José Alberto Mar. Com tecnologia do Blogger.

26.10.26

A CURVA, SE ME ENTENDES

Pintura. J. A. M.

 

Eis o mergulho, a palavra
que se quebra, estilhaça e expande
o que habita em sono e ali suspira
em palpitações concêntricas
e quer desarrumar o que em si
encerra.
 
E depois surge o olhar de cada um
o voo dos sentidos, os espaços
em que cada leitor se inventa.
 
Mas nem a força dos dedos
toca a extenuada luz
que pulsa neste sopro.
 
Deixei-me ser a boca que canta
o brilho que chama
a chama que segreda
este inseparável encontro.


( J. A. M. )

 

 

9.10.26

Life. J. A. M.

 
E o mar respira nas ondas
as ondas respiram o mar
num apelo cadenciado que cresce
no fundo, onde a escuridão despojada
torna o olhar um abandono compassivo
uma espécie de oração, uma espécie
de milagre transformado
une o coração, é no coração
que a água acaba por ser
relâmpagos e ritmo.


( J. A. M.)

5.10.26

Regresso à Pintura


 
A voz inteiramente denuncia, o fundo pensamento
onde a questão ainda é: regressar ao olhar
mantendo as mãos móveis
sobre o dorso do mundo.
 
Dispor rigorosamente o poema sobre a vida
não esquecer a morte nem o amor
antes a lonjura marítima à superfície do rosto.



( in, O Triângulo de Ouro" . Prémio Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritoras-1987)

( J. A. M. )