20.10.11

mercado de Sucupira





      8 horas e tal, as mãos cheias de moscas ou várias às vezes e, uma delas está a poisar-me AGORA!
...... Zás !!!
...apanhei-te...
e
depois olho
mas nem a vejo caída redonda no chão…

então, após uma cachupa num prato de lata redondo mesmo, no interior de uma antiga camioneta transformada em "restaurante", estou numa mesa à porta da dita a colher imagens da gente que vende coisas, que compra algumas dessas coisas e da gente que passa de um lado para o outro e vão abrindo naturalmente o ar que as ampara

No geral, "a coisa está preta". Depois, começa a levantar-se através das cores das roupas. Dá-me a impressão, ainda sujeita a posterior confirmação, que é o vermelho o eleito. Impõe-se só por si é evidente, mas também é muito abusado. A seguir, há os amarelos e os verdes de N tons. O verde-alface é considerado por aqui. O branco, obviamente.

uma jovem mulher expõe de 1 modo exactaente vertical uma garrafa grande de água com o aspecto de estar bem fresca e espera alguém que a leve. Tem uma bunda maravilhosa e sei lá porque é que olhei para este caso.

alguém transporta carne de um animal já muito morto numa bacia de plástico cor-de-laranja em cima da cabeça, mas o que eu vejo com estes dois olhos que a terra há-de comer, é uma chusma de moscas enlouquecidas com o manjar. Irão pesar as moscas também, aquando do negócio? Ou, serão o brinde, concerteza.

Lá ao longe o céu está assim-assim-escurecido, sei lá o que vai ser & já transpiro bastante.

passa por aqui uma menina pinheirinha, retocando os cabelos e a treinar o gingar das ancas que ainda se estão abrir às sementes que um dia virão e lá vai ela muito compenetrada no seu papel à espera de ser amada quando acontecer e será para breve, vê-se.

ali vai um "preto" de rádio na mão esquerda junto ao ouvido do mesmo lado, inclinado e é música que não tenho tempo de saber, mas com aquele ar tão feliz é boa música com certeza.

Ainda
as eternas mangas ao lado sempre as bananas juntas ao quilo, a evidente e dura realidade da sobrevivência.

E são as Mulheres que erguem - sempre rodeadas de ninhadas de filhos - toda esta trabalheira. Cumprem-na devotadas, depois desenlaçam-se e ao fim da noite encostam ao de leve a cabeça a uma esperança que nunca entendi, mas já senti, e ficam assim à espera, do que será meu deus?                      O papel dos homens por estas bandas, parece-me que é atirarem-se a elas esporradicamente como bons  machos com cio e depois basarem logo na primeira esquina para as luzinhas do grogue ou de outras sombras quaisquer alinhadas na preguiça ou desenrascarem mais um poiso temporário , muitas vezes numa outra ilha deste arco verde, por onde vão cumprindo os seus profundos ofícios de marinheiros vagabundos.

Estas Mulheres são as raízes destas 10 ilhas

- o resto é mar, mar e mais mar
e depois, ainda
o mar


- Cabo Verde. Praia. Algures , Agosto de 2008 -

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