28.4.17

Série: Diásporas ~ ESTOU DE TANGA ~

(Obra: J.A.M. série: pequenas sabedorias-series: small wisdoms)


hoje levantei-me bem comigo & a vida, comi manga e papaia e cana de açúcar do meu quintal tudo oferecido com a claridade do sol já bem esclarecido nas coisas do mundo.
Também bebi água logo nas aberturas do dia e é água leve e fresca que vem dos lados do convento de São Francisco do séc. XVII, eles lá sabiam as melhores fontes das coisas essenciais à vida.

Nesta varanda ampla virada para a Sidády Vêlha lá em baixo o mar ao fundo de onde se colhem imagens & imagens sem fim e um barulho de ondas fortemente contra as rochas negras da praia, onde todos os dias ao final das tardes banho o meu corpo aberto ás águas azuis até ver o círculo solar cheio de cores a despedir-se para outros lugares.
(…)
Acabei agora de regar as minhas plantas, saudar as flores que me ajudam tacitamente a ser feliz, tocar ao de leve as folhas da palmeira aqui ao lado, são pequenos gestos só aparentemente distraídos entre seres que são iguais.
A minha amiga borboleta, que me visitou logo no 1º dia, volta todos os santos dias, enquanto estou acordar-me nestas pequenas tarefas prazenteiras. Um dia destes, veio poisar na minha mão, mas só ao fim do coração da manga bem chupada, é que sorveu com tal suavidade a última gota que me deixou derrotado por uns longos instantes.
( para quem ainda não viveu estas circunstâncias, creio achar por bem informá-los que as mangas são frutos caprichosos, afinal como todos os outros, mas as mangas não se comem propriamente dito, após as primeiras dentadas chupam-se longamente até o caroço qual osso reluzir à luz que há ).
Ah! eu e a minha amiga borboleta, duas pétalas brancas, uma de cada lado onde pontuam vários círculos negros salpicados parecem à toa mas cá para mim nada é á toa nesta vida, falámos abertamente dentro dos nossos silêncios amadurecidos, depois foi vadiar pela mata a fora partilhar alegria e liberdade com outros seres que estão vivos na viagem, remando agora as suas muitas asas frágeis ao sabor das curvas da aragem e, pronto.
Votei ajustar a tanga à cintura (um dia destes tenho que arranjar uma tanga a sério de "pano de terra", logo se vê),,, incendiei doucement 1 cigarro, pernas desleixadamente sobre a varanda azul e costas contra o mundo, ke se foda o insano mundo Ocidental, ámen


(Cabo Verde. Ilha de Santiago. Sidády Vêlha – 2008. Alterado 2017 )

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