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| Pintura: J. A. M. -2022 |
26.11.22
13.11.22
Estremece a estrela que em mim vive
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| Pintura: J. A. M. |
e nos 2 olhos cintila
o véu do instante, a aparência maior
do que é superfície e aí se afoga
pois na multidão dos dias a vida
tornou-se mecânica.
Vejo em todos os gestos um silêncio amparado
pelo silêncio que aspiro
o lugar onde qualquer semente pensa
sonhando com tudo
pois nada do que é fruto
acontece sozinho.
31.10.22
Na boca das manhãs
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| Pintura: J. A. M. |
O silêncio serpenteia-se nas ondas do ar a
boca da noite
abre as flores do coração curva os sons
que tem sempre
à mão e o tempo habita-nos mais ao
sabermos nos olhos
as sombras que se despedem das árvores
onde os pássaros
acolhem os primeiros tons do dia sob o
lençol verde
às tantas da manhã pelas cinco e tal ou
quase assim começam
a sinfonar uma visão acesa para quem ainda
dorme ainda
é cedo ainda há o segredo
de haver um mundo, com tudo sagrado.
(J.A.M.)
21.10.22
E, no entanto, há uma luz por aqui
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| Pintura: J. A. M. |
e, no
entanto
há uma luz
poisada no centro
do seu sereno silêncio de ser
só uma luz
Aberta
para fora
de si
- como se um pássaro esquecesse no voo
o peso das suas asas.
- como se a memória fosse uma trave esmorecida
na casa estagnado dos hábitos.
- como se, algo te chamasse e fosse uma voz cúmplice
no cálice mais translúcido do teu corpo
onde o som maduro do silêncio
te chama - em chamas - alumiadas na cor
e tu estás longe ou perto nos olhos
divagados em ti
E então, nem o ouro
nem a prata
- por onde há-de uma Vida luzir ?
10.10.22
um adeus de sombras a voarem
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| Pintura: J. A. M. |
7.10.22
Reflexos da Fonte ~ Fountain`s Reflections
26.9.22
A Porta das Imagens
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| "Portal". Exposição SOMETHING is CALLING |
Por vezes, alguém põe um dedo na ferida. Quero dizer: alguém acorda a sombra geral dos seus nomes e os nomes mergulham nos ritmos do sangue e logo as mãos crescem para os lugares e os lugares crescem com elas e tudo fica mais Alto. Há quem passe, olhe de lado e continue a sua vida. Outros há que passam e se detêm por um pormenor mais chamativo.
Claro que todos os lados, todos os nomes são pretextos. E os lugares também. Nascemos e morremos por uma graça indomável perdida no tempo. Andamos às voltas disto tudo enquanto por dentro acordam e adormecem as sementes povoadas pelos estranhos frutos de uma sede sem fim.
Vozes e imagens que cantam a Vida e o exemplo dos milhares de sóis mesmo sabendo-se que para outros olhares, há um abismo memorial nas cabeças uma outra idade outra boca menos cercada pelos dons dos dias, na transformação dos corpos.
(in, “A Primeira Imagem “ , J. A. M.)
21.9.22
A propósito da Exposição de Artes Visuais: "SOMETHING is CALLING". (Inauguração a 24-09-22)
alguém passeia-se algures por caminhos e paisagens onde há pedras pelo chão e acontece-lhe curvar-se de repente, por algo que o chama sem dar-bem-por-isso e há um diamante entre as suas mãos, o olhar turva-se pelo brilho que o sOl, atento a tudo onde há vida, lhe oferece no mesmo instante e depois
há quem veja logo ali um presente, há quem não dê conta do vislumbre que lhe aconteceu e continue apegado aos seus hábitos, atirando o pequeno seixo para as águas de 1 rio que desliza por ali no seu natural ocaso indiferente a tudo isto.
Os hábitos escravizam, tornam-nos cegos.
Todos os dias acontecem coisas assim, parecem banais porque são diárias, mas não o são, não. Nada é banal nesta vida que nos está acontecendo.
( J.A.M.)
18.9.22
SOMETHING is CALLING
DAYS ARE
Rua Miguel Bombarda, 124 - sala A, Porto
https://www.facebook.com/daysare.pt
https://www.facebook.com/josealberto.mar
~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~
(Sofia Moraes)
9.9.22
um céu para ti
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| Pintura: J. A. M. |
as aves esburacam o espaço, não propriamente ao sabor das suas asas, mas por uma vontade uníssona levadas pelo ímpeto do grande mistério da vida.
Em bando, têm 1 só espírito. Vê-se.
31.8.22
Conheci uma mulher num país distante
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| Pintura: J. A. M. |
Conheci uma mulher num país distante, era bela e serena e atravessava os dias, os meses e os anos com uma candura sábia de quem sabe que 1 dia também iria morrer, como tudo o que está vivo.
No jardim, seu lugar preferido, sentada num banco de madeira, cuja cor já não se sabia. Ocupava-se a olhar as flores à volta com um vagar e o inverso de uma aparente displicência especial, para mim inteiramente incógnita, até hoje. Às vezes olhava o horizonte, às vezes levantava um pouco o rosto para o céu e aqui, era à noite que se demorava mais.
Ao lado quase sempre um livro que a brisa desfolhava quando calhava. Ela parecia ler no as palavas no ar que se evolavam das folhas. Parecia nunca usar as mãos e em vez dos braços talvez tivesse asas.
Nunca lhe perguntei nada acerca das artes destes gestos tão silenciosos como as pedras que rodeavam os canteiros. Houve alturas em que me viu olhá-la de longe estava sempre distante, no entanto eu sentia uma levíssima sensação fresca e inquietante, do lado agradável das novidades. Retrocedia para as minhas tarefas, o pincel, o papel, as telas, as cores do meu mundo.
De vez em quando, amávamo-nos através dos corpos e parcas palavras. Adivinhávamo-nos através de olhares demorados que continham tudo o que os nossos seres confirmavam.
Um dia fui ao jardim, onde era o seu lugar e não a vi. Procurei-a por todos os cantos, mas apenas vislumbrei as flores, todas as flores debruçadas sobre si próprias exalando aromas mais intensos e os frutos maduros das poucas árvores a caírem um a um.
J. A. M.
29.8.22
"não corras atrás das borboletas, cuida antes das tuas flores"
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| Pintura: J. A. M. |
(1) frase atribuída, a D. Elhers, em tradução livre.
26.8.22
Exposição de Pintura: REFLEXOS da FONTE.
19.8.22
Universos Paralelos
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| Pintura: J. A. M. |
Onda a onda cada pensamento é nuvem.
Voltemos ao centro. Onde gravitas como
alguém que procura
mas apenas poderás encontrar.
10.8.22
olhos nos olhos
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| Obra: J. A. M. . Mulher. |
tu cresces e eu cresço quando
algo cresce de novo entre nós.
Olhos nos olhos
uma desconhecida Luz dialoga.
15.7.22
( ao artista Vadú)
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| Noite. J. A. M. . 1987 |
E ele entrou, fino, esbelto como um lírio estremecido pela sua íntima alegria de estar naturalmente vivo no seu gingar dançante e o meu amigo inesperadamente levantou-se assaltou-o na dança e apresentou-me: este é o não-sei-quê.
Levantei-me a pesar a repentina gravidade do momento e a que existe em todo este mundo de deus, mas a leveza que me acompanhou logo me surpreendeu e quando olhos nos olhos enlaçámos as mãos eu vi ali um ser raro mesmo à minha frente daqueles que já ganhei o dia embora neste agora quase já fosse noite.
Levantei as asas possíveis com tais companhias é sempre fácil e logo estávamos a viajar entre tantas estrelas à mão de semear que nem vos conto.
1. cerveja caboverdiana.
2. Mayra Andrade. Cantora.
3. título de canção de Vadú.
4. planalto de origem vulcânica.
(in, Livro de contos “O OURO BREVE DOS DIAS”, 2021)
~ J. A. M. ~
9.7.22
Declamação de poema
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| J. A. M. - "EspaçoQ/ quadraSoltas". Porto ( 7-7-22) |
VOZES COMUNICANTES
um beijo indelével no rosto ausente
intervalo onde tocamos juntos
a íntima unidade no coração das coisas.
Sobre as infindáveis ciências dos homens
pousamos a luz urgente de outros olhos
desce sobre nós
a lucidez dos universos vivos.
in, O Triângulo de Ouro - Editora Justiça e
Paz.1988.
(Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores.1987)
P.S. Dedicado a António Ramos Rosa e a todos os Amigos ausentes e presentes.
3.7.22
enquanto as palavras são sombras na frescura do Verão
| self |
Como te dizer que tudo isto é, um outro Todo já incluído em ti?
A nossa vida, o incógnito milagre sempre longe sempre em nós, onde há demónios e deuses, montanhas e vales, dores e alegrias, por dentro e por fora, e o nosso olhar se apaga no final dos dias.
2.7.22
O Espermatozoide vitorioso.
27.6.22
há outras distâncias outras disciplinas
| Pintura: J. A. M. |
(…)depois, também há outras distâncias outras disciplinas: a respiração ritmada no peito ao som dos longínquos tambores celestes não são perto nem longínquas as estrelas como agora as gotas de chuva hipnotizadas nos vidros das janelas.
Ainda que todas as luzes respirem só por dentro, acontece ás vezes a dor de ser humano alisada como um lençol sobre os joelhos, com o olhar preso à vastidão das pequenas ondas visíveis.
21.6.22
( a um amigo pintor)
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| Pintura. "O Centro". J. A. M. |
É alguém que procura. Vinte e tal anos,
uma água no corpo agitada em marés, a enorme quantidade de animais lá dentro
uns em matilha outros solitários e secretos, outros ferozes outros mansos, com
4 patas a correrem solenes pelas paredes interiores e a desaguarem nas
pinturas.
No meio de tantas ilhas uma súbita inspiração: haverá um desígnio para mim? Qual o voo que por vezes acorda uma espécie de suspeita muito íntima que me anuncia sem nomes? Qual a fonte destas inquietas descobertas?
Entretanto os dias atropelam-se, as noites longas possibilitadas pelos corpos que recusam o sono, os amigos que se aproximam e se afastam, a indefinível energia que dá movimento a tudo.
Se houvesse uma voz bem clara que gritasse no meio da noite, podia acontecer um tremendo pavor ou uma paz impossível. Com vinte e tal anos tais milagres são passíveis, e fugazes: demasiadas vozes descem juntas porque há sempre um vaso de luz aberto às novidades. É este vaso que transportamos pela vida a fora.
E, é assim a caminhada até 1 dia: é preciso construir um tema que nasça do fundo, uma linha que se prolonga ao mesmo ritmo, repetir o hábito que vem de si próprio e esquecê-lo para haver um outro, escutar o rumor do seu rio só seu, caminhar em companhia com os sonhos que nos acordam ao longo da idade.
R. T. - 7-07-2020
15.6.22
Ilhas ligadas
| Pintura: J. A. M. |
um beijo indelével no rosto ausente
intervalo onde tocamos juntos
a íntima unidade no coração das coisas.
pousamos a luz urgente de outros olhos
desce sobre nós
a lucidez dos universos vivos.
in, O Triângulo de Ouro - Editora Justiça e
Paz.1988.
( Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores.1987)
5.6.22
bastou um sorriso
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| Pintura. ÁRVORE de SÓIS: J. A.M. |
cercado por uma luz sem nomes.
Um rosto caído em cascata no olhar desnudado como se uma estrela
longínqua estivesse a falar.
numa rua qualquer, onde arde a fulgurante e permanente chama do Mundo.
23.5.22
Obras em Exposição: “ SMILE & WAVE ”. Porto ( Portugal)
16.5.22
Dentro e Fora tudo é igual
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| Imagem Digital. J. A. M. |
Sona Jobarteh está a entrar pelos lados onde as portas são mais negras. Para que as estrelas resplandeçam mais, nesta infindável noite.
Há na vocação das vozes um halo universal redondo é este planeta onde agora vivemos.
Como no mar: altas ondas outras nem tanto, a 7ª onda é sempre ouro nos sons alongados e por tal sortilégio algo em nós se expande mais. Tenho agora os pés nus onde elas esmorecem e eu cresço. Falo do amor. Falo sempre do amor.
Entretanto no mar alto e no seu fundo, tudo parece sereno, adormecido, indiferente. Mergulhei por aqui em noites de imprudentes êxtases. Cheguei a morrer: de encantamento. Regressei sempre 1 outro que demorava a reconhecer. Enquanto peixes translúcidos me trespassavam. Enquanto o sal da água resplandecia como minúsculos cometas afogados pelo brilho. E tudo era a mesma matéria, tudo estava sempre ligado a uma luz que de longe clamava.
Os sons, as raízes dos sons de Sona Jobarteh, aproximam tal mistério. É uma outra colheita para a alma, outra voz incógnita cujos sons chegam a ter cores. Pleno de tudo, regresso á minha cabana onde acendo uma vela. Vivo numa ilha, desconhecida pelos mapas.
E tudo se torna claro como um anel de sol virado do avesso. Dentro e fora tudo é igual.
6.5.22
Porto noturno
| Jardim de João Chagas ou Jardim da Cordoaria |
Depois, atravessei a escuridão do jardim da Cordoaria, onde revi de soslaio, mas com natural atenção, as estátuas do Juan Muñoz. com aquela parca luz geral a gentinha do nosso hermano ganhava um ar mais severo e bizarro.
Mas porque é que não estavam parados?
(J. A. M.)
- Porto. Portugal. 2007 -
5.5.22
3.5.22
deslizando sobre as águas do Mundo
| Maranhão. Br. ( Foto: J. A. M. ) |
Havia
1 marinheiro que tinha um barco.
Havia
1 barco que tinha um marinheiro.
Ambos
não tinham nada, a não ser o mar
e
os horizontes.
Eram
muito felizes naquela cumplicidade silente
com
o marulhar sempre tão presente
que,
quase sempre, parecia ausente.
( J. A. M. )
30.4.22
de passagem
![]() |
| Autor: J. A. M. |
no rosto, ou no olhar ou
nas inesperadas surpresas
que nos acontecem.
Olho á volta como se tudo estivesse
em mim, como realmente está
e sou a árvore, a brisa, as nuvens
eis as quimeras
que logo esqueço para ser 1 outro
que se enlaça à vida
um travo a mais é sempre
bem vindo.
( J. A. M. - 14-04- 2022)
24.4.22
Porque é que cresce a mão para a palavra?
![]() |
| Pintura: J. A. M. |
dentro do sangue nos corpos
há os dias e as noites recolhidas,
submersas até aos dedos
e ainda há o Mundo e as pessoas
os animais, as árvores, a Natureza
e a vastidão da respiração
que vem do coração da vida
seio de idades invadidas por tantos rostos
e há instantes imprecisos em que somos quase
inteiros
no útero de tudo onde as vozes se instalam
mas só às portas soltam as suas âncoras:
as palavras, as sombras que agora vos escrevo.
ao sabor das luzes que giram
na alta nudez sem nome.
20.4.22
"ESCUTA, ZÉ NINGUÉM !" (Wilhelm Reich, 1946)
![]() |
| Imagem transformada: J. A. M. |
Já há muito que terias derrubado os teus verdadeiros opressores se não tolerasses a opressão e não a apoiasses tu próprio.
Será que o teu "libertador" to disse?
10.4.22
Felizmente vivo
![]() |
| Autor: J. A. M. |
de
manhã, quando as aves ainda parecem sonhos
e já as claridades esvoaçam
abrindo as portas e as janelas
de encontro aos olhos de quem acorda
e os rios de ouro abrem as vozes
à procura dos mastros humanos
onde há gente viajada em nascentes
e a Beleza do mundo é 1 presente simples
e tudo se ampara nos muitos eus
que devagar se unem
enlaçando a infância, o futuro e o agora
de manhã quando algo estala o silêncio
instaurado e já ouço
o cantarolar aceso dos pássaros
Felizmente vivo
mais um dia.
( J.A.M.)
5.4.22
3.4.22
esta vida é um sopro
![]() |
| Autor: J. A. M. |
os pássaros
20.3.22
já não recordo, pois foi num campo de batalha ...
| Pintura: J. A. M. |
Mas a frase em questão, no meio daquele inferno encantou-me o lugar e por momentos caí num silêncio sem tempo, que me trouxe a casa de meus pais, longe muito longe, onde havia um jardim. E a frase era assim: não corras atrás das borboletas, cuida antes das tuas flores que elas virão até ti (1).
E então, algo em mim se transforma e tudo à minha volta também. E uma flor leve e doce aflora por dentro.
(1) frase atribuída, a D. Elhers, em tradução livre.
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