| Imagem. J. A. M. |
Depois de várias voltas por N ruas obscuras da cidade
pareceu-me que era por aquelas bandas que a festa começava a fervilhar. Num
passeio de uma rua desamparada, encontrei um banco à minha espera e pedi mesmo
ali à Sr.ª da roulotte uma cerveja
bem gelada. Recostei-me, costas com
parede e vice-versa, e pus-me a pastar vacarosamente o olhar à volta: havia de tudo o que era gente, jovens em
grupos soltos e felizmente assim, pessoas solitárias, alguns com ar de quem
procura desinspiradamente libertarem-se daquilo, outros já mais ancorados nas
suas derradeiras sortes, havia casais apaixonados que nem pássaros azurumbados,
havia também mulheres de todas as cores e as mais belas prendiam-me o olhar por
mais tempo, e logo depois, desapareciam pelas portas dos vários bares de onde
se soltavam canções às molhadas e, de quando em quando, tudo aquilo fundia-se
no fundo mais profundo do meu ser e dava-me sede para mais uma cerveja.
Por cima, a Grandiosa escuridão universal salpicada de
estrelas e uma clara sensação de vastidão completamente alheada de tudo.
A incerta altura, uma menina sozinha por fora e por dentro aproximou-se de mim, de cerveja na mão e sentou-se a meu lado. Depois continuou calada, ancorada e eu também não de cerveja na mão. Encostou a sua tristeza desarmada no meu ombro abrigada e eu comecei a cantar. As minhas canções eram peixes criados ali, para o seu mar. E sem darmos por isso, pousámos os olhos nos olhos e começámos a beijar-nos. Já o seu fundo sereno tinha um outro olhar. E uma paixão qualquer aconteceu naquele lugar.
Claro que o dia nasceu sem nos avisar
* Variedade de palmeira, com caraterísticas
singulares, também conhecida pelo povo como a “árvore da vida” e considerada o
símbolo do Estado do Ceará.
(Jacaúna. Estado do Ceará.
Brasil)
J. A. M.


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