo inteiro
como uma gota de água
a recriar-se
em círculos no vazio do teu mar
dentro
dos dias todo o tempo
é redondo

e reparas nas duas mãos como se
fossem 10 os caminhos
mas logo são tantos & tantos
que te voltas a calar.

(22-Julho-2009)

A MENINA VAI INCLINADA PELOS SEUS SONHOS

- Imagem Trabalhada. j.a.m. -


A menina vai inclinada pelos seus sonhos mais íntimos 1 passo atrás do outro sobre as quentes areias brancas, enquanto ao lado as águas do lago são verdes.
No fundo de si, um barco e uma viajem por cumprir e ela já sente a voz desse outro lugar ainda obscuro a bater longinquamente no seu coração, como quem procura uma porta para entrar.
Ela é jovem e caminha pensativa sem saber claramente como a luz do dia a tenta acordar. Talvez daqui a uns tempos, ela encontre um cais onde o seu barco a espera.
- Para onde irá depois esta menina, sabendo eu que tanto ela como este barco ,são a mesma abstracta forma do seu destino escolhido?

(14-Julho-09)

14 Julho 2009

pensamentos

- Imagem trabalhada. j.a.m. -


O tamanho das coisas têm o nosso tamanho.
Do coração a mente cria as imagens do Mundo.
Tocamos a altura do que vivemos.
Por dentro e por fora de nós, tudo é igual.
Não há ilusões, há realidades muitas.

08 Julho 2009

pensamento(s)

- Poema visual.2009. j.a.m. -

À TERRA


- Pintura. Técnica-Mista.j.a.m. -


Vem do centro da Terra esta luz nas palavras
corpo de abundância e vertigem
onde evoluem muitas vozes
e às portas da boca
exaltam as suas âncoras.

Talvez por disciplina ou rotina ou esquiva ausência
se encontram os livros pelas manhãs
abertos ao alimento constante dos dias
sem que haja uma descoberta abismal
no meio dos infinitos textos do olhar.

Última a primeira porta dos labirintos:
São as Mãos. É a Terra.
Segredos que nos vão lembrando a procura do mundo
sob os regressos da voz em cada página.



(in, As Mãos e as Margens. Editora Limiar.Porto.1991)

06 Julho 2009

momento(s)

- Imagem trabalhada. j.a.m. -


Coisas simples, p.f., palavras pousadas como o pão na mesa, frases espaçadas com 1 intervalo para nos debruçarmos nas suas varandas, silêncios cheios em que cada um seja um e todos, olhares que falem também e troquem apenas luzes para se manterem abertos, gestos poucos em movimentos comunicantes, eu aqui, tu acolá, estamos entre amigos, há que afugentar o medo que se instalou em tudo, meu deus, o medo que serve os tais que sugam o Mundo e queimam o sangue das nossas vidas sem tantas vezes darmos por isso.

01 Julho 2009

OUTRAS VIDAS

- Bandas de Castro Laboreiro -

São seres que se apagam em silêncio, vestidas de escuridão entre as pedras de granito onde se sentam e a vastidão do céu para onde largam as recordações de uma vida.

À volta, as poucas ovelhas colhem ainda da terra a seiva verde das ervas. Por perto, o cão castro laboreiro, faz um círculo divagado com os olhos e instala-se descansado.

30 Junho 2009

"SILÊNCIO INSURRECTO"

- Desenho. Rotring s/ papel. j.a.m. -


O silêncio serpenteia-se nas ondas do ar a boca da noite
abre as flores do coração curva os sons que tem sempre à
mão e o tempo habita-nos mais ao sabermos nos olhos as
sombras que se despedem das árvores onde os pássaros
acolhem os primeiros tons do dia sob o lençol verde às tantas
da manhã pelas cinco e tal ou quase assim começam
a sinfonar uma visão acesa para quem esmorece ainda é cedo
ainda é o segredo de haver um mundo contudo sagrado.


- in, Recomeço Límpido, no Centenário de José Gomes Ferreira.2000 -

DA PLANTA DOS PÉS ATÉ À RAÍZ DOS CABELOS

- Pintura. Guache s/ cartolina. j.a.m. -


Escuta
como o ar brilha em silêncio nas nossas veias lavradas e
os cometas dos sonhos transportam minuciosas luzes para
dentro da nossa escuridão, é um corpo sempre com um lado
esquecido, o ouro, dizes, navega pelo sangue entra e sai
pelos poros e o olhar torna-se o lugar das aparições,
inaugura o tempo que volta escondido sob os primeiros
sinais das madrugadas.


(in, A Primeira Imagem. ed. Sol XXI.1998)

IMGENS AFUNDADAS NA MEMÓRIA

-Desenho. Rotring s/papel. j.a.m. -

IMAGENS AFUNDADAS NA MEMÓRIA (Nº6)


Entrego ao Mundo
a forma de alguns segredos
transportados pela leveza distante
do tempo, em cada palavra eu
digo: uma vida
uma estrela que devolve a luz
e estremece no centro
dos seus contornos
deslocados destas lógicas onde
os instantes da fala
só deixam falar
o que já é transparente.


(in,A Primeira Imagem. Ed. Sol XXI.1998)




23 Junho 2009

pensamento

(Desenho. Rotring s/ papel. j.a.m.)


"Nem sempre podemos mudar as circunstâncias

mas sempre podemos mudar

as nossas atitudes em relação a elas."

11 Junho 2009

CIDADE VELHA. Ilha de S. Tiago. Cabo Verde

- Imagem construída a partir de fotos e pinturas realizadas no local.j.a.m -

Homenagem à Cidade Velha, uma das
7 MARAVILHAS DE PORTUGAL NO MUNDO

Poema Visual

(Imagem de j.a.m.-2009)

29 Maio 2009

A Ilusão de Um "eu" Separado

Imagem fractal construída. j.a.m.

“Um ser humano é parte de um todo chamado por nós de Universo, é uma parte limitada no tempo e no espaço. Ele experiencia-se a si mesmo, aos seus pensamentos e sentimentos, como alguma coisa separada do resto - uma espécie de ilusão de óptica da sua consciência. Essa ilusão é uma forma de prisão para nós. A nossa missão é libertarmo-nos dessa prisão, alargando os nossos círculos, para envolver todas as criaturas vivas e o todo da natureza na sua beleza.”



- Albert Einstein, “Ideas and Opinions”. 1954. (Tradução livre) -

Jethro Tull (Aqualung )

27 Maio 2009

Série: O(s) Grito(s) . A Escola Pública em Portugal

(Imagem construída. j.a.m. )


"Este governo desfigurou a escola pública. O modelo de avaliação docente que tentou implementar é uma fraude que só prejudica alunos, pais e professores. Partir a carreira docente em duas, de uma forma arbitrária e injusta, só teve uma motivação economicista, e promove o individualismo em vez do trabalho em equipa. A imposição dos directores burocratiza o ensino e diminui a democracia. Em nome da pacificação das escolas e de um ensino de qualidade, é urgente revogar estas medidas."


- in, blogue PROAVALIAÇÃO -

23 Maio 2009

Brasil. Maranhão. Rio Preguiças. Foto de j.a.m.


ENCONTRO

Um barco desliza nas águas ao de leve sonoras.
Enquanto a noite desce como um lençol suavemente escuro
apagando o rio, que era azul
e agora já é um espelho prateado deitado sobre o mundo.
Alongado pela vastidão que se recolhe nos olhos de quem só olha.

Há em tudo uma paz impossível, e eu vejo o teu rosto e tu pareces não ser.
Olho-te de novo, e tu olhas-me assim:
tão perto e tão longe, no fundo de mim, que me deixas mais nu.
Eu sei:
és aquela que me ama do fundo das águas
que agora nos unem.
Eu sou aquele que procura
e te dá o silêncio inteiro das minhas duas mãos nas tuas.
Pois, no fim desta escuridão
somos sempre sozinhos.
A partir de agora, entre nós
não haverá mais segredos.


- In, Colectânea "Os Dias do Amor".Editora Ministério dos Livros.2009

22 Maio 2009

ELIPSE PARA OS OLHOS

(Imagem transformada. j.a.m.)

Em cada gesto
um ofício sem idade
dizendo os corpos em sobressaltos
entre as coisas circulares do tempo.

E quem já esteve em muitos lugares
principia e acaba olhando o Mundo
pelas suas formas
e aí morre qualquer hábito
e a vastidão da Terra com sementes
há memória da Vida
e das coisas que acontecem.



- In, O Triângulo de Ouro.Ed. Justiça e Paz.1988
-
Prémio Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores.1987



UMA ROSA SEM TEMPO

(Turquia. Istambul. Foto de j.a.m.)

Há porém um estado de absoluta nostalgia
um coração selado sobre a emigração dos dias
com um rosto partilhado pelos segredos do Mundo.

Não é a voz, não é essa desordem da luz
nem a matéria ou a memória das palavras
é outra a sedução despojada de qualquer brilho
outra a distância abandonada lá no fundo vivo dos olhos.


- In, As Mãos e as Margens. Ed. Limiar. 1991 -



IMAGENS AFUNDADAS NA MEMÓRIA

Brasil. São Luís do Maranhão.2006 (foto de j.a.m.)


Os dedos sensíveis escutam as vozes
do sangue. Vibram, morrem devagar
nos gestos. Memórias e Mundos
na ilusão de um tempo e de um lugar.
Enquanto as luzes mais violentas
apagam os contornos
quando as asas do poema
chegam ao fim.



(Imagens afundadas na Memória.11ª.)
- In, A Primeira Imagem.1998 -

15 Maio 2009

À Beira Mar

14 Maio 2009

Às de Copas

- Pintura de Miguel D Alte -

SENSAÇÃO A VELUDO NAS MÃOS


Primeiro foi uma sensação a veludo nas mãos, a carne à flor da pele era macia de um modo tão suave a pedir só mansidão e elas, as mãos, transcorriam bêbedas com todos os seus 10 dedos nas polpas sensíveis e eu lá ao fundo, no final da sensação, navegava com toda a preguiça esboçada do mundo, por aquele mar de novidades que o teu corpo me emprestava no silêncio ofegante da noite.

Estavas ali deitada, absorta no teu sonho inteiro de ser escultura para as minhas mãos, e eu sentia-te a crescer nas ondas da respiração e de um lado e do outro, ambos éramos mais próximos, como se houvesse uma indeterminada luz pelo meio, que tínhamos de possuir exactamente ao mesmo tempo.

Tudo ilusão. E, no entanto não era. Eu estava ali, tu também, éramos dois corpos com as portas abertas de todo. A aragem das mãos esvoaçando sobre a tua pele de veludo, era o que sobrava do silêncio de chumbo, que os nossos corpos mortais no fundo faziam. Havia entre nós um nó inteiramente aceso por dentro, onde as línguas mais aprumadas já não soltam palavras.

E os gestos criavam outros mundos, onde só nós cabíamos, onde só nós éramos quase perfeitos, à espera de o sermos.



Brasil. Maranhão.2007

11 Maio 2009

Brasil Maranhão.Pequenos- Lençóis. (Foto de j.a.m.)

09 Maio 2009

Mauro, O POETA DA ILHA


Arrastava mais um pé do que o outro mas eu reparei no seu ar luminoso abrir airosamente a noite. Ia a passar perto do meu lugar e eu senti que podíamos trocar algumas luzes. Convidei-o a sentar-se ali, por baixo da grande árvore nocturna. Vi o seu olhar a inclinar-se para o meu copo cheio de
sol* e perguntei-lhe o que bebia. Não tardou a abrirem-se as nossas portas, uma de cada vez e cada uma no seu lugar mais claro e mais íntimo. Era um poeta e eu disse-lhe que também era um aprendiz de poeta.(Ele lembrou-se deste pormenor com um leve sorriso passado uns dias, quando à sombra de outra árvore mais diurna, voltámos a trocar meia-dúzia de luzes pessoais).
Mauro arrastava uma perna quando andava mas falava sem arrastar nenhuma das suas asas. Aí, crescia em voos cheios de altura e distância e às vezes, descia um pouco, para recitar um poema seu, que parecia ler no meu rosto. Eram sempre feitos de simplicidade e lonjura e eu ficava mais pequeno a escutá-lo e a olhá-lo com todo o orgulho do mundo, pois já éramos amigos.
Hoje, aqui noutro continente da Terra, vejo-o a erguer a noite da sua ilha, livre como sempre a cantar alegremente toda a escuridão que há na sua vida de poeta.



* marca de cerveja existente no Brasil.



Brasil. São Luis do Maranhão.2006

07 Maio 2009

(Cachimbo da Paz)Gabriel O Pensador