5.4.22
3.4.22
esta vida é um sopro
![]() |
| Autor: J. A. M. |
os pássaros
20.3.22
já não recordo, pois foi num campo de batalha ...
| Pintura: J. A. M. |
Mas a frase em questão, no meio daquele inferno encantou-me o lugar e por momentos caí num silêncio sem tempo, que me trouxe a casa de meus pais, longe muito longe, onde havia um jardim. E a frase era assim: não corras atrás das borboletas, cuida antes das tuas flores que elas virão até ti (1).
E então, algo em mim se transforma e tudo à minha volta também. E uma flor leve e doce aflora por dentro.
(1) frase atribuída, a D. Elhers, em tradução livre.
18.3.22
| Pintura: J. A. M. |
4.3.22
Onda
| Pintura: J. A. M. |
1.3.22
Abraço.
| Pintura: J. A. M. |
Palavras,
palavras, por vezes
Palavras,
palavras, por vezes cansado das palavras fico completamente à escuta, vazio por
dentro, parado, virado para fora. Como se o meu corpo fosse uma harpa aberta
aos sons que passam. E então há um outro sol a cobrir as formas do Mundo, o
grandioso coração do Universo começa a bater como um pêndulo maduro, a
água no corpo a murmurar lá no fundo como nos oceanos e a beleza epidérmica das
coisas à volta aparece sem nomes, a vida total continua a transformar-se sem
eira nem beira.
E
então, vejo que nada em mim é o que sei e sinto, nada em mim é apenas uma ilha
a desenhar horizontes de palavras, letras que se juntam para criarem um círculo
um entendimento, nada disto tudo faz sentido, sem a Luz e a vastidão da Terra
com sementes e as flores e as plantas e as árvores e os frutos e as aves e as
pessoas, as pessoas a encherem-nos os dias e as noites.
J.
A. M.
in,
“ O Ouro Breve dos Dias”. 2021.
( Livro
de contos, escritos em Portugal, Brasil e Cabo Verde )
25.2.22
(Guerra na Ucrânia). Entre os dois lados, eu apoio a PAZ.
Autor: J. A. M.
24.2.22
15.2.22
~ 18ª folha de 1 diário perdido ~
| MUNDOS PARALELOS( 105X105 cm). J. A. M. |
Por vezes, levanta-se um farol. Às vezes, é metáfora outras vezes é mesmo visão ou alucinação. A distância do momento faz um laço entre o que em mim há de vivo e está acordado e o que me trespassa. Fica um resíduo de luz que permanece e aos poucos se esvai.
Nestas margens os nomes são difíceis. Os nomes praticamente não existem. Tornam-se as sombras por onde a minha viagem me acompanha.
Há pontes por estes caminhos. E rios que desaguam para dentro das vozes. Abundantes águas há neste planeta.
Mas só em silêncio vejo o meu rosto multiplicado por 1001 rostos que acabo por saber serem meus.
10.2.22
A Ilha Encarnada
| Pintura: J. A. M. |
Olho-te agora de longe. O teu
rosto enaltece a luz que cai entre os muitos ramos das enormes árvores à-volta
e ao mesmo tempo é uma luz saída de dentro de ti. Com um sorriso leve igual a 1
pássaro suave que vai passando. Entre ti e este momento, entre ti e a tua discreta
doação ao que no fundo já sentes ser, recordei agora esse instante fugaz entre
o marulhar dos pequenos peixes na água do rio e os teus pés à beira descalços e acesos
no meio da fogueira que agora me apetece imaginar.
Por detrás de ti havia plantas e
flores despidas pelo sol com aromas em brandas chamas, havia
borboletas amarillas(1) lúcidas e loucas sem dono agrupadas em
círculos, e foi então que eu vi que eras uma pequena deusa ali descida, sem
testemunhas, e prometi voltar sem o saber.
(1) amarelas (castelhano)
- Topes de
Collantes, Cuba -
3.2.22
28.1.22
Os Poderes do Coração
LINK: https://youtu.be/tc4FDU4OIKc
20.1.22
Earth is just One ~ A TERRA é só Uma.
| "MostraMuseu". São Paulo. Br. Foto: Maria Eduarda Mota. |
| " A TERRA é só Uma." Artista convidado: J. A. M. |
havia uma doença de sombras. Entranhadas no ar, nos
ritmos dos dias, nas pessoas que deambulavam entre estes.
Mas as sombras eram como todas as sombras: germinadas por uma luz. Esta luz era cega, distante, não se via. Apenas alguns a pressentiam. Por dentro, era por
dentro que novas sementes germinavam e quando cresciam o suficiente, toldavam
os olhares. E algumas pessoas começavam a ver novas flores que as outras não viam,
pois havia uma doença de sombras.
Entre a vida e estes dias sonâmbulos havia um
esquecido tempo sem nomes verdadeiros ou com demasiados nomes. Aparências. Muitas notícias em algazarra. Sinais
para as pessoas se ampararem.
Alguns mais desesperados matavam-se. Outros resignavam-se,
á espera. A morte, apesar de sempre presente, disfarçava-se de esquecimento.
Andava-se de um lado para outro, através de distrações perenes. No fundo, ninguém
se via nem via os outros, porque havia uma doença de sombras. No entanto,
alguns vislumbravam o que parecia ser natural. Falavam destes tempos de
mudanças, sem ninguém os escutar. Acomodavam-se num silêncio de ouro que crescia
somente para eles. Aparentemente. Outros ainda gritavam sem ecos. Aparentemente, pois tudo era
um vasto Mundo cada vez mais ligado.
13.1.22
um mar, onde todos os rios se esquecem
| Pintura: J. A. M. |
Este, era desconhecido sem barcos nem barqueiros, apenas as duas margens amparavam o meu olhar.
Havia pássaros no ar a deslizarem as sombras sobre as águas que, apenas por isso, se moviam.
Imaginei um mar, onde todos os rios se esquecem.
Imaginei muitas metáforas que já esqueci.
4.1.22
Sei como os universos estão cheios
de ouro breve nas suas viagens
e um coração de ouro nunca tem preço
(eu sei) como o teu sol também é o meu
também sei que por onde caminhas
é o (mesmo) lado só teu
do lado que também é o meu.
1.1.22
27.12.21
Estrelas apagadas
| Foto de azulejos na Póvoa do Varzim ( transformada). J. A. M. |
Entretanto as nuvens de um lado para o outro, fragmentariamente orquestradas pelo seu próprio destino, lá iam impavidamente diferentes. Nada se cruzava e tudo estava ligado.
Os barcos continuavam a baloiçar o cais. O mar sempre estivera ali como se fosse eterno. Como um eco longínquo que ainda perdura pelo poder dos olhares de muitas gerações.
E os pescadores aguardavam como quem espera e também não, a hora da partida. Em casa os filhotes mais novatos choramingavam por comidas diferentes e as mães afagavam-lhes os cabelos, com um sorriso esboçado junto ao aconchego do útero.
23.12.21
15.12.21
"Portal"
| Pintura: J. A. M. |
Algures em mim uma voz muito distante chamava-me. Não
havia nomes. Não havia palavras. E algo por dentro tinha a ideia de porta
fechada que a qualquer momento se podia abrir.
10.12.21
Todos parecemos ilhas
| Pintura: J. A. M. |
todos
temos as mesmas raízes
entrelaçadas
no fundo da Terra
e
do Sol.
( J. A. M.)
3.12.21
Vivemos tempos de União
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| Foto: J. A. M. |
O silêncio serpenteia-se nas ondas do ar, a boca
da noite abre as flores do coração curva
os sons que tem sempre à mão e o tempo
habita-nos mais ao sabermos nos olhos
as sombras que se despedem das árvores
onde os pássaros acolhem os primeiros
tons do dia sob o lençol verde às tantas
da manhã pelas cinco e tal ou quase
assim começam a sinfonar uma visão
acesa para quem esmorece ainda é cedo
ainda há o segredo de haver um mundo
com tudo sagrado.
28.11.21
会议
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| Foto: J. A. M. |
à-volta era um lugar que, mal entrámos, se tornou ausente. Talvez houvesse um espaço, um tempo, quatro olhos duas pontes comunicantes sobre algo circular o tampo de mármore da mesa onde as palavras caiam redondas, finitas e havia miríadas de estrelas a rebentarem no desamparo das mãos quando se tocavam. Bailando, bailando os dedos finos de uma alma sensível no fim das hastes, re/parei.
As gaivotas vinham açoitadas pelo mar sem pescadores e abriam lá fora os espaços altos à procura. Eram sombras nos intervalos apanhadas pelos acasos, quando olhava de soslaio pelas vidraças húmidas do café. Enquanto ambos estávamos num fogo adormecido apesar de darmos por ele.
Agora vejo como fui vago nessa travessia. Luz dos teus olhos bebiam a minha sede. E, era uma sede viajada para dentro, ensaiada pelas danças do silêncio. Por onde perscrutava os teus altares aguardando vislumbrar o fino ouro do teu mistério.
(Porto)
13.11.21
- De onde cresce a tua luz?
27.10.21
Outono
com o peso do Outono
castanhas, amarelas, verdes, vermelhas
às vezes
um adeus de sombras a voarem.
Mudas as árvores abraçam o frio.
17.10.21
Não sei se volto a voltar
| (Auto-retrato) |
10.10.21
Portas para os dias.
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| Pintura: J. A. M. |
19.9.21
~ 17ª folha de 1 diário perdido ~
![]() |
| Pintura: J. A. M. |
É necessário deslaçar o emaranhado que em nós nos ergue ao fazê-lo. A dor também nos faz crescer. E, nesta procura para cada 1 o seu caminho. Tudo se inicia e cresce por dentro. Os muros, as fronteiras, as asas e os voos. Só os monstros aparecem por fora. Só há monstros quando existe o medo. Ou, para quem escuta só com um ouvido e depois se esquece de si, levando consigo as sombras da sua idade.
Mas é na alma que fala.
23.8.21
todos parecemos ilhas
| Pintura: J. A. M. |
Todos
parecemos ilhas
todos
temos as mesmas raízes
entrelaçadas
no fundo da Terra
e
do Sol.
( J. A. M.)
18.8.21
~ 16ª folha de 1 diário perdido ~
![]() |
| Foto: J. A. M. -2021 |
Sona Jobarteh está a entrar pelos lados onde as portas são mais negras. Para que as estrelas resplandeçam mais, nesta infindável noite.
Há na vocação das
vozes um halo universal redondo é este planeta onde agora vivemos.
Como no mar: altas
ondas outras nem tanto, a 7ª onda é sempre ouro nos sons alongados e por tal
sortilégio algo em nós se expande mais.
Tenho
evidentemente os pés nus onde elas esmorecem e eu cresço.
Falo do amor. Falo
sempre do amor.
Mergulhei por aqui
em noites de vãs esperanças. Cheguei a morrer: de encantamentos.
Regressei sempre 1
outro que não conhecia. Enquanto peixes translúcidos me trespassavam. E tudo
era a mesma matéria, tudo estava sempre ligado a uma luz que de longe clamava.
Os sons, as raízes dos sons de Sona Jobarteh, aproximavam tal mistério.
Era uma outra
colheita para a alma, oura voz desconhecida cujas cores não chegavam a ter nomes, aqui
neste mundo em que respiramos?
Cheio de tantas
perguntas, regressava á minha cabana onde acendia uma vela. Eu vivia numa ilha,
desconhecida dos mapas.
E tudo se tornava
claro como um anel de sol virado do avesso. Dentro e fora de mim.
( Rascunho Nº2)
29.7.21
~ 15ª folha de 1 diário perdido ~
| Obra de : J. A. M. |
Como te dizer que tudo isto é, um outro Todo já revelado em ti?
A nossa vida, o nosso milagre sempre longe sempre em nós, onde há demónios e deuses e o nosso olhar se apaga no final dos dias.
Continuamos a dormir lençóis de sonos, visões que são nossas herdeiras enquanto Deus agita os seus 1001 braços nas suas mãos imensas alongadas em dedos luminosos por tudo sem algum fim, à vista desarmada.
Portugal-21/02/2021
( Rascunho Nº 5)
14.7.21
A 15-07-2021, Fecho a Porta da Exposição " DEIXO A PORTA ENTREABERTA". Mas continuo a deixar o meu coração aberto.
8.7.21
" DEIXO A PORTA ENTREABERTA "
![]() |
| Série: Pequenas sabedorias.Series: small wisdoms. J.A.M. |
Depois de viajar por muitos universos, as asas descem
mais cegas
mais frágeis
apenas dois olhos na luz possível.
Por aqui, neste mundo, á minha volta: 2 universos, apenas: o Universo
do Amor e o Universo do Medo.Cada um com inúmeras portas e janelas e nomes encobertos e descobertos
por onde se entra e sai e se volta a entrar e a sair. Quase eternamente. O
círculo ou a espiral, ainda a sobrevivência do macaco nas demonstrações da luz
ou a luz derramada em forma de cruz.Tudo crenças.Tudo inscrito, tudo escrito em todos os lados, dentro das cabeças, na
água oceânica do interior dos corpos, nas paredes levantadas, por fora e por
dentro, nas alegrias e na dor.
facebook:
https://www.facebook.com/josealberto.mar
5.7.21
Apresentação do Livro "lusófono " de Contos.
Livro de Contos, escritos em
vários locais de Portugal, Brasil e Cabo Verde.
~ ~ ~
Após um interregno de duas décadas, o
autor decidiu publicar o presente livro.
1ª Edição ( Ed. LeiaLivros). São Paulo.
Brasil -2020.
2ª Edição (do autor). Porto.
Portugal-2021.
Livros anteriores do autor (poesia):
“O Triângulo de Ouro” (Prémio Revelação de Poesia da Associação
Portuguesa de Escritores – 1987 ), Editora Justiça e Paz, Porto, 1988.
“As Mãos e as Margens”, Editora Limiar, Porto, 1991.
“A Primeira Imagem”, Editora “Sol XXI” – Lisboa, 1998.
- Inúmeras colaborações em Antologias, Revistas culturais, Jornais,
Blogues, Sites, etc. Em Portugal e vários países.
Em o “Ouro Breve dos Dias” encontramos uma rota sem outro rumo que o deslumbramento. Nos vários pontos de passagem – Brasil, Cabo Verde, Portugal – o autor faz-nos seguir o seu olhar e apurar os sentidos através de uma escrita fortemente imagética e também inovadora pelas incursões neologísticas e originalidade das soluções frásicas. Afirma-se, então, um estilo com um forte sabor a “língua portuguesa”, num projeto de lusofonia aliciado, sim, pela variedade (veja-se as passagens em crioulo de Cabo Verde ou as sugestões sensuais na descrição das mulheres brasileiras), mas imbuído também do reconhecimento num sentir comum
E é aí que o livro ganha um cunho universal pelo olhar humano do escritor, fascinado e despretensioso, que subjaz à sua tríplice condição de narrador, poeta e artista visual. Ou, de outo modo, partilhar dos “saberes” e “sabores” do viajante andarilho é também celebrar a vida.
(Poeta Sofia Moraes)
f.b. :https://www.facebook.com/josealberto.mar
Instagram: https://www.instagram.com/jose.alberto.mar/
1.7.21
Exposição de Artes Visuais
![]() |
| " Deixo a Porta Entreaberta " ( 26 Junho ~15 Julho. Porto. Portugal) |
Tríptico às
Imagens Nuas
1.º
Por vezes, alguém põe um dedo na ferida. Quero dizer: alguém acorda a sombra geral dos seus nomes e os nomes mergulham nos ritmos do sangue e logo as mãos crescem para os lugares e os lugares crescem com elas e tudo fica mais Alto. Há quem passe, olhe de lado e continue a sua vida. Outros há que passam e se detêm por um pormenor mais chamativo.
2.º
Claro que todos os lados, todos os nomes são pretextos. E os lugares também. Nascemos e morremos por uma graça indomável perdida no tempo. Andamos às voltas disto tudo enquanto por dentro acordam e adormecem as sementes povoadas pelos estranhos frutos de uma sede sem fim.
3.º
Vozes e imagens que cantam a Vida e o exemplo dos milhares de sóis mesmo sabendo-se que para outros olhares, há um abismo memorial nas cabeças uma outra idade outra boca menos cercada pelos dons dos dias, na transformação dos corpos.
(in, “ A Primeira Imagem “ , J. A.
M. - 1998)
29.6.21
“ I Leave the dOOr Ajar ” ~ " jag Lämnar Dörren på glänt " ~ " dejo la Puerta Entreabierta "
![]() |
| " A Céu Aberto " ~ " a Sky to yOu ": J. A. M. |
ARTEINFORMADA (España):
https://www.arteinformado.com/agenda/f/deixo-a-porta-entreaberta-i-leave-the-door-ajar-200610
28.6.21
(Uma Foto) Inauguração da Exposição de Artes Visuais: " DEIXO A PORTA ENTREABERTA" ~ " I LEAVE THE DOOR AJAR "
![]() |
| Foto: José Melim ( 26-06-2021) |
“ A gente encontra
o próprio estilo, quando não consegue fazer
as coisas de outra
maneira ”
“ We find our own style, when we can't do things any other way ”
( Paul Klee )













