4.10.11

Arqueologias poéticas



TRÍPTICO   ÀS   IMAGENS   NUAS


1 - Por vezes, alguém põe um dedo na ferida. Quero dizer: alguém acorda a sombra geral dos seus nomes e os nomes mergulham nos ritmos do sangue e logo as mãos crescem para os lugares e os lugares crescem com elas e tudo fica mais Alto.
 Há quem passe, olhe de lado e continue a sua vida. Outros há, que passam,  e se detêm por um pormenor mais chamativo.


2 - Claro que todos os lados, todos os nomes são pretextos e os lugares também. Nascemos e morremos por uma graça indomável perdida no tempo. Andamos às voltas disto tudo enquanto por dentro acordam & adormecem as sementes povoadas pelos estranhos frutos de uma sede sem fim.


3 - Vozes e imagens que cantam a Vida e o exemplo dos milhares de sóis,  mesmo sabendo -se que para outros olhares, há um abismo memorial nas cabeças uma outra idade outra boca menos cercada pelos dons dos dias  na transformação dos corpos.



(in, " A Primeira Imagem ". Ed. Limiar - 1998)

1 comentário:

Anónimo disse...

Coincidências ...

Nas primeiras horas do dia de hoje, sem bem saber porquê, peguei, da minha estante, um livro. Abri-o ao acaso. E li:

"Conheço essa arte: a do silêncio quando os olhos respiram a luz primeira do Mundo [...]"

Intitulava-se "A Primeira Imagem"...

Um abraço.