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| Pintura. J. A. M. |
Era um lugar que, mal entrámos, se tornou ausente. Entretanto, tecemos um espaço e um tempo, coroados por quatro olhos uma ponte comunicante, sobre algo circular o tampo de mármore da mesa onde as palavras caiam redondas, finitas e havia miríadas de estrelas a rebentarem no desamparo das mãos quando se tocavam.
As gaivotas vinham açoitadas pelo mar agora sem peixes nem pescadores e abriam lá fora os espaços altos à procura. Eram sombras nos intervalos apanhadas pelos acasos, quando olhava de soslaio pelas vidraças húmidas do café. Enquanto ambos permanecíamos num fogo amornecido que insistia em não acordar. Era o 1º encontro.
À-volta havia os outros, longínquas sombras, e em poucos minutos nem sombras já aconteciam. Estávamos fechados em nós alegremente sós. Por dentro senti metafóricos desejos de serem mais, algo que só na altura sabia, cresciam para cima e para baixo como nas árvores a seiva, nas galáxias a luz. Ela delongava-se em silêncios num jardim, para mim, sem nomes.
Agora vejo como fui vago na travessia desse encontro. As luzes dos teus olhos bebiam a minha sede. E, era uma sede viajada para dentro, ensaiada pelas tímidas danças do silêncio. Por onde perscrutava os teus segredos aguardando vislumbrar o fino ouro do teu mistério.
( J. A. M. )
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