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| Pintura. J. A. M. |
E voltei.
Estava já quase acordado no meu quarto do Hotel Europa, quando a Ana e a Joyce abriram a porta em leque cheias de sorrisos floridos e me convidaram para dar um passeio pelas franjas de Gaibu. Lá me levantei um tanto ou quanto aturdido pelas caipirinhas da noitada anterior, mas depois de beber o coco fresco que me atiraram de chofre fiquei logo fino, vesti a t-shirt e os calções de sempre e lá fomos, que nem 1 trio harmonia pelo dia adiante.
Passámos pelas ruínas do Forte São Francisco Xavier, eram pedras amontoadas por ali pelas leis do acaso e com alguma parcimónia sobrava a placa, livrei-me das alpercatas (1) na linda praia de Calhetas, onde vi ondas amortalhas sobre a própria espuma fresca nos meus pés, depois de serem verde-esmeralda & azul-turquesa, e também vi uma foto do jovem Eusébio no bar lá do sítio, ao lado de N ilustres que por ali tinham po(u)sado algures, ao longo dos seus destinos.
Depois continuámos a caminhar por entre árvores (2), plantas e flores de muitas cores e aromas vários, até que a incerta altura num morro inesperado e cheio de um céu azulmuitoazul, vi uma tabuleta tosca de madeira com a palavra: “PARAÍSO”.
As minhas companheiras apanharam o meu ar aparvalhado e eu apanhei-as a sorrirem apenas cúmplices.
O que havia a dizer?
Lá
descemos entretidos com os pés de cada um, a saltitarem de pedra em pedra, até
desembocarmos numa espécie de praia com a água muito transparente e a areia
prateada pelo pôr-do-sol que se diluía pelas águas até ao esquecimento.
Sentámo-nos
a olhar e a escutar o mundo à volta através daquele ponto de vista, dentro do
ponto de vista de cada um e os três juntos com as 6 vistas desarmadas,
despidas, deliradas.
Já
não sei, e nada me importa, o tempo (o tempo?...) que poisámos ali, a respirar
aquele lugar tão belo e simples irrealmente em tudo. Lembro-me vagamente que as
palavras eram coisas a mais e a ninguém lhe passou abordar tal
assunto.
Quando regressámos a Gaibu, numa camioneta que ainda circulava, já lá estava instalada uma noite claramente aberta ás nossas luzes.
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(1)
Sandálias de couro.
(2) Manacás, mulungas, ipês, com as suas flores de ouro, algumas das muitas
árvores ainda existentes e caraterísticas da Mata Atlântica no local.
(Gaibu.
Estado de Pernambuco. Brasil)
( Última versão a Abril de 2025.J. A. M. )
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